quinta-feira, 29 de março de 2007

MDA FIRMA CONVÊNIOS PARA AGREGAR VALOR À CADEIA PRODUTIVA DO BIODIESEL

O Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) firmou convênio com a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) para capacitar lideranças e técnicos de organizações de agricultores familiares de todo o País a atuarem na cadeia produtiva do biodiesel. Serão investidos no projeto R$ 977 mil, sendo R$ 800 mil pelo MDA. A previsão é de que 3,5 mil pessoas sejam beneficiadas.

De acordo com a coordenadora de Biocombustíveis do MDA, Edna Carmélio, para que ações como essa sejam implementadas, serão realizadas capacitações e estudos. "No que diz respeito a estratégias de agregação de valor, esse convênio prevê estudos de mercado e de viabilidade, levantamento do nível de organização de cooperativas no País e seleção dessas cooperativas, entre outros. É um processo dinâmico, contínuo e crescente", avalia.

A coordenadora destaca, ainda, que a Contag foi uma das primeiras organizações sindicais a englobar o biodiesel em sua proposta para a agricultura familiar. "A entidade assumiu a possibilidade de a agricultura familiar se inserir nessa cadeia produtiva. Desde 2004, capacita as suas federações e sindicatos para mediarem as negociações entre agricultores e empresas fabricantes de biodiesel", observa ela. "Além disso, estuda oportunidades de negócios para que o agricultor familiar possa conseguir mais lucro sobre sua produção".

Nordeste baiano

Outro convênio firmado beneficiará 1,2 mil agricultores familiares do Nordeste baiano. A parceria foi estabelecida entre o MDA e a Cooperativa Agropecuária Mista dos Pequenos Agricultores da Região de Ribeira do Pombal (Cooparp). Ao MDA, coube o repasse de R$ 200 mil, sendo que a cooperativa entrou com contrapartida de R$ 22 mil.

"O objetivo deste convênio é apoiar a capacitação e a assistência técnica desses agricultores. A Cooparp entendeu que o biodiesel é uma oportunidade de negócios para a agricultura familiar. Este é um referencial que nós queremos zelar, que queremos que dê certo, pois entendemos que o cooperativismo é um grande caminho para uma maior agregação de valor e para a cidadania do agricultor familiar", afirma a coordenadora de Biocombustíveis do MDA.

A idéia é implantar e difundir tecnologias de manejo sustentável da cultura da mamona na região de Ribeira do Pombal (BA). Para isso, serão capacitados 60 agentes de desenvolvimento nessa cadeia produtiva, com ênfase na política de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER), gestão de crédito rural e cooperativismo.

Uma área aproximada de três mil hectares deve ser atingida, com produtividade média estimada de mil quilos de mamona por hectare em todos os 16 municípios envolvidos: Cipó; Adustina; Ribeira do Amparo; Olindina; Paripiranga; Banzaê; Euclides da Cunha; Fátima; Tucano; Itapicurú; Nova Soure; Uauá, Monte Santo; Abaré; Biritinga; e Ribeira do Pombal.

Sudeste mineiro

O terceiro convênio para atender a demanda de agregação de valor à cadeia produtiva do biodiesel foi firmado entre o MDA e a Fundação de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Extensão (FAEPE), em parceria com a Universidade Federal de Lavras (UFLA), em Minas Gerais. "Entendemos que uma das principais maneiras de agregar valor, além da venda organizada (que é o primeiro passo), é a produção de óleo vegetal para fins de biodiesel pela agricultura familiar", explica Edna Carmélio.

O objetivo da parceria é auxiliar na avaliação das diferentes escalas de extração de óleo vegetal para identificar quais são as mais viáveis - uma antiga demanda dos movimentos sociais. A ação será realizada no Sudeste de Minas Gerais e beneficiará diretamente 35 associações de produtores rurais da região, além dos técnicos ligados à extensão rural dos municípios envolvidos. O impacto previsto, no entanto, abrange o País inteiro. O MDA investirá no projeto R$ 121 mil.

Fonte:

Pesquisa Contesta o uso de Óleo de Palma como Bioconbustivel


Contagem de carbono na produção do combustível à base de óleo de palmeira mostra que o balanço é negativo.

O óleo de palma, produto largamente utilizado na Indonésia e na Malásia, responsáveis por 85% da produção mundial, já foi visto como um biocombustível ideal, uma alternativa barata para o petróleo e para o combate ao aquecimento global. Porém, a contagem de carbono na produção do combustível à base de óleo de palmeira mostra que o balanço é negativo.

Um relatório divulgado no final do ano passado por pesquisadores do instituto Wetlands Internacional, da Holanda, afirma que algumas plantações produzem muito mais dióxido de carbono do que ajudam a combater.

Semeadas em pântanos drenados, as palmeiras provocam a liberação de um
depósito de carbono resultante da decomposição de plantas e animais que até
então estava preso no solo, por milhões de anos. "Como biocombustível, o óleo de palmeira é um fracasso", afirmou Marcel Silvius, especialista em mudança climática do instituto.

Além disso, ambientalistas há muito tempo alertam que as palmeiras são plantadas em áreas que eram de floresta, ameaçando a existência de espécies de animais.

Fonte:

Fidel critica o uso dos biocombustíveis pelos EUA


O líder de Cuba, Fidel Castro, criticou o uso de biocombustíveis pelos Estados Unidos - de acordo com ele, a nova política energética americana será responsável pela "morte prematura de 3 bilhões de pessoas no mundo". As críticas foram divulgadas em artigo assinado por Fidel no jornal oficial cubano Granma, em sua edição desta quinta-feira. O texto não fazia qualquer referência ao estado de saúde de Fidel, afastado do poder desde julho do ano passado.

Segundo o líder cubano, o uso dos biocombustíveis provocará "fome e sede". "A idéia sinistra de converter alimento em combustíveis foi definitivamente estabelecida como a linha econômica da política externa dos EUA", escreve Castro, que diz ter "meditado bastante desde o encontro de George W. Bush com os fabricantes de automóveis americanos". O encontro ocorreu na segunda-feira, na Casa Branca. Fidel, contudo, não faz referência à visita de Bush ao Brasil.

Durante a viagem, o presidente americano discutiu com o colega brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva investimentos e cooperação no desenvolvimento e uso em larga escala de combustíveis alternativos, como etanol e biodiesel. Bush estabeleceu metas ambiciosas para o uso futuro de etanol nos EUA - onde o combustível é fabricado do milho, não da cana, como no Brasil. Segundo o líder americano, a nova política reduzirá a dependência do país do petróleo estrangeiro.

De volta - O artigo desta quinta foi o primeiro publicado por Fidel na imprensa oficial cubana desde sua doença. Autoridades cubanas dizem que ele está perto de retomar ao menos parte de suas funções no governo. "Esperamos ter Fidel de volta logo", disse a ministra da Indústria, Yadira Garcia, na semana passada. "Nosso comandante está se recuperando", garantiu ela. O presidente da Bolívia, Evo Morales, disse neste mês que Fidel apareceria em público de novo em abril.

Glicerina gerada na produção do biodiesel terá novos usos


O crescimento da produção mundial de biodiesel está gerando um excedente de glicerina, subproduto da fabricação do biocombustível. Os preços estão despencando, e tendem a cair mais, porque os mercados tradicionais da glicerina têm uma capacidade limitada de absorção de quantidades maiores do produto.

Só para atender à demanda interna de biodiesel para a adição obrigatória de 5% ao diesel comum, o Brasil produzirá 2,6 milhões de toneladas do biocombustível por ano, gerando quase 300 mil toneladas de glicerina. Segundo o consultor da Safras & Mercado, Miguel Biegai Júnior, a demanda interna por glicerina em 2004, antes da queda de preços, era de 800 mil toneladas.

A solução, para especialistas como Biegai e o diretor-geral da Empresa Brasileira de Bioenergia (EBB), Marcelo Parente, está na criação de novos produtos à base de glicerina. Em parceria com a Universidade Federal do Ceará, a EBB já desenvolveu um hidrogel feito de glicerina para uso na agricultura, que absorve a água da chuva e impede que ela evapore, mas libera a água para a planta.

“Esse projeto existe há um ano e meio e já mostrou que dá certo em laboratório. Agora estamos partindo para os testes de campo”, afirma Parente. O empresário é filho de Expedito Parente, o criador do biodiesel nos anos 70, na época do programa Prodiesel. Segundo Marcelo, o hidrogel já existe em Israel, mas não é produzido a partir da glicerina.

A empresa de Expedito, a Tecbio, é fornecedora de usinas de biodiesel e tem na carteira de clientes a Brasil Ecodiesel, a maior empresa do setor no País. Marcelo Parente conta que está desenvolvendo com a empresa do pai um purificador contínuo de glicerina, para funcionar nas usinas transformando o subproduto impuro naquele próprio para as indústrias farmacêutica, de alimentos e de cosméticos.

“Há pouquíssimas indústrias que fazem essa purificação no Brasil, o que está limitando as possibilidades de uso da glicerina das usinas de biodiesel”, afirma o diretor da EBB.

No exterior, as pesquisas de novos usos para a glicerina chegam até a polímeros plásticos, informa o pesquisador Cláudio Bellaver, da unidade de Aves e Suínos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Especializado em gorduras animais, as fontes tradicionais da glicerina, Bellaver afirmou ao DCI durante a Feira Nacional de Graxarias, na semana passada em São Paulo, que há também uma linha de pesquisa fora do País que busca uma utilidade do produto na nutrição animal, porém ainda sem conclusão.

Preços em queda livre
Sem mercado, o preço da glicerina está em queda livre. Nos últimos 18 meses, período de explosão na produção mundial de biodiesel, o preço internacional da glicerina despencou do patamar entre US$ 1 e US$ 1,10 por libra-peso para um intervalo entre US$ 0,35 e US$ 0,40, de acordo com a Safras & Mercado.

Mas Biegai, da Safras & Mercado, lembra que com preços mais baixos a glicerina passa a competir com outros produtos. Um mercado potencial é o do sorbitol, produto químico que, se substituído, geraria uma nova demanda por 300 a 400 mil toneladas de glicerina ao ano no Brasil. “Além disso, fabricantes de sabonete podem aumentar o uso de glicerina, o que é vantajoso porque melhora a qualidade de seu produto”, explica o analista.

“O grande sucesso do biodiesel só se concretizará quando a glicerina deixar de ser quase lixo para virar uma fonte de renda real para as usinas”, acredita Marcelo Parente. Enquanto isso, ele diz que produtores da Europa que não têm mais como estocar a glicerina, que não pode ser descartada no meio ambiente, estão queimando o produto nas caldeiras para a geração de energia. Biegai afirma que ainda não foi preciso adotar a medida no Brasil, mas pode não estar longe.

Fonte:

Petrobras aproveitará usina Ipiranga para produzir biodiesel

A Petrobras vai aproveitar a Usina Ipiranga, no Rio Grande do Sul, para produzir biodiesel. A informação foi dada, há pouco, pelo diretor de Abastecimento da empresa, Paulo Roberto Costa, que participou hoje (28) de audiência pública das comissões de Minas e Energia e de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio da Câmara dos Deputados.

A refinaria, do grupo Ipiranga, foi comprada há cerca de 10 dias pela Petrobras, em parceria com a Braskem e o grupo Ultra.

Paulo Roberto Costa informou que foi criado um grupo de trabalho, com participação das três empresas que compraram a refinaria gaúcha, para estudar como podem ser produzidos na unidade o biodiesel e outros itens de valor agregado. "Com certeza vamos ter oportunidade de agregar valor e ter um elenco de produtos mais adequados para esta unidade", disse ele.

Fonte: Jornal da Mídia

quarta-feira, 28 de março de 2007

Biodiesel: software ajudará técnicos na elaboração de projetos

Nesta quinta (29) e sexta-feira (30), acontece em Belo Horizonte (MG) o curso de capacitação para utilização do Sistema de Bionegócios. Esse software foi desenvolvido pela Universidade Federal de Viçosa (UFV) e financiado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) para análise de viabilidade econômica, financeira e social dos projetos de biodiesel. O curso é voltado a lideranças e técnicos de organizações de agricultores familiares, dentre elas a Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar (Fetraf), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) e o Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA).

Também é dirigido a representantes governamentais do MDA, do Ministério de Minas e Energia (MME), da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater).

Segundo a coordenadora de Biocombustíveis da Secretaria de Agricultura Familiar do MDA, Edna Carmélio, o software foi desenvolvido para ser uma ferramenta de negociação entre a agricultura familiar e as empresas. Com o programa, é possível conhecer os custos e as margens de lucro nas áreas agrícola e industrial. A ferramenta vai auxiliar no processo de tomada de decisão, sendo um importante instrumento para que organizações e movimentos sociais avaliem as condições para agregação de renda na produção de grãos, óleo e mesmo biodiesel, explica.

Edna ressalta que o software não substitui o conhecimento agrícola-industrial, já que é voltado para técnicos. Os participantes do curso receberão, além do programa, material teórico auxiliar. Eles também serão credenciados no MDA para utilização do programa, restrito às entidades parceiras do Ministério.

A previsão é de que outras capacitações sejam realizadas para técnicos de atuação no Nordeste e no Centro-Sul do País, podendo se expandir, ainda, para as empresas prestadoras de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER). As informações partem da Assessoria de Imprensa do Ministério do Desenvolvimento Agrário.

Fonte: CBL

CULTIVO DA MAMONA

Há quatro anos, o Ceará tinha 50 municípios zoneados para o cultivo da mamona. Na mais recente Portaria (4 de dezembro de 2006), da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), esse número subiu para 97 para Safra 2006/2007.

Os produtores dos municípios que entram no mapa do zoneamento seguem orientações e ganham, principalmente, a facilidade nos financiamentos. Enquanto isso, os 87 municípios descartados pelo estudo buscam crédito e confiança do mercado para implementar seus cultivos.

O problema vem a partir daí. Muitos municípios cearenses almejam estar no ainda seleto grupo zoneado. Mas um critério específico estabelecido pela Embrapa — responsável pelo zoneamento — os impede. Segundo o gerente do Programa Biodiesel do Ceará, da Secretaria de Desenvolvimento Agrário (SDA), Valdenor Feitosa, entre os critérios básicos do mapa do zoneamento, a altitude é o mais restritivo. Para entrar nesse mapeamento, o município deve estar de 300m a 1.500m de altitude.

Fora esse critério, em todos os outros, os municípios do Estado se encaixam. Temperatura média entre 20º e 30º, solos com textura leve (não encharcáveis) e pluviosidade de 500mm a 1.500mm. “O Ceará se adequa a todos os fatores, mas a altitude impede de inserir os demais. Mas a Embrapa é irrefutável nesse critério”, diz o gerente Valdenor Feitosa.

Discordâncias

Ainda de acordo com o gerente da SDA, há pesquisadores que discordam do “conflitante” critério. “Acho que a água e solo são os mais importantes para o desenvolvimento da cultura”, explicita Feitosa. Ele adianta que novos cultivares de mamona já estão sendo pesquisados pela Embrapa — variedades que poderiam se adequar, sem problemas, a locais de baixa altitude. Ele acredita que em breve, praticamente todo o Estado será englobado pelo zoneamento do Ministério da Agricultura (Mapa).

Até lá, somente quem foi zoneado tem benefícios de receber orientações do Mapa e, pela SDA, receber sementes, assistência técnica e, o mais importante, ter garantia de financiamentos bancários. Além disso, pode ter o enquadramento de operações de custeio no seguro do Banco Central, Proagro. Feitosa resume os benefícios dizendo: “É como se não estando zoneados, em tese, os municípios não seriam recomendáveis para os agentes bancários. Não tendo acesso aos financiamentos”.

Apesar disso, ressalta, o cultivo da mamona pode ser feito em qualquer parte do Estado. Nesses casos, as prefeituras acabam tendo que arcar com os riscos e despesas da experiência. Ele diz que a Secretaria respeita o zoneamento, mas “excepcionalmente, atende certas demandas por sementes, como no caso de Limoeiro”. O município ficou fora do zoneamento, mas, ainda assim, está investindo no cultivo.

Sucesso do rendimento

O zoneamento é um estudo técnico que pretende orientar os produtores e amenizar os riscos na produção, explica o coordenador geral de zoneamento agropecuário do Ministério da Agricultura, Francisco José Mitidieri. Nesses casos, ele diz que há 80% de chances de sucesso do rendimento da cultura. “Ou seja, em 10 anos, você tem oito anos de chances de ser bem sucedido”.

Conforme nota técnica da Portaria nº201 do Mapa, a região Nordeste é responsável por 85% da área plantada com a cultura de mamona no País e por mais de 78% da produção nacional de bagas. Semeada de dezembro a maio, a mamona é uma cultura perene, mas tolerante à seca. A cultura da mamona se estende por dois anos. Segundo Mitidieri, cerca de 70% do que foi plantado no ano passado renderá este ano.

Mitidieri adianta que, após os resultados de 2007, o estudo será revisado, prevendo a elaboração de um novo zoneamento no ano que vem.

CRISTIANE VASCONCELOS
Repórter

O QUE ELES PENSAM
Produtores querem ampliação

A maioria dos pequenos produtores ainda permanece desconfiada e precisa ser convencida de que a mamona é uma cultura alternativa e viável. Acredito que na ação do governo do Estado de incentivo ao plantio, das áreas zoneadas, mas avalio o programa veio atrasado para este ano. Para 2008, o cenário deve ser favorável, caso o governo mantenha os incentivos. As terras são preparadas em dezembro e não se sabia dos incentivos de melhoria do preço mínimo e do pagamento de R$ 150,00 por hectare.
Manoel Loiola de Sena - Secretário de Agricultura de Tauá

O zoneamento é um instrumento técnico e orientador para o cultivo da mamona. Assim como para o produtor receber benefícios. Fora dele, os municípios não têm financiamentos e, conseqüentemente, não aderem ao seguro Agromais (produtores do Pronaf). Sem o zoneamento, só planta com recurso próprio, mas o produtor assume o risco. Ainda assim, a grande maioria que plantou esse ano, foi sem subsídio. Acho que o critério que restringe, da altitude, deveria ser revisto.
José Wilson Souza Gonçalves - Secretário de Política Agrícola da Fetraece

Fonte:

Biocombustível deve representar 30% da energia para transporte até 2030, estima

Os biocombustíveis devem responder por 30% de todo o combustível consumido
para transporte no mundo até 2030, segundo projeção da BP Biofuel (braço de
combustíveis não fósseis da British Petroleum), apresentada pelo executivo Phil
New. Atualmente, os biocombustíveis representam 3% do total consumido no mundo
para essa finalidade.

New diz que será preciso prestar atenção aos impactos do aumento da produção dos
biocombustíveis (etanol ou biodiesel), especialmente no tocante aos custos. "
Será o biocombustível capaz de competir com os de origem fóssil, sem subsídios?
" , questionou o executivo, para quem o preço equivalente do biocombustível se
torna desvantajoso quando ultrapassa os US$ 40 por barril.

Outro desafio diz respeito à disponibilidade de terras para o cultivo das fontes
que gerarão os combustíveis, sem que isso implique problemas ambientais. Mais
uma questão apontada pelo executivo se refere ao estabelecimento de uma
regulação que atenda todos os agentes envolvidos na atividade e sem privilegiar
grupos específicos.

A BP Biofuels prevê investimentos em pesquisa de US$ 500 milhões ao longo dos
próximos dez anos. Hoje, a empresa tem um projeto de etanol na Índia. O
executivo Phil New participou hoje de seminário sobre a agroenergia e os
impactos sobre os ecossistemas brasileiros, no BNDES.
Fonte: Ana Paula Grabois do

BP quer investir na produção de álcool no Brasil

A British Petroleum (BP) está de olho na produção do álcool da cana-de-açúcar do Brasil. O vice-presidente sênior para Biocombustíveis da empresa, Philip New, admitiu hoje, em entrevista no Rio, que a companhia está estudando projetos para investir na produção e logística de exportação de álcool no País. Segundo ele, o "diagnóstico" sobre como serão feitos esses investimentos deverá ser concluído até o final do ano.

O executivo não entrou em detalhes sobre os valores que a companhia pretende aplicar no negócio e nem mesmo que parceiros a BP está buscando para esse tipo de investimento. Indagado sobre a possibilidade de uma parceria com a Petrobras, ele esquivou-se: "falar sobre isso só será possível numa Segunda etapa. Ainda é cedo", disse após participar de evento promovido pela Câmara de Comércio Americano.

Segundo Philip New, a BP "está aberta" a propostas e deverá estudar todas as relacionadas à produção do álcool. Ele deu a entender que a idéia é mesmo comprar ou construir uma usina. "Mas não seremos tolos de entrar no ramo agrícola, que não é o nosso segmento de atuação", disse.

A companhia detém hoje 10% do mercado mundial de biocombustíveis e é pioneira no desenvolvimento do biodiesel a partir de oleaginosas na Europa, mas ainda não possui produção em larga escala de álcool proveniente da cana.

Fonte:

terça-feira, 27 de março de 2007

Matérias Primas para a Produção de Biodiesel ....

O biodiesel é produzido a partir de uma reação química entre óleos vegetais ou gorduras animais (triglicerídeos) e um álcool. Pode-se utilizar óleo de soja, girassol, amendoim, algodão, canola (colza), babaçu, dendê, pinhão manso, mamona, nabo forrageiro, entre outras, e também gordura animal. Esses óleos podem ser brutos, degomados ou refinados, bem como óleos residuais de fritura.

O Brasil possui características endofo-climáticas que possibilita a plantação de diversas culturas diferentes, fato que permite que seja mais bem aproveitada a característica de cada região. Por exemplo, nas regiões sul, sudeste e centro-oeste poderá ser utilizada a soja como matéria prima, pois é a oleaginosa com maior produção nessas regiões. No norte e nordeste pode-se plantar mamona e pinhão manso ou também aproveitar as florestas de babaçu e dendê existentes nessas regiões.

Para a transesterificação (reação química de transformação do óleo em biodiesel), como já fora dito anteriormente, é necessário também o uso de um álcool, que pode ser o metanol ou o etanol.

O Brasil é o maior produtor de etanol do mundo, e a utilização desse álcool no lugar do metanol torna o biodiesel brasileiro um combustível 100% renovável, uma vez que o metanol tem como principal fonte de obtenção o petróleo.

No que tange às melhores oleaginosas para produção de biodiesel podemos, diversas são as opções. A produtividade das diversas matérias-primas possíveis varia de acordo com a região. O Brasil é um país com dimensões continentais, portanto a média nacional nem sempre é atingida ou fica bem abaixo da realidade, não servindo muito bem para análises de custos. Por exemplo, a soja no sul do país tem uma produtividade média de aproximadamente 45 sacas por hectare, enquanto no centro-oeste essa produtividade chega a ser superior a 60 sacas. Outro bom exemplo é a mamona, que no nordeste dificilmente passa de 1.000 kg por hectare, enquanto no centro-oeste e no sul já foram relatadas produtividades superiores a 3.000 kg por hectare. Portanto, o primeiro passo para determinar o quanto de área é necessário para uma determinada produção, é preciso saber onde esse empreendimento será executado.

Para se definir qual a matéria-prima ideal, podemos sim analisar as produtividades médias.

Palmeiras, são as melhores, sem dúvida alguma, devido aos altos rendimentos de extração de óleo por hectare. Por exemplo:

Babaçu rendimento entre 1.500 e 2.000 l/ha,

Dendê rendimento entre 5.500 e 8.000 l/ha,

Pinhão manso rendimento entre 3.000 à 3.600 l/há,

Pequi rendimento entre 2.600 e 3.200 l/ha

Macaúba (ou macaíba) rendimento entre 3.500 à 4.000 l/há.

A grande vantagem do babaçu é que é uma arvore em que tudo se aproveita dela, podendo se obter diversos diferentes produtos dela. O dendê, sem dúvida, é o melhor por causa de sua produtividade. Já o pinhão manso, o pequi e a macaúba, não se tem registros de plantações planejadas, sendo opções muito promissoras, porém que ainda necessitam mais estudos para ser considerada uma matéria-prima ideal. O pinhão manso e o pequi não são palmeiras, porém estão inclusos nesse grupo por ter seu óleo e sua extração parecida com a dos óleos das palmeiras. Além do grande volume de óleo por hectare, essas opções apresentam baixos custos de manutenção, pois são plantas perenes, não necessitando grandes investimentos anuais com o plantio.


Esses rendimentos são muito superiores em relação às outras oleaginosas, não menos famosas, como:

Soja rendimento entre 400 e 650 l/ha,

Girassol rendimento entre 800 à 1.000 l/ha,

Mamona de 400 a 1.000 l/ha,

Amendoim entre 800 e 1.200 l/ha

Algodão entre 250 e 500 l/ha.

Porém, a motivação para a utilização dessas oleaginosas é outra. Uma delas é o tempo de maturação que tem as palmeiras, que levam de 3 a 5 anos para começarem a dar frutos e de 5 a 8 anos para atingirem a produtividade máxima, e essas outras oleaginosas são de culturas rotativas, anuais, fato que implica num retorno mais rápido do investimento feito. Já as palmeiras, apesar de no longo prazo apresentarem lucratividade maior, no inicio se tem um investimento alto e aproximadamente 5 anos sem retorno algum. A grande vantagem dessas culturas rotativas é a possibilidade de se ter uma safra de duas culturas diferentes em um mesmo terreno, somando-se assim suas produtividades. Por exemplo, em um hectare podemos produzir 1.600 litros de óleo de babaçu ou 500 litros de óleo de soja e 900 litros de óleo de girassol, ou seja, 1.400 litros de óleo.

Além disso, a motivação para a utilização da soja, por exemplo, que é uma das oleaginosas que menos produzem óleo por hectare, porém mais produzidas no Brasil, é o valor de seus subprodutos. O quilo do farelo de soja, por exemplo, é mais caro que o próprio grão de soja. Pode-se dizer ainda sobre as proteínas que podem ser extraídas deste óleo, que têm um alto valor no mercado. O resultado disso é que o óleo de soja, apesar de ter pequena produtividade por hectare, é produzido praticamente de graça, se tornando ele, o subproduto do farelo e das proteínas, havendo nesse caso uma inversão de valores. Fato semelhante ocorre com o algodão, que tem um de seus produtos muito valorizado, a pluma, sendo o caroço, parte que produz o óleo, sendo atualmente até considerado um passivo ambiental por não ter aplicação suficiente para o volume produzido, fato que o coloca como uma ótima alternativa.

A motivação para uso da mamona é o baixo custo de manutenção da plantação da mamona e também a muito enfatizada pelo governo inclusão social, pois a colheita é manual e deverá gerar muito emprego. Além disso, pouca alternativa se tem para as regiões norte e nordeste, devido ao clima. Além da mamona, outra boa alternativa é o pinhão manso que também resiste à seca dessas regiões.

A utilização das palmeiras tem as mesmas motivações apresentadas para a mamona, lembrando apenas que se trata de um investimento de médio em longo prazo e, por conseguinte, não se mostram muito interessantes pela cultura “imediatista” brasileira para retorno de investimentos.

O interesse principal se dá, portanto a culturas rotativas, que apresentam retorno mais rápido do investimento realizado mesmo que em detrimento de maior produtividade.

Hectares necessários para o Biodiesel ....

Apesar de já ter enfatizado que a produtividade depende da região, apresento aqui uma estimativa de área necessária para se obter uma produção de 100.000 litros de biodiesel. Vale ressaltar que essa estimativa foi feita para cada oleaginosa separadamente, porém é possível se ter em uma mesma área a produção de soja na safra e de girassol na safrinha, obtendo então em um ano uma produção de soja e de girassol, aproveitando melhor a terra. Outro fato importante de ser levantado aqui é que não estamos considerando a opção de se ter consórcio de culturas.

Essa estimativa esta apresentada na tabela abaixo e foi baseada nas produtividades mínimas e máximas apresentadas no Brasil. Lembramos que a produção do biodiesel estimada nessa área é de 100.000 litros por dia, sendo 330 dias de produção em um ano (com um mês parado para manutenção da fábrica).

Oleaginosa-----Produtividade------Hectares-------Produtividade-----Hectares
------------------Mínima---------necessários--------máxima-------necessários
soja---------------400-----------82.500--------------650----------50.769
girassol------------800----------41.250------------1.000----------33.000
algodão-----------250----------132.000--------------500----------66.000
mamona-------------400-----------82.500------------1.000----------33.000
amendoim-----------800-----------41.250------------1.200----------27.500
dendê------------5.500------------6.000------------8.000-----------4.125
babaçu-----------1.500-----------22.000------------2.000----------16.500
pequi------------2.600-----------12.692------------3.200----------10.313
macaúba----------3.500------------9.429------------4.000-----------8.250
pinhão manso-----3.000-----------11.000------------3.600-----------9.167

Estimativa de numero de hectares para uma produção anual de 100.000 litros de biodiesel por dia


Fonte:

Biocombustíveis incentiva o desmatamento

Quase 40 mil hectares de florestas desaparecem por dia em razão da crescente avidez por madeira, celulose e papel. E, paradoxalmente, também por causa dos biocombustíveis e créditos de carbono criados para proteger o meio ambiente. É um absurdo, dizem ambientalistas, que a crescente ansiedade para reduzir os feitos da mudança climática usando biocombustíveis e plantando milhões de árvores para conseguir créditos de carbono tenha se transformado em um novo motivo de desmatamento.

Esta situação piora a mudança climática porque o desmatamento emite na atmosfera muito mais gases causadores do efeito estufa do que toda a frota mundial combinada de automóveis, caminhões, aviões, trens e barcos. “Os biocombustíveis estão se convertendo rapidamente na principal causa de desmatamento em países como Brasil, Indonésia e Malásia”, disse à IPS Simone Lovera, coordenadora administrativa da não-governamental Coalizão Mundial pelas Florestas, com sede em Assunção. “Nós os chamamos de diesel de desmatamento”, acrescentou.

O óleo da palma da África é considerado uma das melhores fontes de biodiesel, e também uma das mais baratas. Empresas de energia investem milhões de dólares para adquirir e desenvolver plantações dessas árvores em países pobres. Vastas florestas na Indonésia, Malásia, Tailândia e muitas outras nações foram cortadas para seu cultivo. A palma produtora de óleo se converteu no principal cultivo frutífero do mundo, muito acima das bananas. O biodiesel oferece muitos benefícios ambientais. Contamina menos o ar do que outros combustíveis. Mas a enorme sede mundial de energia pode converter milhões de hectares em monoculturas dessa espécie.

É muito difícil conseguir dados precisos sobre as perdas de florestas que isso implica. O informe Situação das Florestas do Mundo 2007, divulgado há pouco mais de uma semana pela Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação, alertou que a perda de floresta mundial liquida chega a 20 mil hectares por dia, o que equivale ao dobro de superfície de Paris. Porém, essa superfície inclui plantações, que mascara o alcance real do desmatamento tropical, que fica em torno de 40 mil hectares por dia, disse Matti Palo, especialista em economia florestal do Centro Agronômico Tropical de Pesquisa e Ensino da Costa Rica.

“O desmatamento de meio milhão de hectares por ano no México é coberto pelo aumento das florestas nos Estados Unidos, por exemplo”, disse Palo à IPS. Todas as estatísticas procedem dos governos, e países como Canadá não produzem nenhum dado confiável, ressaltou o especialista. Ottawa alegou que por 15 anos não houve nenhuma mudança em suas florestas, apesar de este país ser o maior produtor de celulose e papel do mundo. “O Canadá tem a responsabilidade moral de dizer ao resto do mundo quais mudanças aconteceram em seu território” disse Palo.

Plantações não são como as florestas naturais ou nativas. Mais parecidas com campos de milho, constituem ambientes hostis para quase todos os animais, e inclusive para os insetos. Essas florestas têm um impacto negativo no ciclo da água, porque as árvores não autóctones e de rápido crescimento absorvem grande quantidade do liquido. Os pesticidas, que também são prejudiciais para a qualidade da água, são comumente usados para eliminar outras plantas que competem pelo território e para impedir enfermidades vegetais.

As plantações também oferecem pouquíssimas oportunidades de trabalho. “São um desastre tremendo para a biodiversidade e a população vizinha”, afirmou Lovera. Embora a terra de cultivo ou a savana sejam usadas somente para plantações de palma de óleo ou outros vegetais, os moradores dessas áreas são obrigados, freqüentemente, a abandoná-las e se internarem nas florestas próximas – entre elas, parques nacionais – as quais cortam para iniciar cultivos, pastagens e juntar lenha.

Esse foi o modelo das plantações destinadas a extrair celulose e madeira de boa parte do mundo, afirmou Lovera. O etanol, elaborado a partir do milho e da cana-de-açúcar, é outro biocombustível importante. Com o aumento dos preços do biocombustível, mais terra é desmatada para esses cultivos. Os agricultores dos Estados Unidos abandonaram a soja pelo milho para atender a demanda por etanol. Isso eleva os preços da soja. Assim, a selva amazônica paulatinamente se converte em uma plantação única de soja, ressaltou.

Por outro lado, países ricos começam a plantar árvores para compensar suas emissões de dióxido de carbono, prática chamada de “seqüestro ou neutralização de carbono”. A maior parte dessas mudas é plantada no Sul sob a forma de plantação, que é a ameaça mais recente às florestas naturais. O efeito “do mercado de créditos de carbono da Europa pode ser desastroso”, afirmou Lovera. Esse mercado, multimilionário em euros, não permite o uso de projetos de reflorestamento para conseguir créditos de carbono. Mas grande quantidade de empresas privadas oferece esses créditos para projetos de plantar árvores. Muito pouco deste dinheiro vai para pequenos proprietários de terra, garantiu a ativista.

As plantações também contêm muito menos carbono do que as florestas naturais, lembrou Palo. Este especialista citou um estudo pelo qual o conteúdo de carbono em plantações de alguns países tropicais da Ásia chegava a apenas 45% da mesma superfície de florestas naturais. A comunidade internacional tampouco foi capaz de justificar adequadamente o valor dos enormes volumes de carbono armazenado nas florestas existentes.

Um cálculo recente indica que a floresta boreal proporcionava US$ 250 bilhões ao ano em serviços ao ecossistema, tais como absorver as emissões de carbono da atmosfera e limpara a água. A boa notícia é que o desmatamento, inclusive em áreas remotas, se detém facilmente. Tudo o que se precisa é ter acesso a algumas imagens feitas por satélites de baixo custo e contar com governos que realmente querem diminuí-la ou interrompê-la. A Costa Rica praticamente eliminou o desmatamento, ao tornar ilegal a conversão de florestas naturais em terra de cultivo, destacou Lovera.

O Paraguai aprovou leis semelhantes em 2004, depois controlou regularmente imagens via satélite de suas florestas. Inclusive, enviou funcionários florestais e policiais para fazer cumprir a lei onde fosse violada. “O desmatamento caiu 85% em menos de dois anos na parte oriental do país”, enfatizou a ativista. Outra solução complementar é entregar o controle sobre as florestas à população local. Este conceito comunitário demonstrou ser sustentável em muitas partes do mundo. Há pouco tempo, a Índia aprovou uma lei que devolve a administração da maioria de suas florestas a comunidades locais.

Mas interesses econômicos que pressionam pelo desmatamento em países como Brasil e Indonésia são tão poderosos que pode acabar restando pouca floresta natural. “Os governos começam a se dar conta de que suas florestas naturais têm um enorme valor. Uma moratória ou proibição sobre o desmatamento é a única maneira de parar isto”, disse Lovera.

Este artigo é parte de uma série sobre desenvolvimento sustentável produzida em conjunto pela IPS (Inter Press Service) e a IFEJ (Federação Internacional de Jornalistas Ambientais).


(Envolverde/ IPS)

Brasil Ecodiesel em Rondônia

Está programada para a próxima quinta-feira, em Porto Velho, uma reunião entre representantes da Brasil Ecodiesel e técnicos da Fiero e da Secretaria de Agricultura para tratar sobre as possibilidades de instalação desta empresa em Rondônia. O encontro foi conseguido pelo deputado federal Moreira Mendes que interceptou a ida da Brasil Ecodiesel para o Estado do Acre.

“Fiquei sabendo que eles querem instalar uma indústria de biodiesel na Região Norte e estavam com endereço certo para o Acre. Sendo assim, acabei interceptando por entender que Rondônia oferece melhores condições”, comentou o deputado.

Rondônia é dividido em cinco regiões, quatro das quais oferecem uma gama extraordinária de pequenos produtores. Ou seja: é possível instalar unidades de beneficiamento do biodiesel em cada uma das regiões e ter um raio de 100 quilômetros de abrangência para a captação da produção, barateando os custos.

Segundo Moreira Mendes, outra vantagem está no Porto Graneleiro da Capital e o entreposto da Petrobras. A Brasil Ecodiesel é líder na produção de óleo vegetal no País porque produz 59% da produção nacional. Ela é uma empresa que nasceu na Bahia e está presente em vários estados.

Moreira Mendes disse que o governador Ivo Cassol vai receber os representantes da Brasil Ecodiesel e oferecer todas as facilidades para que ela se instale em Rondônia.

“Concretizanda a vinda da Ecodiesel, vamos gerar milhares de empregos diretos colocando a produção do biodiesel em pé de igualdade ao que representa o leite hoje para Rondônia”, comentou de forma otimista Moreira Mendes, ao dizer que, Rondônia, por meio dos órgãos de extensão rural, tem capacidade de promover não só o apoio para a criação das associações de produtores de biodiesel, como dar, ainda, sustentação técnica para correção de solo, destoca e o acompanhamento técnico.

Fonte: Jornal Nortão On Line

Produção de pinhão manso deve se tornar alternativa para assentados em Sinop

Os moradores do assentamento Gleba Mercedes V (80km de sinop) estão trabalhando com a produção de mudas do pinhão manso, utilizado na produção do biodiesel. Segundo a Empresa Mato-grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Empaer), alguns já comercializaram mudas com empresários locais. O plantio iniciou no ano passado. Por enquanto não há confirmação da área total. As sementes devem ser vendidas para empresas na região, conforme acordo estabelecido ainda no ano passado, por convênios.

"Na época, como as sementes eram muito caras, um empresário as comprou para os moradores. A intenção é que esta seja uma nova alternativa para aquelas famílias", destacou, a coordenadora Selma Prado. Além de Sinop, moradores do assentamento Ena, em Feliz Natal trabalham com a variedade. Futuramente, a produção deve ser destinada para a indústria de biodiesel, construída no município.

Devido a sua resistência, principalmente a solos pouco férteis e de clima desfavorável à maioria das culturas alimentares tradicionais, o pinhão pode ser considerado uma das mais promissoras oleaginosas para a produção do biodiesel.

Fonte: A Notícia Digital

Curitiba quer testar combustível 100% biodiesel em ônibus

A capital do Paraná, Curitiba, quer testar um combustível 100% composto de biodiesel, ou B100, em um pequeno número de ônibus da cidade a partir de abril de 2008 em parceria com a Volvo AB (VOLV-B.SK), afirmou à Dow Jones uma autoridade do governo. "Queremos ultrapassar uma mistura B2 ou B20 e ir direto para uma mistura B100", declarou Elsio Caras, da área de transportes de Curitiba.

Embora a indústria brasileira de biodiesel ainda seja jovem, o interesse nacional no biocombustível surgiu antes da exigência da mistura de 2% de biodiesel em todo o combustível do País a partir de janeiro de 2008. A mistura irá exigir quase 800 milhões de litros de biodiesel anualmente.

Inicialmente, Curitiba pode conduzir testes em uma frota de cerca de 30 ônibus no ano que vem, detalhou Caras. "Cada ônibus irá rodar de 80.000 a 100.000 quilômetros por ano", acrescentou. Se os resultados forem favoráveis, a cidade irá considerar adotar a mistura de 100% de biodiesel em mais ônibus, afirmou ele.

Curitiba é conhecida como uma das cidades mais limpas do Brasil em virtude do sistema inovador de transportes, programas progressivos de reciclagem e políticas de planejamento urbano conscientes. As informações são da Dow Jones.

Fonte:

Rio triplicará produção de cana e fomentará biodiesel

O Estado do Rio de Janeiro pretende pegar carona no esperado boom do mercado mundial de biocombustíveis. O governo estadual está trabalhando em cima de um novo plano diretor de agroenergia que planeja triplicar a produção de cana-de-açúcar até 2012, alcançando 15 milhões de toneladas anuais, e fomentar a produção do biodiesel, ainda incipiente em território fluminense. Com lançamento previsto para abril, o plano diretor reúne iniciativas na área de tecnologia e infra-estrutura. A estimativa é que sejam investidos entre R$ 300 milhões e R$ 350 milhões nos próximos seis anos, entre recursos públicos e privados.

A idéia é aproveitar o período de descanso da terra nas plantações de cana para fomentar culturas como a mamona, soja e amendoim, usadas na produção do biodiesel. Áureo explica que, para manter a produtividade do solo, é preciso alternar culturas. Aquelas sementes cumpririam esse papel de revezamento. “Elas fixam o nitrogênio no solo, barateando a adubação”, diz o secretário. O óleo vegetal extraído das sementes tem até comprador certo: a Refinaria Duque de Caxias (Reduc) da Petrobras, uma das unidades da estatal que produzirá biodiesel.

Fonte:

Brasil poderia divulgar o biodiesel

O Brasil poderia divulgar mais, com a ajuda dos países desenvolvidos, suas tecnologias de biodiesel, como uma das prioridades para as mudanças globais de prevenção para as catastróficas previsões climáticas mundiais. A opinião é do conselheiro científico do governo britânico e diretor da agência de Ciência e Renovação do Reino Unido, sir David King. O especialista em desenvolvimento sustentável, energia renovável e mudança climática começou hoje uma visita pelo Brasil, que termina na quinta-feira, em Brasília, quando assina protocolo do lançamento do Ano Brasileiro-Britânico da Ciência & Inovação.

Em palestra no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), King mostrou uma compilação de dados recém-divulgados do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC). Frisou a necessidade de os países desenvolvidos criarem e desenvolverem acordos de cooperação internacional com os países em desenvolvimento para um planeta mais limpo. "Além do gerenciamento de seus poluentes, país a país precisam buscar ajudar a manutenção das florestas dos países que ainda as possuem, a maioria subdesenvolvidos ou em desenvolvimento", destacou.

Para o conselheiro, as mudanças climáticas são os maiores desafios globais que enfrentamos atualmente. "Essas mudanças não podem ser totalmente paradas e já estão ocasionando mudanças significativas no meio-ambiente físico do planeta. Mas certamente podem ter o ritmo reduzido se houver uma real preocupação de cada país do globo".

Fonte:

Carteira do BNDES em biocombustíveis atinge R$ 12,2 bi

A carteira do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) na área de biocombustíveis (desde o enquadramento dos projetos até o acompanhamento dos financiamentos) no início de 2007 totalizava 62 projetos com investimentos totais de R$ 12,2 bilhões, segundo números da área técnica do banco fornecidos pelo chefe de departamento de meio ambiente, Eduardo Bandeira de Mello. Desse total de projetos, dos quais quase a totalidade é de etanol, R$ 7,2 bilhões serão financiados pelo BNDES.

O diretor da área social do Banco, Élvio Gaspar, disse que o desembolso tem dobrado a cada ano para os biocombustíveis e citou que, entre 2003 e 2006, totalizaram R$ 4,5 bilhões.

Ele ressaltou que empresas do segmento do etanol que têm denúncia sobre trabalho escravo devem devolver os recursos obtidos no BNDES se já foram desembolsados ou não terão sequer os projetos aprovados no caso de denúncia anterior às consultas apresentadas à instituição.

Segundo Gaspar, como os contratos na área de biocombustíveis tiveram início no final de 2005, ainda não houve registro de nenhuma devolução de recursos por causa de trabalho escravo.

Fonte:

segunda-feira, 26 de março de 2007

Misturas de biodiesel não alteram desempenho de motor movido a diesel

Testes realizados na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da USP de Piracicaba, mostraram que o uso de diferentes misturas de biodiesel provenientes da soja e do nabo forrageiro não alterou, de maneira significativa, o desempenho de um motor movido a óleo diesel mineral. "As emissões de gases também se mantiveram nos mesmos níveis, com exceção dos hidrocarbonetos que foram superiores em cerca de 30%", aponta Angelo Juliato, que realizou os experimentos em sua dissertação de mestrado apresentada no Departamento de Máquinas Agrícolas da Esalq.

Tendo formação como analista de sistemas, Juliato aproveitou sua experiência em testes de motores para empreender seu estudo. Para tanto, contou com a orientação do professor Tomaz Caetano Cannavam Ripoli e com o apoio da indústria automotiva Delphi. "Os testes foram realizados no Centro Tecnológico da empresa, em Piracicaba", conta.

Motor em que foram testadas as mituras de biodiesel e óleo diesel mineral
O motor utilizado nos testes foi um Yanmar modelo NSB 95 movido a diesel, de um motocultivador. Juliato testou a mistura do óleo mineral com diversas proporções de biodiesel derivado de soja e de nabo forrageiro. O ensaios foram realizados separadamente, com cada tipo de biodiesel. "Misturamos o diesel com porções de 2%, 5%, 10% e 20% de biodiesel derivado de soja", conta o pesquisador. O mesmo procedimento foi usado em relação ao biodiesel de nabo forrageiro.

Diferenças mínimas

Juliato explica que as poucas diferenças encontradas nas misturas realizadas foram em relação ao consumo. "Com o biodiesel houve um leve aumento de consumo que atingiu o máximo de 5%, na proporção de 20% de mistura", lembra. Mas, segundo ele, houve casos em que esse aumento de consumo não chegou a atingir 1%. "Mesmo assim, se o biodiesel tiver um custo menor ao consumidor, ainda será viável", afirma Juliato.

"Com excessão dos hidrocarbonetos, os demais gases emitidos, monóxido de carbono e óxido de nitrogênio, foram mantidos os mesmos níveis em relação ao motor usando apenas o óleo mineral", diz. Juliato ainda lembra que por se tratar de um combustível de origem vegetal, o CO2 (dióxido de carbono) gerado na sua queima pode ser compensado durante o crescimento da planta, diminuindo o efeito estufa.

O motor foi submetido a um total de nove testes, sendo quatro com a mistura diesel/ biodiesel de soja; quatro com diesel/ biodiesel de nabo forrageiro; e um com diesel mineral. Ao todo foram três semanas de ensaios e quase um ano de preparação entre materiais e métodos para os testes.

Célula de testes

Operador na célula de testes: foram três semanas de ensaios e um ano de preparação Juliato destaca que os experimentos comprovam a viabilidade do uso do biodiesel, principalmente por ser um produto renovável. "Alguns trabalhos defendem que o governo subsidie o produto, outros não, mas o fato é que, mesmo tendo pequenas alterações de consumo, como verificamos nos testes, ainda é viável", afirma. O pesquisador lembra que seu estudo gerou importantes informações que poderão ser utilizadas em estudos futuros sobre o tema. "Importante lembrar que também deverão ainda ser feitas pesquisas em relação à durabilidade dos motores e sua adaptação para melhor se adequarem às misturas", lembra.

Fonte: / Agência USP)

Agricultura familiar dispõe de novas alternativas para a produção do biodiesel

Cerca de 200 mil famílias poderão integrar a cadeia produtiva do novo combustível. O Programa Nacional de Biodiesel, estratégia de desenvolvimento voltada ao combate de desigualdades regionais, inclui 113 projetos entre usinas, miniusinas e unidades piloto no País para operação até 2012, sendo 23 no Nordeste. Para o secretário de Políticas Regionais do Ministério da Integração Nacional, Maurício Rodrigues, que esteve na semana passada em Fortaleza, o programa não é política de um ministério ou do governo federal, mas uma iniciativa de Estado e um dos grandes desafios será articular políticas sociais e competitividade, de forma a promover a sustentabilidade. Projeções iniciais indicam que cerca de 200 mil famílias poderão integrar a cadeia produtiva do biodiesel no País.

O engenheiro agrônomo Valdir José Silva, gerente de oleaginosas da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Ceará (Ematerce), informa que até o ano passado estavam em operação no País 12 usinas em condições de produzir hoje algo em torno de 100 milhões de litros de biodiesel/ano, além de outras 16 usinas experimentais de pesquisa, a maioria em universidades. "Em fase de instalação, temos 57 usinas", assinala. A movimentação em torno do biodiesel, que mobiliza estados nordestinos e o norte de Minas Gerais, tem no Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) o articulador das ações para que o projeto seja contemplado no Programa de Aceleração de Crescimento (PAC).

A iniciativa sugere investimentos conjuntos dos governos nas esferas federal e estadual da ordem de R$ 420 milhões, recursos a serem aplicados na construção de 600 unidades de extração de óleo vegetal até 2010. Essas unidades ficariam localizadas no entorno das 30 usinas a serem construídas pela Petrobras e iniciativa privada. Somadas, essas unidades teriam condições de produzir cerca de 1,5 bilhão de litros do combustível. Dois hectares cultivados de mamona podem render até 2 mil litros de biodiesel/ano, conforme do Dnocs encaminhado ao Ministério da Integração Nacional e à Casa Civil.

O cronograma de implantação prevê para a primeira etapa a construção 60 unidades de extração de óleo entre Minas Gerais, Bahia e Ceará, este ano, com investimento de R$ 42 milhões. No ano seguinte, os demais estados da região entrariam no circuito e, entre 2009 e 2010, todos ganhariam reforço de 20 novas unidades, cada. Segundo observa o diretor-geral do Dnocs, Eudoro Walter de Santana, que na semana passada coordenou a oficina de trabalho "Biodiesel como inclusão social no semi-árido nordestino", na sede do Banco do Nordeste (BNB), em Fortaleza, cada unidade custaria cerca de R$ 700 mil, incluindo a montagem e a capacitação.

Fonte:

Brasil já conta com 21 unidades produtoras de Biodiesel

O Brasil conta no momento com 21 unidades produtoras de biodiesel já autorizadas a produzir, incluindo a autorização da ANP (Agência Nacional do Petróleo) para a Oleoplan S.A – Óleos Vegetais Planalto, publicada na edição de 22 de março de 2007 do Diário Oficial da União.

A capacidade instalada de produção é de 800 milhões de litros por ano, o que representa a disponibilidade para atender a disposição da Lei nº 11.097, de 2005, que estabelece a obrigatoriedade de misturar 2% de biodiesel ao diesel mineral em todo o território nacional a partir de janeiro de 2008.

Como o consumo interno de diesel no Brasil é da ordem de 40 bilhões de litros/ano, 2% de mistura requer 800 milhões de litros por ano de biodiesel para atender a disposição da Lei. Isso significa que em março de 2007 a recente indústria de biodiesel no Brasil já está apta a oferecer as quantidades previstas a partir de janeiro de 2008.

Fonte: Direto do Estado

Biodiesel é alternativa energética para Estado do Amazonas

A obtenção do biodiesel a partir do cultivo de plantas oleaginosas é a aposta energética de instituições privadas e governamentais para o Amazonas neste ano. Juntos, os setores público e privado estão destinando R$ 2,20 milhões ao plantio de espécies nativas, ao processamento de óleos vegetais e a novas pesquisas científicas.

A Embrapa Ocidental (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), que desde 1997 possui uma usina de produção do óleo de dendê no município de Rio Preto da Eva (a 80 km de Manaus em linha reta), agendou para maio deste ano a inauguração da primeira usina de biodiesel do Estado. Construída com recursos de R$ 806 mil liberados pelo Fundo Setorial de Energia (Ministério de Minas e Energia) e pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico), a usina já produz mil litros por dia para atender um motor de 55 kva instalado na comunidade São Francisco de Mainá (vila do Puraquequara), onde o Exército realiza treinamentos.

De acordo com a engenheira química do IME (Instituto Militar de Engenharia) e coordenadora do projeto, Wilma Gonzalez, a usina tem capacidade para processar até 3.000 litros por dia.

De acordo com a pesquisadora, cerca de 40% da produção atual de biodiesel são utilizados para abastecer o motor, enquanto os 60% restantes são distribuídos para três comunidades isoladas. “O projeto é realizado pelo IME, a Embrapa e a Fucapi (Fundação Centro de Análise, Pesquisa e Inovação Tecnológica) e faz parte do programa ‘Luz para Todos’, do governo federal. Nosso foco é o atendimento de comunidades isoladas”, explicou.
No campo experimental da Embrapa, em Rio Preto da Eva, a estatal produz 600.000 sementes da palmeira africana por ano, em uma área de 412 hectares.

Outro projeto de geração de energia elétrica a partir do dendê está sendo coordenado pela Embrapa no Pará. A professora Wilma Gonzalez afirmou que a Eletrobrás está aplicando R$ 2 milhões na construção de uma usina de processamento do óleo de dendê, cujo objetivo também é o de alcançar comunidades isoladas por meio do programa Luz para Todos.
Segundo a engenheira química, duas vantagens do dendê para a fabricação de biocombustível são a alta produtividade e a característica perene da planta. “O dendê pode ainda ser cultivado em áreas degradadas, o que significa dizer que ele não causa danos à floresta”, salientou a pesquisadora.

Programa Estadual do Biodiesel tem recursos de R$ 400 mil

Ainda no âmbito das iniciativas governamentais, o Programa Estadual do Biodiesel, elaborado em 2004, está sendo desenvolvido por meio de dois projetos. Um deles é o ‘Programa de Biodiesel para o Amazonas a partir de Oleaginosas Nativas’, do qual participam a Ufam (Universidade Federal do Amazonas), o Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) e comunidades isoladas da Reserva Extrativista do Médio Juruá.

De acordo com a secretária adjunta da Sect (Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia), Izaura Rodrigues Nascimento, o projeto deve durar dois anos e conta com investimentos de R$ 400 mil, sendo R$ 200 mil do FNDCT (Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e R$ 200 mil da Fapeam (Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado do Amazonas). “A proposta visa a consolidação do laboratório para o estudo de óleos e gorduras e o controle de qualidade do biodiesel, a partir de óleos obtidos do tucumã, do urucuri, do muru-muru e do babaçu, e abrange desde a análise do óleo até os testes em motores”, detalhou a secretária.

O segundo projeto do Amazonas na área do biocombustível é o ‘Programa de Biodiesel para o Amazonas: Dendê’, que ainda não recebeu financiamento.

Empresa investe R$ 1 milhão

No setor privado, um dos investimentos mais ousados no cultivo de espécies oleaginosas é o da empresa Biodiesel da Amazônia, criada este mês para trabalhar com a promoção, compra e beneficiamento de sementes. Com capital inicial de R$ 1 milhão, a corporação se instalou no município de Itacoatiara (a 170 quilômetros de Manaus em linha reta) visando a inserção do Estado no PNPB (Plano Nacional de Produção e Uso do Biodiesel), do governo federal.

A empresa já administra um plantio de 50 a 70 mil mudas de pinhão manso, planta comum em todo o país que fornece uma semente com o rendimento de 30% a 40% de óleo.
O empresário apontou que as principais características da planta são o fácil plantio, a boa adaptação a solos de baixa fertilidade, a alta produtividade e a vida superior a 40 anos, que minimiza os gastos com o cultivo. Do ponto de vista econômico, o pinhão manso exerce uma importante função social, pois constitui uma alternativa de emprego e renda aos pequenos produtores.

Na fase dos testes feita com as sementes compradas de uma empresa do Maranhão, a Biodiesel da Amazônia verificou que a espécie vegetal frutifica em até seis meses. Com essa resposta em curto prazo, o sócio da empresa acredita que o biodiesel extraído do pinhão manso pode dinamizar a economia dos municípios do Amazonas, podendo ser usado na navegação fluvial e nos veículos que possuem motores pesados, como picapes e utilitários.

Fonte: Jornal do Commercio - Manaus

sexta-feira, 23 de março de 2007

Roma a Biodiesel

Roma sustituirá por biodiesel 20% do gasóleo utilizado no transporte público.

Esta medida afetará 2.800 ônibus e, se levado a cabo, trara a possibilidade de uso em 560 deles.

A redução de gases do efeito estufa esta estimado em 40.000 tn anuais de dióxido de carbono.

O acordo atigirá a empresa energética Enel, a de transporte público Trambus e Atac, assim como as organizações agrarias, por ser o biodiesel proveniente do cultivo de oleaginosas em territorio italiano.

Do Blog Biocarburanti

CELSO AMORIM DEBATERÁ ACORDO NA ÁREA DE BIOCOMBUSTIVEL

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, será convidado para discutir acordo de cooperação na área de biocombustível firmado neste mês, entre Brasil e Estados Unidos. O acordo foi assinado durante a visita do presidente norte-americano, George W. Bush, ao País. A data da reunião ainda não foi definida.

"É importante que o ministro venha expor os termos do acordo em razão de suas repercussões no meio ambiente, na geração de empregos e renda e no desenvolvimento tecnológico", disse o deputado André Vargas (PT-PR), que pediu a realização do debate.

A audiência com Celso Amorim será promovida em conjunto pelas comissões de Minas e Energia; de Relações Exteriores e Defesa Nacional; de Desenvolvimento Econômico, Indústria e Comércio; e de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável. As informações partem da Agência Câmara.

Fonte: Câmara Brasileira do Livro(CBL)

Empresas de biotecnologia buscam modificar plantas para aumentar eficiência na produção de etanol e biodiesel


O The New York Times publicou as reportagens "Redesigning Crops to Harvest Fuel" (Redesenhando culturas para colher combustível), de Andrew Pollack, e "Biofuels Come of Age as the Demand Rises" (Biocombustíveis atingem maturidade conforme a demanda aumenta), de Susan Moran, nos dias 8 e 12 de setembro, respectivamente. Os biocombustíveis estão no centro dos dois textos. O primeiro relata os esforços de grandes empresas produtoras de sementes e start-ups de biotecnologia para desenvolver culturas voltadas especialmente para a produção de etanol. Por engenharia genética ou por reprodução convencional, os cientistas dessas companhias estão criando variedades de milho e capim capazes de gerar mais energia por acre plantado — o milho é a principal matéria-prima do etanol nos Estados Unidos e o capim é uma das fontes possível para a obtenção do combustível a partir da celulose. O segundo texto ressalta o crescimento da produção norte-americana de biodiesel: de 2004 até hoje, o número de refinarias em atividade no país saltou de 22 para 76. O governo federal tem um crédito de imposto que oferece aos produtores e distribuidores de biodiesel US$ 1 para cada galão (cerca de 3,78 litros) do combustível misturado ao diesel convencional. O que mais se vende para o consumidor final nos Estados Unidos é uma mistura chamada B20, com 20% de biodiesel puro e 80% de diesel.

Para falar sobre o aumento da importância do biodiesel nos Estados Unidos, a segunda reportagem chama a atenção para os planos da companhia Renewable Energy Group, uma spin-off da cooperativa de plantadores de soja West Central: produzir cerca de 1,7 bilhão de litros do combustível, somando-se a produção de todas as suas unidades. Em agosto, a empresa anunciou a construção de mais uma unidade, que será capaz de refinar 227 milhões de litros de biodiesel por ano. Ela já acumula US$ 100 milhões em financiamentos para o empreendimento — entre os investidores está a divisão norte-americana da Bunge. Nile Ramsbottom, presidente do grupo, disse ao jornal que espera faturar US$ 740 milhões em 2010; no ano passado, foram US$ 116 milhões.

A reportagem também contém informações sobre outras companhias. A World Energy Alternatives, do Estado de Massachussets, espera que as vendas de seu biodiesel, feito a partir de soja, canola e gordura animal, ultrapassem US$ 100 milhões em 2006. A Imperium Renewables, fundada como Seattle Biodiesel, recebeu investimentos de três empresas desde a primavera do ano passado, totalizando US$ 10 milhões. A empresa, que hoje produz aproximadamente 19 milhões de litros anuais, está construindo uma unidade com capacidade para 378 milhões de litros. Há ainda a Greenshift Corporation, cuja divisão de biocombustíveis recebeu US$ 22 milhões em junho da empresa Cornell Capital Partners. A maior parte do dinheiro será usada na construção de uma planta de biodiesel capaz de refinar cerca de 170 milhões de litros por ano.

Nos Estados Unidos, conta o The New York Times, a produção do biodiesel triplicou de 2004 para 2005 e chegou a aproximadamente 283,5 milhões de litros. A estimativa do Conselho Nacional de Biodiesel é de que ela dobre este ano. Mais otimista, o diretor-executivo do órgão, Joe Jobe, acredita que o volume alcançará, e poderá ultrapassar, a marca de 945 milhões litros. Mas isso é pouco diante dos cerca de 530 bilhões de litros de gasolina consumidos anualmente no país. No mundo, o biodiesel também não tem ainda uma posição de destaque. Em 2005, informa o jornal, o mercado global de biocombustíveis totalizou US$ 15,7 bilhões, porém só US$ 1,6 bilhão veio do biodiesel. De acordo com a empresa de pesquisa Clean Edge, esse valor pode subir para US$ 7,1 bilhões em 2015.

Fonte:

Combustível da riqueza

A história mostra quanto a economia de algumas nações evoluiu no instante em que elas estiveram à frente de uma revolução tecnológica. Foi assim com os Estados Unidos, quando Henry Ford criou a linha de produção do automóvel, em 1913, e com o Japão, com a popularização do transistor, na década de 50. O Brasil teve uma chance parecida em 1906, no momento em que Santos Dumont desfilou com o 14 Bis em Paris. Mas ele acabou perdendo a corrida para os irmãos americanos Wilbur e Orville Wright, os primeiros a lançar um modelo de avião comercial, em 1910. Quase um século depois dessa derrota, o Brasil tem novamente a chance de liderar uma grande corrida no campo da inovação. A disputa é pelo desenvolvimento de um combustível economicamente viável que possa substituir pelo menos em parte a demanda mundial por petróleo e que seja capaz de aliviar um planeta sufocado por poluentes. Há um consenso de que o produto que preenche melhor esses requisitos no momento é o etanol, cujo fabricante mais eficiente e avançado é, de longe, o Brasil. Não é por acaso que o país vem recebendo uma avalanche de dinheiro de investidores internacionais -- somente nas últimas semanas, foram anunciados novos projetos, totalizando mais de 3 bilhões de dólares. "Vai levar mais de uma década para qualquer outra nação igualar o estágio brasileiro", diz David Rothkopf, diretor da consultoria especializada em energia Garten Rothkopf e ex-assessor da Casa Branca durante o governo Bill Clinton.

Fonte: Alexa Salomão e Gustavo Poloni/Portal Exame
da Agência de Notícia UDOP

Governo espanhol deve exigir biocombustíveis a partir de 2008

O governo da Espanha está preparando um decreto para tornar obrigatório o uso de biocombustíveis em postos de gasolina do país a partir do ano que vem, segundo o jornal Cinco Dias, citando fontes do Ministério da Indústria.

Provavelmente, o decreto exigirá que refinarias de petróleo adicionem uma porcentagem crescente de biocombustíveis em toda a gasolina vendida na Espanha, alcançando 5,75% de mistura até 2010, e 15% até 2020, de acordo com o jornal.

Sob a lei espanhola atual, as refinarias não são obrigadas a adicionar qualquer quantidade de biocombustível à gasolina.

As informações são da Dow Jones

SC prepara a instalação da terceira usina de biocombustível

Santa Catarina está avançando na pesquisa e produção do biodiesel. A terceira usina destinada ao biocombustível no Estado já está em negociação no município de Saltinho, no Oeste catarinense. Com capacidade de refinamento de 600 mil litros por ano, serão investidos R$ 1,85 milhão no projeto pela Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetaesc), Ministério do Desenvolvimento Agrário, Petrobras e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

O terreno, de 2,5 hectares, foi cedido por um agricultor e tem área plana, proximidade com rodovia e luz trifásica, três itens essenciais à produção e distribuição do biocombustível. O prazo para conclusão das obras é junho deste ano e início da moagem em julho. A usina vai gerar 20 empregos diretos e 450 indiretos.

"A matéria-prima vai ser girassol, óleo de frango e soja, mas há projetos para utilizar a mamona e o pinhão", explica o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Saltinho, Edione Martinelli.

Além do empreendimento em Saltinho, Santa Catarina também está nos planos da Brasil Ecodiesel para a construção de mais uma usina destinada ao biocombustível. "A idéia é montar pequenas usinas para vender o óleo pronto às grandes distribuidoras", diz o presidente da Fetaesc, Hilário Gottselig.

Três mil hectares para o girassol

De acordo com a Fetaesc, somente para o girassol são destinados 3 mil hectares, que envolvem 739 agricultores familiares de 103 municípios catarinenses. A matéria-prima é a mais utilizada no Estado por ser plantada entre as safras.

Segundo os agricultores, o plantio do girassol entre as culturas diminui em até 20% os custos da safra seguinte. As outras usinas que possuem todos os processos, da moagem ao combustível, estão em Içara, no Sul, que obtém o biodiesel a partir do reaproveitamento de óleo usado em frituras, e do girassol em Schroeder, no Norte catarinense, que tem como matéria-prima a gordura animal. Há outras usinas no Estado, mas que fazem apenas uma parte da produção.

Graziele Dal-Bó
Fonte: Diário Catarinense - SC

Indústria da soja pede menos impostos pa produção de Biodiesel


A indústria brasileira de processamento de soja quer um marco regulatório claro e uma política tributária que incentive a produção de biodiesel a partir da oleaginosa. A ausência de ambos os fatores impede que grandes grupos invistam no País, afirma Carlo Lovatelli, presidente da Associação Brasileira da Indústria de Óleos Vegetais (Abiove).

“Existe potencial de crescimento do biodiesel, mas temos que ter regras estáveis, transparentes, permanentes”, disse nessa quinta-feira (22-03) o executivo. Ele calcula que a indústria tem 30% de ociosidade na produção de óleo de soja, principal matéria-prima para a produção do combustível no País.

A principal demanda da indústria é o alívio da tributação que incide sobre o biodiesel de soja. Atualmente, existem quatro tipos de taxação. O combustível feito de soja no Centro-Sul do País é o que recebe a carga mais pesada, de R$ 218 por mil litros, similar à do diesel de petróleo. Na outra ponta, o biodiesel que tem mamona e palma da agricultura familiar do Norte e Nordeste como matéria-prima não é tributado. “São poucos os grandes grupos investindo no Brasil porque não há uma perspectiva clara de retorno por conta da questão tributária”, afirma Lovatelli. “Apoiamos a iniciativa do governo de incentivar a agricultura familiar, mas existe uma limitação técnica e quantitativa. Tem que haver incentivo para outras matérias-primas.”

Outra questão a ser resolvida é a “desarrumação” do setor de biodiesel. Para o executivo, as discussões sobre o desenvolvimento do mercado brasileiro estão dispersas e é preciso reuni-las com a participação do governo federal. “Queremos conversar com o governo para ver quais os incentivos necessários para alavancar a produção, sem brigar com o setor de alimentos.”

Para a indústria, o biodiesel tem papel estratégico para alavancar o setor de oleaginosas no médio prazo. “O biodiesel é irreversível e em três ou quatro anos será uma realidade.” Lovatelli não vê empecilhos para o crescimento da produção de soja para este fim e nem acredita que o aumento dos preços do óleo de soja vai prejudicar a oferta do combustível. Pelas contas do setor, o biodiesel consegue ser competitivo com o barril de petróleo acima de US$ 60, já considerando os atuais preços do óleo de soja.

Na atual safra, a Abiove estima que da produção prevista de 3,6 milhões de toneladas de óleo de soja, 300 mil toneladas sejam destinadas à fabricação de biodiesel.

Ameaça argentina

Enquanto a indústria brasileira tenta organizar o mercado de biodiesel, a Argentina também se movimenta para incentivar a produção e até exportação do produto. O governo local anunciou uma tributação de 5% sobre as exportações do combustível, ante taxas de 27,5% e 24% nas vendas externas de soja em grão, farelo e óleo, respectivamente. A produção, entretanto, ainda é incipiente.

A capacidade de processamento do país é maior que a do Brasil (150 mil toneladas/dia, contra 138 mil t/dia) e a indústria local compra, inclusive, soja brasileira para suprir a demanda por grão. Os vizinhos têm mais espaço, portanto, para a produção de óleo de soja, matéria-prima do biodiesel.

“Há grandes players investindo em biodiesel na Argentina, incluindo a Bunge”, afirma Lovatelli, que também é diretor de relações institucionais da empresa. Com o incentivo à exportação, considera, o biodiesel argentino pode vir competir no mercado brasileiro. “O Itamaraty vai ter que criar uma política de boa vizinhança com a Argentina nessa questão, como aconteceu com o trigo.”

Redação
Fonte: Paraná On Line (assinantes)

Brasil poderá importar biodiesel da Argentina

A estrutura tributária criada pelo governo da Argentina para estimular a produção e a exportação de biodiesel deverá fazer do Brasil um grande importador do combustível. A advertência foi feita pelo presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), Carlo Lovatelli, para quem o País não terá condições de competir com os produtores argentinos, uma vez que a carga tributária imposta ao combustível brasileiro, que é equivalente à que onera do diesel, torna a produção nacional proibitiva para os grandes produtores que não dispõem do selo social.

Os grandes players do setor de grãos já estão se estabelecendo no país vizinho - "inclusive a Bunge", convencidos que produzir biodiesel na Argentina será um grande negócio, especialmente para atender ao mercado brasileiro, acrescentou Lovatelli, que é executivo da multinacional. O presidente da Abiove acredita que se estabelecerá no mercado de biodiesel guerra semelhante a existente com o trigo, onde a exportação do grão é tributada em patamar mais elevado que a farinha. No caso do biodiesel, o imposto de exportação foi fixado em apenas 5%, enquanto que as exportações de grãos estão acima dos 20%, estimulando as vendas externas do produto acabado.

Numa tentativa de fazer o governo brasileiro mudar algumas das regras que "engessaram" a produção brasileira, empresários do setor já começam a se organizar. Em reunião na última quarta-feira, a Associação Brasileira da Agribusiness (Abag), da qual Lovatelli também é presidente, criou a Comissão de Agroenergia, que reúne representantes do setor produtivo de etanol, biodiesel, energia elétrica a partir da biomassa, e da indústria química. "Vamos tentar fazer o governo ver que o País ficará trás de seus concorrentes, por causa da atual estrutura de impostos", disse Lovatelli. Se não conseguirem mostrar distorção, os empresários do setor de grãos pretendem "forçar" as autoridades a mudarem as regras.

Isabel Dias de Aguiar
Fonte:

Epamig pesquisa matérias-primas para o biodiesel

As vantagens econômicas e ambientais colocaram o biodiesel na pauta dos investimentos dos governos, mas aliado ao interesse de produção é necessário o desenvolvimento de pesquisas. O leque de possibilidades em relação às matérias-primas a serem utilizadas tem gerado demandas à Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado de Minas Gerais (Epamig), que investe cerca de R$ 550 mil em projetos da área.

Hoje o órgão de pesquisa realiza estudos com pinhão-manso, mamona, girassol e cana-de-açúcar para a produção de biodiesel em fazendas experimentais localizadas no Norte de Minas Gerais. De acordo com o presidente da Epamig, Baldonedo Arthur Napoleão, a intenção é que as pesquisas avancem no sentido de mostrar a viabilidade de produção das oleaginosas em demais regiões do Estado, não ficando restrito apenas à região Norte.

Fonte:

Biodiesel de óleo de cozinha em Santa Catarina

A possibilidade de produzir um combustível que não afete a natureza a partir de resíduos de óleo de cozinha está sendo testada pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Trabalham no experimento de biodiesel três doutorandos, um aluno da graduação e dois professores da área de Engenharia Química do Laboratório de Controle e Processos. O projeto ainda está em fase de captação de recursos e, depois de aprovado, tem até dois anos para o término da pesquisa. A primeira idéia, segundo um dos doutorandos, Rafael Dias, era produzir o biodiesel em pequena escala.

- Nosso primeiro pensamento foi utilizar o óleo que sobra dos restaurantes da Lagoa da Conceição para abastecer os barcos daquela região, ou o óleo que sobra do restaurante universitário para abastecer as máquinas aqui da universidade.

- Ainda não fizemos um cálculo de valores, mas considerando que 80% do custo do biodiesel é a matéria-prima, isso viabiliza a produção - afirma Dias. Um litro de óleo pode render até um litro de biodiesel, segundo o pesquisador.

Fonte: Diário Catarinense - SC

Energia verde atrai investimento recorde em Portugal

A febre das energias renováveis está ao rubro em todo o mundo. Portugal, ao contrário do que é regra em quase todos os sectores, está no pelotão da frente. Com as decisões políticas certas e em tempo útil, tem todas as condições para continuar a dar cartas num dos sectores mais dinâmicos da economia global, numa altura em que as preocupações com o aquecimento do planeta e a necessidade de reduzir as emissões poluentes têm feito disparar o investimento em energias alternativas ao petróleo.

“Temos tudo para aproveitar as energias renováveis: sol, vento, água e geografia”, relembrou ontem Nuno Ribeiro da Silva na II Conferência de Energias Renováveis promovida pelo Diário Económico, com o apoio do Banif Investimento, EDP e Galp Energia. “Os países do norte da Europa têm àgua mas não têm o declive para fazer barragens, os que têm vento não têm sol ou não têm mar”, diz o responsável da Endesa Portugal.

O Governo concorda e a aposta neste sector, onde se prevêm investimentos de 8,1 mil milhões de euros até 2012.

Fonte: Diário Econômico

Pinhão manso passa de vilão a herói


Na busca por reduzir o custo de produção do biodisel, a Barralcool está desenvolvendo na macro-região de Barras do Bugres a cultura do Pinhão Manso, uma leguminosa rica em óleo vegetal.

A cultura já foi aprovada no Estado de Mato Grosso para ser utilizada como reflorestamento e recuperação de áreas degradadas. Além disso, seu óleo será utilizado como matéria-prima na fabricação de biodiesel.

O pinhão manso beneficiaria a agricultura familiar de 14 municípios matogrossenses. O projeto é de iniciativa do conhecido deputado estadual René Junqueira Barbour, que também é acionista da Barralcool. Em parceria com o Governo do Estado e outras empresas, a Barralcool já começou a apoiar a cultura do pinhão manso, introduzindo semente e tecnologia. "Selecionamos as sementes, adquirimos e oferecemos acompanhamento técnico por meio de agrônomos contratados e especializados", informa o gerente Silvio Cezar Rangel.

"Por enquanto estamos produzindo biodiesel a partir da soja, mas acreditamos que o pinhão manso seja a saída para reduzir o custo da matéria-prima na fabricação", diz Cézar Rangel. "Sobretudo pelo alto teor de óleo vegetal que seu fruto proporciona. Rende 400 litros de óleo por tonelada. Ou seja, enquanto a soja esmagada rende 18% de óleo, o pinhão manso rende até 40%. E, também por ser agricultura perene, que dura até 60 anos de vida útil, por não exigir grandes cuidados e por nem precisar ser plantado, em razão de ser agreste, rústico.

Até o advento do biodiesel, o pinhão manso estava quase extinto no Mato Grosso. "Era um purgante para o gado", lembra Cezar Rangel.

"Provocava desarranjo, parecia ser altamente desagradável". Mas sempre se soube que a semente possuía propriedades incandescentes. Dizem as literaturas que em certa época do início o século, a cidade do Rio de Janeiro foi iluminada por óleo do pinhão manso.

O pinhão passou de vilão a herói em pouco tempo. Tudo graças à tecnologia do biodiesel e às pesquisas sobre suas peculiaridades. O que era problema ou maldição virou solução e bênção. Por exemplo, embora não seja comestível, e dificilmente se tornará, hoje sabe-se que a toxina do pinhão manso afasta insetos e que ela pode até ser usada como princípio ativo na fabricação futura de produtos repelentes.

O problema maior ainda está em retirar a casca do pinhão manso. Universidades do MT e de outros estados já trabalham no desenvolvimento de máquinas capazes de retirar a casca da semente - que poderia ser usada como fertilizante. O que sobra é glicerina pura, a chamada glicerina loira, de tão clara, indicada até para a linha farmacêutica.

Fonte: Jornal Cana

Lançado o Comitê Nacional de Agroenergia


O setor de agroenergia conta agora com um comitê nacional, formado por representantes da iniciativa privada e entidades, encabeçadas pela Associação Brasileira do Agronegócio (Abag). O "pontapé inicial" para criação do grupo foi dada hoje, durante reunião com a presença dos 25 membros iniciais do comitê. Os demais serão incorporados por convite posterior.

"A idéia vem sendo amadurecida há bastante tempo. Foi bem recebida porque não existe, hoje, uma estratégia definida nem do lado do setor privado, nem do público a respeito do biodiesel. Não temos uma política que o contemple", explicou a diretora-executiva da Abag de Ribeirão Preto, Mônika Bergamaschi.

"O biodiesel foi vestido com uma roupagem social, o que é louvável, mas precisa ser também exeqüível. As questões tributária e regulatória, por exemplo, estão muito aquém do que a gente precisa", apontou.

O comitê está dividido em quatro áreas de atuação: biodiesel, que tem como presidente Marcelo Brito, da empresa Agropalma; etanol, presidida por Luiz Custódio Martins, do Sindicato dos Combustíveis de Minas Gerais; química, com Walter Dissien, da Basf, à frente; e energia elétrica, cujo responsável ainda não foi definido.

"Os mandatos serão de um ano, para que haja giro constante. Por ser uma entidade nacional, o comitê reúne expectativas de várias regiões e segmentos, como produtores, empresas, cooperativas, associações, federações e sindicatos", disse Mônika.

A primeira ação do grupo, em curto prazo, é investir em comunicação. "Vamos elaborar uma cartilha com perguntas e respostas para trabalharmos com a imprensa nacional, internacional e o próprio setor", finalizou a diretora-executiva da Abag/RP.

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Brasil: transnacionais apossam-se da biomassa


O que está em andamento é a tomada pelo capital estrangeiro da produção de álcool (etanol) e de outros derivados das plantas. Em suma, da energia da biomassa

Esta já é uma das principais fontes do presente, e não apenas a predominante em futuro próximo. Os que a controlarem terão assegurado posição estratégica privilegiada no poder mundial, reforçada pelos fabulosos ganhos econômicos que dela fluirão.

Graças à sua excepcional dotação de território aproveitável, de água e sol, o Brasil tem o potencial de ser o maior produtor mundial dessa energia. Mas, dado o modelo econômico subordinado que se implanta no Brasil há mais de 50 anos, o País caminha para a pior das servidões, pois sua fabulosa dotação de recursos naturais está sendo explorada por transnacionais das potências hegemônicas, prontas para dominar a biomassa, como já dominam a comercialização do agronegócio.

Nada mais fácil para as corporações mundiais que abocanhar a biomassa, uma riqueza muito mais fantástica que o ouro das Minas Gerais no Século XVIII. Isso porque o Brasil é um país aberto ao capital estrangeiro, ao qual pertence a produção industrial e os demais setores da economia. Pior, obtém tudo isso com o nosso dinheiro, que o “governo” submisso lhe transfere como subsídios, ademais dos ganhos que o mercado brasileiro lhe proporciona, remetidos ao exterior por meio de mais de uma dezena de mecanismos.

O modelo político e econômico subordinado já conduziu o Brasil ao desemprego de 30 milhões de brasileiros, a vergonhosas condições de saúde e de educação, à proliferação do crime organizado, ao definhamento da classe média, à queda contínua dos salários reais, ao sucateamento da infra-estrutura e das Forças Armadas.

O País está escancarado para que transnacionais se apoderem do que será o mais estratégico e maior setor da economia mundial. Que restará ao Brasil senão revogar o decreto da Princesa Isabel de 1888, da Abolição da escravatura?

Para ser profeta basta entender o presente e as lições do passado. Há casos históricos de reinstituição do regime de servidão por se terem países especializado na produção de matérias-primas destinadas ao comércio mundial. Por exemplo, a Polônia do Século XVIII, uma grande potência no XVII, transformada em exportadora de cereais sob a direção dos comerciantes e banqueiros de Amsterdam.

Que foi feito no Brasil para facilitar a apropriação da biomassa pelos concentradores mundiais? Alijar os pequenos produtores, por meio de regulamentação instituída por imposição do Banco Mundial, o que fez centralizar a produção em grandes usinas. Assim, a cana-de-açúcar é transportada a grandes distâncias (em caminhões movidos a óleo diesel de petróleo), e o mesmo ocorre com o álcool.

Pior ainda, através de outras ações e omissões da política econômica, acabou-se com conquistas do PRÓ-ALCOOL, como a produção de motores para álcool. Hoje, com o “bicombustível” são desperdiçados quase 40% da potência do etanol, cuja octanagem supera por essa margem a da gasolina.

Quase nada se fez para desenvolver o etanol a partir da celulose da madeira e de outras fibras vegetais, o que tem potencial econômico pelo menos tão bom quanto o da cana de açúcar e mais vantagens ecológicas. A palha da cana vem sendo queimada, causando danos ambientais, em vez de ser usada como fibra para a produção de álcool ou para, junto com outros resíduos vegetais, alimentar termelétricas.

Mais grave ainda é o boicote aos óleos vegetais, cujo custo de produção pode ser menor que o do álcool e oferece desempenho duas vezes maior. Para se ter uma idéia, o Brasil poderia facilmente estar produzindo 40.000 vezes mais óleos vegetais do que o faz. Isso porque: 1) A Alemanha os produz 100 vezes mais que o Brasil; 2) a produtividade por hectare do dendê no Brasil é 17 vezes maior que a da canola (colza) cultivada na Alemanha; 3) o território brasileiro é 24 vezes maior que o alemão. Resumindo: 100 x 17 x 24 = 40.800.

Na Alemanha vende-se um kit para que os motores construídos para diesel de petróleo recebam o óleo vegetal apenas filtrado. O rendimento é o dobro do do etanol ou do biodiesel. O biodiesel vem a ser uma rendição ao poder de transnacionais da indústria automotora. Envolve retirar a glicerina, a qual, nos motores para óleos vegetais, contribui para a extraordinária potência energética do combustível.

Há tecnologia para fabricar esses motores, dos engenheiros Elsbett, na Alemanha, não usada por pressão do maior banco desse país. Os Elsbett fabricam o kit, também produzido no Paraná pelo Eng. Fendel.

A única e enorme dificuldade para que se façam as coisas certas está no governo sem autodeterminação, complacente com os interesses das irmãs do petróleo. A Agência Nacional do Petróleo impede a distribuição do óleo vegetal e limita a comercialização do biodiesel à ridícula percentagem de 2% para a mistura com o óleo diesel.

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quinta-feira, 22 de março de 2007

UE planeja criar 'imposto verde' sobre uso de energia

A Comissão Européia apresentará em breve um plano para a criação de "impostos verdes" cujo objetivo será reduzir o consumo de energia e os níveis de emissões de gases que provocam o aquecimento global. O comissário de Impostos da UE, Laszlo Kovacs, afirmou ontem que a taxação seria uma ferramenta-chave para se atingir as metas estabelecidas este mês por governos europeus de reduzir as emissões e de aumentar o uso de energias renováveis.

O imposto pode levar os 500 milhões de consumidores do bloco a adotar usos mais eficientes de energia, além de prover recursos que seriam reinvestidos na economia da região, disse o comissário.

A criação de um imposto europeu é um tema impopular eleitoralmente em nível nacional. E para ser aprovado precisa da aprovação unânime dos 27 países-membros.

Mas, na avaliação Kovacs, o acordo recém-estabelecido pelos países para redução de emissões e a disposição da população em relação a questões ambientais significa que essas barreiras já não são intransponíveis.

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BIODIESEL: Esse negócio vai emplacar?


Cena um: em outubro passado, a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), que representa os gigantes do agronegócio, enviou ofício ao governo pleiteando a extensão, para a agricultura intensiva, do benefício fiscal dado à agricultura familiar voltada à produção de biodiesel. Cena dois: no mês seguinte, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva inaugurou a usina Barralcool, no Mato Grosso, antes que a ANP tivesse autorizado a planta. Cena três: este mês, a Soyminas, de Minas Gerais - o primeiro produtor de biodiesel autorizado do país -, completou dois anos sem cumprir um só contrato de fornecimento.

Os fatos descritos ilustram com precisão os dois lados da indústria do biodiesel no Brasil: o sucesso do programa de incentivo à produção e o açodamento na sua implantação.

Não há como negar que o mercado aderiu de pronto à onda do biodiesel. Há menos de um ano da exigência do óleo diesel com 2% do combustível de origem vegetal (B2), o país já tem um parque instalado de 600 milhões de litros anuais, para uma demanda estimada de 900 milhões de litros/ano em 2008. Contando os pedidos de autorização em análise na ANP, essa capacidade alcança 2,5 bilhões de litros/ano. Esse excedente de 1,6 bilhão de litros anuais já faz o governo estudar a antecipação, de 2013 para 2010, da meta de 5% de biodiesel (B5). "Tudo indica que em 2010 já estaremos em condições de pelo menos autorizar a comercialização do B5", avalia o diretor geral da agência reguladora, Haroldo Lima.

Leilões mantidos

Para chegar com segurança ao B5, o governo deverá manter os leilões de compra de biodiesel, inicialmente previstos para terminar este ano, a fim de estimular a expansão da produção através da garantia de compra da Petrobras e da Refap. O medo é deixar o mercado nas mãos das distribuidoras de combustíveis, que, via de regra, não deverão fazer aquisições além da obrigatoriedade dos 2%. Mesmo a Petrobras, que é obrigada a garantir toda a produção ofertada nos leilões, passaria a limitar as aquisições às necessidades da BR Distribuidora - ou cerca de 30% do mercado de diesel.

A timidez das distribuidoras nos leilões, contudo, não é fruto do acaso. Além de um pouco mais caro que o combustível fóssil, o biodiesel ainda está muito atrelado ao mercado da soja. Essa ligação dificulta, por exemplo, a negociação de fornecimentos de longo prazo. Para as distribuidoras, o ideal são contratos com preço fixo. Já o agronegócio da soja quer reajustes anuais, balizados pelo mercado internacional da oleaginosa. Um risco que as distribuidoras, acostumadas com o preço estável do diesel, não querem correr.

De acordo com a Granol, gigante do esmagamento de soja e o segundo maior produtor de biodiesel do país, o preço do óleo de soja, desde o primeiro leilão de biodiesel, no fim de 2005, já subiu 40%, de US$ 400/t para US$ 600/t. Com isso, a empresa calcula que o preço realista hoje seria de R$ 2.736/m³, contra os R$ 1.900/m³ pagos em média nos cinco primeiros leilões. "Garantir preços fixos como previsto nos leilões exige uma agressividade hercúlea", diz a diretora Financeira da empresa, Paula Ferreira. Ela também observa que se o preço do farelo cai e o do grão cai numa proporção menor, o óleo, que representa apenas 20% do aproveitamento da soja, tem de pagar a diferença.

Selo caro e de risco

A obrigação de destinar parte do investimento em matéria-prima para a agricultura familiar - requisito para obter o Selo de Combustível Social - também gera críticas. Os produtores dizem que ficam com todo o risco do plantio, uma vez que o desconto ou a isenção do PIS/Cofins, um dos benefícios do selo, só se dá quando a compra do biodiesel é efetivada. Com isso, a remuneração dos custos para organizar os núcleos de produção, como oferta de sementes, assistência técnica, implementos agrícolas e renda antecipada, fica à mercê de fatores climáticos, baixa produtividade e inadimplência. Esse risco ainda seria maior em culturas de menor escala, como a da mamona.

O governo, porém, tem outra visão. O Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) calcula que as empresas com o selo estão economizando de imposto R$ 0,15 por litro, em média. "Para algumas, essa diferença representa um aumento de 100% na margem", garante o coordenador geral de Agregação de Valor e Renda do MDA, Arnoldo Campos. Além da redução no imposto, o selo, requisito para participar dos leilões da ANP, dá acesso a financiamento no BNDES com taxa de juros um ponto percentual menor e cobertura de 90% do investimento, em vez dos 80% de praxe.

Na última contabilização do governo, as empresas com o Selo de Combustível Social já somavam 1,3 bilhão de litros em capacidade.

Produção tímida

É verdade que o ritmo de produção ainda é tímido para os volumes pretendidos. Em 2006, o volume de biodiesel produzido ficou em torno de 60 milhões de litros. Mas o governo tem uma explicação. "A maior parte dos 600 milhões da capacidade instalada autorizada só entrou em operação no início deste ano", informa Ricardo Gomide, coordenador-geral do Departamento de Combustíveis Renováveis da Secretaria de Petróleo, Gás Natural e Combustíveis Renováveis do Ministério de Minas e Energia (MME). Pelas contas do ministério, outros 1,1 bilhão de litros/ano de capacidade vão entrar em operação ainda neste semestre.

Casos como o da Soyminas, porém, deixam o mercado em alerta. Há o temor de que a pressa do governo na implantação do programa do biodiesel possa comprometer seus resultados. Está certo que a empresa optou por uma rota de processo mais complexa, com etanol no lugar do metanol, que entra na rota tradicional, o que a fez ter dificuldades para produzir o biodiesel dentro das especificações. Mas a empresa tinha uma autorização da ANP. Outras autorizadas não chegaram a uma situação tão crítica, mas também não cumpriram o cronograma de fornecimento.

A agência reconhece que o rigor foi menor no início. Mas Haroldo Lima adianta que a ANP vai enrijecer na fiscalização, uma vez que já existem parâmetros operacionais para avaliar.

Matérias diversas

Problemas à parte, há ainda uma outra aposta governamental: a diversificação da matéria-prima. O MDA estima que a participação da soja no mercado, hoje de 90%, será de 60% em 2008, considerando os 900 milhões de litros de biodiesel previstos. A mamona virá em seguida, com 25% e o restante estará dividido entre girassol, dendê e sebo bovino. "A instabilidade da soja está empurrando os produtores para outras culturas", revela Campos.

Seja qual for a oleagionosa, o suprimento não deverá ser um gargalo. Mesmo que o Brasil dependesse só da soja, ainda haveria um certo conforto. Considerando que o país produz 50 milhões de t/ano dessa oleaginosa, o potencial de óleo vegetal, numa conta rápida, seria de 10 milhões de t/ano. O volume é mais de dez vezes a necessidade de B2 em 2008. Isso sem contar o sebo bovino, que, pelas contas do governo, poderia cobrir sozinho essa meta.

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