terça-feira, 1 de julho de 2008

Os percalços enfrentados pelo Biodiesel no Brasil

A Agrenco teve três importantes executivos do seu grupo presos esta semana acusados de desvio de recursos da empresa. De acordo com a PF, Antonio Augusto Pires Junior e Antonio Iafelice foram presos sob a acusação de terem maquiado balanços financeiros da companhia, a fim de esconder desvios de recursos em benefício próprio.

Em fase final de construção das suas três usinas de biodiesel que lhe renderiam o segundo lugar no ranking das maiores produtoras do Brasil, com capacidade total de produção de 425 milhões de litros/ano, ficando atrás apenas da Brasil Ecodiesel, a Agrenco trás para o setor um grande problema de confiabilidade que afeta o biodiesel, mesmo não havendo correlações entre as prisões e a produção de biodiesel.

O Grupo já passava por problemas de falta de capital de giro que acarretavam atrasos nos pagamentos de fornecedores e uma preocupação com a solidez da empresa, por parte de seus empregados, que formavam uma imagem negativa da empresa junto ao mercado.
Com o inicio da mistura de 3% de biodiesel no diesel (B3) a partir de hoje o problema toma uma proporção ainda maior para o setor. A Agrenco arrematou 39,6 milhões de litros nos leilões da ANP e terá que produzir 12,8 milhões de litros ainda este mês, volume nunca antes produzido por uma única empresa do ramo neste mesmo tempo.

Em meio a essa crise, a Louis Dreyfus Commodities Group (LDC), ou Coinbra no Brasil, anunciou proposta de compra da Agrenco Group, por US$ 0,70 por ação ordinária (R$ 1,12 ao câmbio de R$ 1,60), o que, equivaleria a um valor nove vezes menor do que o valor da Oferta Inicial de Ações (IPO, sigla em inglês) - R$ 10,40 - em outubro do ano passado e um pouco abaixo do valor atual das ações da companhia, 1,25.

O que parece ser a solução para o problema da empresa, pode não ser do programa de biodiesel, pois se a produção for afetada durante o processo de transição e o grupo não conseguir honrar o compromisso de entrega de 50% do volume negociado nos leilões, além de não puder participar dos próximos leilões da ANP, ainda poderá gerar um desabastecimento de biodiesel.

Juntando à crise da Agrenco, a Brasil Ecodiesel só conseguiu atender, até abril, 36,6 % do volume negociado, 77,7 dos 211,9 milhões de litros.

Para tentar amenizar a crise a Petrobras realizou três leilões de biodiesel, dentre aquelas empresas que considerava confiável na entrega do produto, na tentativa de assegurar os estoques para a mistura de biodiesel (B3). O grande problema foi que estas empresas só tiveram capacidade de oferecer 69 % do volume pretendido pela Petrobrás.

Os números da produção divulgados pela ANP, até agora, não permitem prever a capacidade da Brasil Ecodiesel em entregar o restante dos 80% do biodiesel que vendeu, ou pelo menos atingir os 50% necessários para que possa continuar participando dos futuros leilões, que a esta altura já parecem ser uma realidade a ser seguida pela ANP, necessários para garantir o B3.

Esta situação levou o diretor do Departamento de Geração de Renda e Agregação de Valor do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Arnoldo Campos, a uma situação um tanto quanto inusitada frente à realidade do disparate entre a quantidade produzida e a quantidade vendida. Após fazer duras declarações sobre a Brasil Ecodiesel, sugerir a possível quebra da empresa declarou, ainda, em nota, que a empresa está entregando regularmente sua produção de biodiesel.

A quebra da Brasil Ecodiesel só não será um baque maior para o programa de biodiesel caso as especulações sobre a sua venda pra a Petrobrás Bioenergia se confirmem, apesar de ainda significarem um grande baque. A empresa é hoje a maior do setor: produziu, em 2007, 52,7% dos 402.176,89 milhões de litros e tem 22% da capacidade produtiva autorizada pela ANP. Como a opinião pública iria reagir a sua falência ainda é uma incógnita, mas podemos ver que uma relação com a inviabilidade do programa é uma opção.

O governo tem o desafio de mostrar que a entrada da Petrobras no setor é uma realidade mercadológica imposta às grandes do setor petróleo pela total viabilidade dos biocombustíveis (biodiesel e etanol) e não uma forma de protecionismo imposta à Petrobrás para garantir uma possível inviabilidade do biodiesel como combustível. Será necessário mostrar a capacidade do programa em suportar esses pequenos ajustes que se fazem necessário num programa de introdução de um elemento na Matriz Energética tão novo e tão importante para o País e para o Mundo.

Varias Fontes

2 comentários:

Anônimo disse...

Colega

Quanto a Agrenco esta colhendo o fruto de seu "modus operandis" como empresa de capital limitado por 10 anos antes da abertura de capital.Mas com a possivel aquisiçaõ pelo LCD tudo ficará bem sendo o princpal sócio a poderosa MARUBENI do Japão na área de bioenergia.
A grande questão que inviabiliza o biodiesel saõ os preços do soja e seus derivados muito atartivos no mercado internacional e de commodities.O biodiesel perdeu a competitividade no momento .
Talvez com o uso de matérias primas diferentes da soja o programa consiga aviabilidade financeira mas esbarra na logistica e tecnologia para conseguir o volume de óleo necessário.

Marcio Vargas disse...

eu já li esse texto em algum lugar....

De onde vc tirou?