Os produtores rurais buscam na usina uma alternativa para reduzir os custos de produção, já que são grandes consumidores de óleo diesel. A grande vantagem competitiva do projeto é estar na região do Brasil com a soja mais barata e o diesel mais caro, na avaliação do diretor executivo (CEO) da Metacortex do Brasil, Renato Giraldi de Melo.
Segundo o analista Miguel Biegai Júnior, da consultoria Safras & Mercado, o custo de produção do biodiesel de soja no norte do Mato Grosso varia entre R$ 1,40 e R$ 1,50 por litro. Já números da Agência Nacional do Petróleo indicam que o preço médio do diesel na Região Centro-Oeste é de R$ 1,96 por litro, o que garantiria a competitividade do biodiesel.
Na avaliação de Miguel Biegai Júnior, o interesse de investidores estrangeiros, especialmente europeus, no biodiesel, decorre da ambiciosa meta da União Européia de adicionar 5,75% do biocombustível ao diesel a partir de 2010. “Esse volume geraria uma demanda por 22 bilhões de litros de biodiesel, mas a produção mundial atual está entre 10 e 12 bilhões”, afirma o analista da Safras & Mercado.
Apesar de o Brasil oficialmente ainda não exportar biodiesel à Europa, o Conselho de Biodiesel europeu reclamou em carta ao comissário europeu do comércio, Peter Mandelson, que o Brasil estaria vendendo o combustível ao bloco europeu através dos Estados Unidos, onde o biodiesel tem um subsídio de US$ 1 por galão quando misturado ao diesel.
O projeto apresentado pela Metacortex a seus clientes prevê que a usina de Água Boa utilize inicialmente 80% de óleo de soja para fabricar o biodiesel, mas o objetivo é chegar a uma matriz de óleos diversificada, na qual a soja represente apenas 20%. “Depender apenas de uma matéria-prima é uma estratégia arriscada, por isso a tecnologia da usina já prevê a livre utilização de outras oleaginosas”, diz o diretor da consultoria. Para ele, a instalação da fábrica vai estimular o plantio de outras matérias-primas, como o girassol, o nabo forrageiro e o pinhão-manso.
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