
Biocombustível, etanol, agroenergia. Os termos são diferentes, mas tratam de um único assunto que dominou as manchetes dos principais jornais brasileiros na última semana. A visita do Presidente George W. Bush ao Brasil, na última sexta-feira, evidenciou ainda mais as discussões.
Na mesa de conversações com o governo brasileiro, um produto em cujo desenvolvimento o Brasil é pioneiro, o Biodiesel. E Alagoas está de olho nesse mercado. A cadeia produtiva do biocombustível começa com o plantio de oleaginosas e com isso a agricultura familiar é inserida no processo, gerando postos de trabalho no meio rural.
Ano passado foi implantado no Estado o Programa de Biodiesel do Estado de Alagoas, o Probiodiesel/AL, um dos braços do Comitê Gestor Estadual para o Biodiesel formado por 18 entidades. Mas enquanto as pesquisas com o pinhão manso são desenvolvidas, o carro-chefe do programa é a mamona. Bem adaptada ao solo do Semi-árido alagoano, a mamoeira apresenta resistência aos períodos de seca e possui alto teor de óleo.
A coordenação do Probiodiesel/AL, composta por técnicos da Secretaria de Planejamento e Orçamento do Estado de Alagoas (Seplan) e do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Alagoas (Sebrae), tem visitado os municípios alagoanos para apresentar as vantagens sociais e econômicas de se investir na plantação de oleaginosas para a produção de biodiesel. “Também estamos entrando em contato com as prefeituras levando os termos de adesão do programa para serem assinados pelos prefeitos”, explica a coordenadora do Probiodiesel/AL Glória Velásquez.
Esta semana os técnicos do programa estiveram nos municípios de Ouro Branco, Maravilha, Poço das Trincheiras, Cacimbinhas, Minador do Negrão, Estrela de Alagoas, Maribondo, Craíbas, Igaci e Taquarana. Entre os dias 20 e 22 desse mês a coordenação do Probiodiesel passará por Belém, Coité do Nóia, Tanque D’Arca, Lagoa da Canoa, Girau do Ponciano, Mar Vermelho e Pindoba. “Durante a nossa permanência estaremos conduzindo também aulas práticas, explicando ao produtor a maneira correta de cultivo da mamona”, diz Glória.
Os municípios visitados pela coordenação foram estrategicamente escolhidos. Primeiro por que todos já foram totalmente zoneados pela Embrapa e porque o período de semeadura na região destes municípios começa já em abril. A intenção do Probiodiesel é que os agricultores já comecem as plantações de mamona ainda no primeiro semestre.
Porém, muitos agricultores ainda desconfiam da iniciativa. O grande entrave está em quem vai comprar e processar a mamona colhida. A coordenação do Probiodiesel diz que a produção será absorvida pela Oleal – Óleos Vegetais de Alagoas, localizada no município de Arapiraca.
A Oleal era uma fábrica de beneficiamento de algodão que com a implantação do programa do biodiesel no Estado, passaria a ter um suporte para produzir biodiesel. Mas até agora a Oleal só processa o óleo bruto. “A Oleal está sendo preparada para receber essa produção. A intenção do programa é o de desenvolver toda a cadeia produtiva e todos vão sair ganhando. Antes de ser um programa energético, o Probiodiesel é um programa social”, conclui.
Fonte: Gazeta de Alagoas
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