quinta-feira, 3 de agosto de 2006

Biodiesel

Combustível biodegradável derivado de fontes renováveis como de biomassa[1] , ou resíduos industriais e esgoto sanitário[2], para uso em motores a combustão interna com ignição por compressão[3] sem necessidade de modificação ou, conforme regulamentação, para geração de outro tipo de energia, que possa substituir parcial ou totalmente combustíveis de origem fóssil, atendendo as especificações da ANP, nos motores de ciclo diesel automotivos (caminhões, tratores, automóveis, etc...) ou estacionários (geradores de eletricidade, calor, etc...).

Sendo perfeitamente miscível e físico quimicamente semelhante ao óleo diesel mineral, pode ser usado puro ou em quaisquer concentrações de mistura com o diesel, sem a necessidade de significantes ou onerosas adaptações dos motores. E, por ser biodegradável, não tóxico e essencialmente livre de compostos sulfurados e aromáticos, produz uma “queima limpa”, o que resulta, quando comparado com a queima do diesel mineral, numa redução substancial de monóxido de carbono e de hidrocarbonetos não queimados.

É um combustível composto de mono-alquilésteres de ácidos graxos de cadeia longa, obtido por diferentes processos de reação química de óleos vegetais ou de gorduras (Trigídios[4]) animais com o álcool comum (etanol) ou o metanol, estimuladas por um catalisador[5], tais como o craqueamento[6], a esterificação ou pela transesterificação[7]. Não contém petróleo.

A produção de Biodiesel segue especificações industriais restritas, a nível internacional tem-se a ASTM D6751. Nos EUA, é o único combustível alternativo a obter completa aprovação no Clean Air Act de 1990 e autorizado pela Agência Ambiental Americana (EPA) para venda e distribuição. Os óleos vegetais puros não estão autorizados a serem utilizados como óleo combustível.

A nomenclatura adotada a nível mundial para a identificação da concentração do Biodiesel na mistura, é a seguinte: BXX, onde B significa Biodiesel e o XX representa a percentagem em volume do Biodiesel à mistura. Por exemplo, o B2, B5, B20 e B100 são combustíveis com uma concentração de 2%, 5%, 20% e 100% (puro) de Biodiesel, respectivamente.

A utilização do Biodiesel no mercado mundial de combustíveis, baseadas em experiências bem sucedidas, tem se dado em quatro níveis de concentração em relação ao volume total no óleo diesel de petróleo:


  • Puro (B100)
  • Misturas (B20 – B30)
  • Aditivo (B5)
  • Aditivo de lubricidade (B2)
As misturas em proporções volumétricas entre 5% e 20% são as mais usuais, sendo que para a mistura até B5, não tem sido apresentada nenhuma necessidade de adaptação dos motores.

As informações de toda a cadeia (extração, produção, comercialização) do petróleo, seus derivados e do gás natural; e produção e comercialização do álcool combustível são passadas à ANP através de um código e nome do produto cadastrado na Agência. A SQP é responsável pela classificação dos produtos, respeitando a Portaria 54/01, disponível na página da ANP.

Atualmente existem cerca de 1.000 produtos cadastrados. Os agentes solicitam à ANP a inserção de novos produtos que são avaliados e classificados, respeitando a legislação de produtos especificados, combustíveis ou não, evitando a duplicação de produtos com a mesma finalidade na indústria do petróleo, do gás natural e do álcool combustível.

Também os óleos lubrificantes, graxas lubrificantes e aditivos em frasco para óleos lubrificantes de aplicação automotiva comercializados no País são obrigados a ter registro prévio da Agência Nacional do Petróleo. Os produtores ou importadores encaminham o pedido de registro à ANP. O Laboratório de Referência da ANP, em Brasília, avalia a solicitação, que após análise autoriza ou não a sua comercialização do produto de origem mineral, vegetal ou sintética, em todo o território nacional (Portaria 131/99).


[1] Óleos vegetais de dezenas de espécies vegetais no Brasil, tais como amendoim, babaçu, dendê (palma), girassol, mamona, pinhão manso, soja e demais oleaginosas, gorduras animais (aves, suínos, bovinos, ovinos, entre outros), resíduos industriais e esgoto sanitário.
[2] Alguns destes insumos são triglicerídeos e outros são ácidos graxos.
[3] Motores a diesel.
[4] A molécula de óleo vegetal e animal é formada por três ésteres ligados a uma molécula de glicerina, o que faz dele um triglicídio.
[5] Pode ser o hidróxido de sódio ou hidróxido de potássio.
[6] Quebra as moléculas do óleo formando uma mistura semelhante ao diesel de petróleo.
[7] Combina o óleo vegetal com álcool para a remoção da glicerina do óleo, deixando o óleo mais fino e reduzindo a sua viscosidade. O processo gera dois produtos, ésteres (o nome químico do biodiesel) e glicerina. A glicerina (produto valorizado no mercado de sabões) extraída pode ser utilizada na fabricação de sabonetes e diversos outros cosméticos, com também, na composição do material utilizado como lubrificante nas pontas das perfuratrizes de petróleo. Cerca de 20% de uma molécula de óleo vegetal é formada por glicerina. A glicerina torna o óleo mais denso e viscoso.



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3 comentários:

Aline =Love forever Léo + Bob + Lilica= disse...

seu blog esta muito bom bom, estou fazendo um trabalho para feira de ciencias e tirei muitas duvidas aqui no seu blog ...
ta muito bom mesmo parabens!!

Anônimo disse...

posso fazer biodiesel em casa?
como?

PCavallo disse...

Boa tarde, trabalho numa ONG na Dinamarca voltada para o desenvolvimento da Africa. Escrevi a minha tese do mestrado em Londres sobre a politica de biocombustiveis britanica. estarei indo a Mocambique em seis meses pela organizacao para implementar uma atividade de geracao de renda para pequenos agricultores e a minha ideia era producao em pequena escala de biocombustives. Gostaria de saber se tens algumas ideias. mey conhecimento e sobre politica internacional e o impacto da producao mas e estarei entrando numa area um pouco desconhecida para mim mas a organizacao gostou da minha ideia e tenho que criar um plano de implementacao agora. Qual produto brutio utilizar, se precisarei de algum maquinario. Tem que ser algo bem pequena escala para comecar e simples para os pequenos agricultores mocambicanos utilizarem. Mas acredito que tem o potencial de criar uma renda sustentavel para eles. Agradeco desde ja a atencao.