segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Resposta ao Manifesto "ALERTA SOBRE O PLANTIO DE PINHÃO MANSO"

Trabalhando em projetos de viabilidade da utilização de biomassa, em especial biodiesel redijo este texto para expor um pouco do meu conhecimento e defender a corrente que acredita que a jatropha curcas linn, pinhão manso seja uma das importantes fontes de matéria prima para o programa de produção de biodiesel no Brasil.

Em 2004 em parceria com engenheiro Luis Sans Castro comecei a desenvolver projetos específicos para produção de biodiesel no Brasil. Partindo das orientações e dados das comissões interministeriais responsáveis pelo planejamento estratégico do programa brasileiro do biodiesel. Tais comissões definiam como pontos básicos e pilares estruturais: a agricultura familiar, a mamona, o óleo de palma, regime de produção batelada e o insumo etanol.

Com estas premissas fomos para a Europa maior produtor mundial de biodiesel. Visitamos os principais fornecedores de tecnologia da Áustria, Itália, e Alemanha.

Os técnicos europeus polidamente alertavam que a mamona apresentava sérios problemas operacionais de processamento no domínio da cinética das reações com a formação de ésteres secundários e outros empecilhos devido às hidroxilas no décimo segundo carbono, e principalmente à impossibilidade de atender as normas européias vigentes, bem como as americanas.

Que a opção pelo etanol alem de ser mais caro que o metanol aumentaria o volume utilizado no processo em 80%, com acréscimos no consumo de energia, reduzindo a produção, reduzindo a velocidade das reações e principalmente nas fases posteriores das dificuldades de separações dos sais residuais e etanol na glicerina e no biodiesel.

O uso do etanol implicaria no aumento dos custos finais do produto biodiesel em mais de 6%. O custo da unidade de retificação do etanol hidratado resultante no processo industrial para ser reutilizado obrigaria a utilização de uma peneira molecular devido ao azeotropo de mínimo formado. Seria uma unidade industrial mais cara que a de produção do biodiesel.

Quanto ao óleo de palma que o Brasil, era importador logo não viam possibilidades de curto prazo como fonte de matéria prima.

Visitamos unidades fabris, centros de pesquisas, consumidores proprietários de frotas cativas, consumidores públicos, revendedores atacadistas e postos retalhistas toda a cadeia.

Das planilhas de custos industriais que nos foram apresentadas tomamos ciência que o principal insumo da cadeia produtiva era o óleo responsável por 70% a 85% dos custos, uma escolha mal feita da fonte fatalmente levaria os empreendimentos ao fracasso.

Voltamos ao Brasil com muito mais duvidas, e um dever de casa bastante extenso inclusive de procurar alternativa. Mesmo alertados fizemos estudos sobre a cadeia produtiva da mamona e da palma para confrontação dos dados. Aprofundamos as analises com relação ao uso do etanol e a orientação do programa, regime de batelada, rota etílica (o correto é falar rotas acidas e ou básicas), pois metanol e etanol são insumos, das falhas na norma publicada pela ANP. A constatação era que o programa ainda estava bastante incipiente. Aja visto que ainda hoje a norma não corrigiu as distorções dos itens: glicerina total e o teor residual de álcool com relação ao ponto de fulgor.

Durante os trabalhos deparamos com uma seqüência de inconsistências nas orientações técnicas passadas à Comissão Interministerial do Biodiesel e a Casa Civil.

Como técnico e brasileiro me senti na obrigação de alertar. Protocolei correspondência ao então Ministro da Casa Civil Dr. José Dirceu expondo minhas observações e preocupações. É importante frisar que trabalho no sentido que o programa de biodiesel brasileiro tenha êxito. No texto encaminhado não me furtei das minhas duvidas mesmo me colocando contrario às diretrizes gerais.

Agora tendo tomado conhecimento do manifesto acima e do aval do representante legal do MDA, condutor importante na questão da agricultura familiar no programa do biodiesel me sinto na obrigação de falar de alertas e omissões, mas identificando individualmente cada uma e me sujeitando às criticas. (e.mail: neddozecca@yahoo.com.br).

Sou um dos incentivadores do plantio do pinhão manso não me furto ao debate. Critico sim a forma como foi assinado e referenciado o manifesto, não deixando claras as reais intenções. Fica a duvida qual é o real objetivo?

Das refutações:
Como a intenção de todos é que o programa de certo, vamos fazer uma analise critica completa, pois alguns dos signatários do manifesto têm ou tiveram expressiva importância quando das orientações básicas do programa brasileiro do biodiesel na sua partida e estão influenciando ainda no seu andamento.

Das matérias primas eleitas pelos técnicos e o porquê de acreditarmos, no pinhão manso como uma das potencias oleaginosas que darão sustentação ao programa brasileiro de biodiesel.

Primeiro a mamona, oleaginosa defendida por alguns dos signatários do Manifesto.

Exige terreno neutro pH próximo de 7, pouco conhecimento com relação às ervas daninhas e pragas, as áreas não devem ter inclinação superior a 12%, altitude ideal 400 metros, índice pluviométrico de 500 mm, consumo elevado de fertilizantes, rotação de cultura a cada 2 anos, baixa variedade de possíveis consorciamentos e deve ser evitado consorciar com milho e o sorgo (Fonte - EMBRAPA).

O Brasil já foi o maior exportador de óleo de mamona e o declínio se dá a partir da morte de dois importantes pesquisadores da CATI (IAC), tínhamos produtividades de até 1600 kg de bagas por hectare hoje nossa melhor media é de 800 kg/hectare na Bahia. (fonte CONAB). O grande exportador era a Bungue.

Do professor da USP Herman Ritner, consultei sua publicação sobre a mamona, sua cultura, extração do óleo e seus processamentos industriais. Engenheiro químico com reconhecimento junto à associação americana de químicos. Os dados contidos no livro confirmam os alertas dos técnicos europeus.

Ficava claro que se não temos competência para vender o óleo de mamona no mercado internacional onde o preço era de 1200 USA $ a tonelada. Como seriamos capazes de processá-lo industrialmente para vender a 700 USA $. Existe inconsistência econômica. Que só se viabiliza com elevados subsídios e forte renuncia fiscal.

A Índia maior produtor exportador mundial de óleo de mamona, lançou um programa de produção de biodiesel e não optou pelo óleo de mamona. Uma das escolhas feita pelos indianos para produzir biodiesel nas suas terras degradadas foi a Ratanjot = purgueira = Jatropha Curcas = o nosso pinhão manso.

Cultura levada pelos portugueses no século XVI. A premissa é a agricultura familiar, mas muito mais arrojada pretende atender 300 milhões de pessoas que vivem abaixo da linha da miséria nunca tiveram acesso à luz elétrica e o objetivo gerar energia para atender estas comunidades foco diferente da proposta brasileira.

A China, o segundo no mercado mundial de óleo de mamona (digo produtos oriundos do óleo da mamona) também aposta no pinhão manso para o seu programa.

Da viabilidade técnica no uso do óleo de mamona para produzir ésteres.
O óleo de mamona apresenta uma característica muito especial 90% é constituído de acido ricinoleico. Base para a produção de mais de 400 produtos onde destaco o acido sebacico.

Mesmo processado (esterificado) o ester obtido apresenta ainda uma viscosidade elevada que coloca o produto fora das normas internacionais para uso como biodiesel. Tendo ainda à presença da dupla ligação entre os 9 e 10 carbono que permite a formação de polímeros (nylon 11) à baixa temperatura, que não é conveniente que aconteça dentro dos pistões dos motores.

Alem da hidroxila no, décimo segundo carbono mencionada anteriormente facilitadora da obsorção de água gerando problemas de estabilidade. Recomendo a leitura do trabalho conduzido pela NREL nos USA. Falta consistência técnica na escolha da mamona para produzir biodiesel.

Todos sabem das toxinas presentes quando do processamento das sementes de mamona as ricinas e ricininas. O pinhão também tem a curcas.

Mas o que difere as duas culturas são os componentes mutagenicos alérgicos, presentes somente na cultura da mamona e a sua maior concentração se dá pólen, as albuminas 2s, no manuseio das sementes e durante o processamento para a obtenção do óleo.

Pessoas que as aspiram ou tomam contacto com estas albuminas tornam se alérgicas para toda a vida, algumas que apresentarem pouca imunidade e baixa resistência sofrerão problemas como edema de glote e até a morte.

Nunca vi por parte dos signatários nenhum alerta ou preocupação com relação à questão informando da necessidade do uso obrigatório de mascaras pelos agricultores familiares e das pessoas que habitam vizinhas as suas plantações no período de floração. Não temos ainda vacinas prontas e testadas, o alerta é uma obrigação, uma questão de saúde publica e compete aos que tem o conhecimento alertar.

Pergunto a quem caberá a responsabilidade se acontecer algum óbito e o Ministério Publico for acionado ficará a indagação se foi homicídio “culposo ou doloso”? Nunca vi por parte dos signatários especialistas na mamona o alerta neste sentido. Isto sim é omissão grave. Não se esqueçam da lei de Murphy.

O Brasil é signatário e se compromete junto a UNIDO no documento de combate à desertificação. Tendo destinado parcelas expressivas dos seus orçamentos nos últimos anos nesta tarefa. De todas as plantações no mundo a mamona junto com o feijão e a mandioca são as culturas que mais facilitam a erosão do solo, pois não impedem ação mecânica das chuvas e dos ventos.

A UNIDO elegeu uma planta como referencia a jatropha curcas.

Penso que não se deva incentivar o plantio da mamona no agreste nordestino, que em alguns pontos caminha para a desertificação. Outro alerta omitido pelos signatários.

Os projetos que receberam incentivos para plantar mamona destinada ao biodiesel não decolam e apresentam diversos problemas. É flagrante a falta de viabilidade econômica, inconsistência técnica e o potencial passivo de saúde e morte. As autoridades superiores devem ser avisadas, pois continuam a incentivar o plantio inclusive distribuindo kits internacionalmente.

Unidades instaladas para produzir biodiesel estão recorrendo, a outras fontes de matéria prima como: óleo de soja, gorduras animais, óleo de girassol, nabo forrageiro e outras para cumprirem suas obrigações nos leilões vencidos junto à Petrobras.

Com relação à palma. O Brasil não tem participação expressiva no mercado internacional como produtor. Importamos óleo de palma para suprir parte de nossas necessidades alimentares e das indústrias de sabão. Penso ser difícil pensar em energéticas e exportar.

No Brasil muitos empreendimentos para plantar e produzir óleo de palma foram tentados desde a década de 1950. Só um sobreviveu, o da Agroplama com uma luta de algumas décadas. Um ativo que passou de um banco para outro banco.

A empresa hoje exporta ácidos graxos orgânicos que gozam de preços internacionais mais confortáveis. A plantação base é da tenera um híbrido (dura + pisifera). Todo e qualquer projeto para ter consistência deverá levar em conta à necessidade de aclimatar, fazer os cruzamentos e os manejos, estamos falando em 9 anos.

São necessárias condições climáticas especiais principalmente com relação aos índices pluviométricos, umidade relativa do ar elevada bem como a temperatura. As regiões no Brasil possíveis para projetos são restritas e localizadas em pontos com escassez de infra-estrutura.

Foge completamente da base da formulação do programa de agregar a agricultura familiar. Só, e somente só se a empresa que tiver capitaneando o projeto tenha experiência e muita competência no assunto. Devemos levar em conta que quando da colheita dos cachos tem inicio a deterioração e formação de ácidos graxos livres não podendo ser estocados, deverão ser processados o mais rápido possível sendo necessário um sistema de logística e industrial muito eficiente.

Tecnicamente é possível se produzir biodiesel oriundo de matéria prima palma tanto do dendê ou do palmiste da amêndoa. No caso especifico da empresa é muito particular sua produção de biodiesel, pois tem como fonte, resíduos do processo industrial. Fruto de uma boa gerencia empresarial aliada a uma acessória técnica competente aproveitam os resíduos, ácidos graxos livres, que processados em rota acida permitem fazer biodiesel de boa qualidade e não mais sabão.

Não devemos tomar como base esta solução especifica de um resíduo industrial e reaplicar para o Brasil. O País tem um enorme potencial de oleaginosas para produzir biodiesel, mas com certeza não serão a mamona e a palma seus principais sustentáculos.

Do manifesto e das refutações:

Destacamos a nominação dos signatários e por ultimo da bibliografia que serviu de base para as afirmações. Tenho conhecimento da primeira referência.

Documento elaborado pela IPGRI (FAO) de numero 1 de uma coleção muito importante. O próprio título é uma importante indicação a respeito da cultura: “Promoting the conservation and use of underutilized and neglected crops”. Destaco negligenciadas, expressão verdadeira com relação ao pinhão manso no Brasil.

Da segunda referencia “Viagem à Índia para prospecção de tecnologias sobre mamona e pinhão manso. Embrapa Algodão: Campina Grande, 2006 (Documentos, 153).” Imagino que seja a mesma apresentada no seminário sobre o pinhão manso na FEPAD em Brasília me abstenho de fazer comentários.

Existe um universo maior para consultas e embasamento para o assunto. Penso que os pesquisadores signatários já tenham contatado com os seus pares, centros de pesquisas, publicação que fazem parte da bibliografia da primeira referencia Heller (1996) indicados nas paginas 45 a 66 do documento seria um bom começo.

Destaquei 10 afirmações feitas e enumeradas no documento que vou tentar refutar usando a primeira referencia dada (Heller 1996). Pois os contraditórios de algumas das colocações já estão no próprio texto referencia.

Destaco uma afirmação que também enfatizo de numero 11.

As expressões marcadas foram extraídas do manifesto e numeradas.

1-“Esta escolha se baseia na expectativa de que a planta possua alta produtividade de óleo”

A abordagem para o óleo ser viável para servir como matéria prima em projetos de produção de biodiesel é o custo do litro de óleo. Ter alta produtividade é importante, mas a qualidade e o custo baixo muito mais.

Mesmo assim o pinhão apresenta produtividade maior que a mamona por hectare ano. Não devemos esquecer que a mamona no terceiro ano não pode ser plantada.

A semente do pinhão tem em media de 34-38% de óleo. Quando descascada a amêndoa fornece em alguns casos 60% facilitando a extração do óleo a frio.

2-“Grande parte das informações divulgadas sobre a cultura provém de fontes pouco confiáveis”

Não vou me ater à discussão de fontes pouco confiáveis seria mais correto se os signatários às identificassem. Acusações jogadas ao vento não nos parece um bom caminho para criticar. Penso que falar em fontes brasileiras confiáveis seria melhor como, por exemplo:

O informe agropecuário v.26-n. 229 ISSN 0100-3364 da EPAMIG “Produção de oleaginosas para biodiesel” nas paginas 44 a 78 um belíssimo artigo “Cultura do pinhão manso (jatropha curcas)” assinado por Heloisa Mattana Saturnino, Dilermando Dourado Pacheco, Jorge Kakida, Nagashi Tominaga e Nivio Poubel Gonçalves. Mostrando o trabalho de pesquisadores brasileiros, resgatando o que foi feito na década de 80, os trabalhos do CETEC com uma bibliografia vastíssima. Para mim são fontes confiáveis.

Dos trabalhos do Dr. Octávio de Almeida Drummond e de Lúcia Helena de Souza Cunha da EPAMIG sempre enfrentando as dificuldades para prosseguir nas pesquisas do pinhão manso, mas nunca esmorecendo.

Da edição do Jornal do Brasil de sábado 28-5-83 pagina 8, destaque: “Minas testa óleo de pinhão manso na substituição do óleo diesel” trabalho conduzido pela EPAMIG e o CETEC com sucesso. Falava dos ônibus da cidade de Belo Horizonte que estavam rodando com B30 (30% de biodiesel + 70% de diesel). Outra fonte confiável.

Do Dr. Octávio A. Drummond então pesquisador EMBRAPA-EPAMIG em 31 de março de 1986, destaco um relatório que informava que desde 1982 conduzia trabalhos com o pinhão manso em Janaúba, Jaíba, Acuã, Grão Mongol, Vale do Jequitinhonha, Governador Valadares, Felixlândia e Lambari um total de 94 hectares plantados.

E que em especial nos anos de novembro de 1983 a junho de 1984 quando obteve produtividade media de 5.662 kg de sementes por hectare em alguma das plantações.

Destaco ainda do texto a sugestão do Dr. Octávio

“...A cultura solteira permite o cultivo mecanizado integral da cultura do pinhão, mas havendo consórcio com o plantio de outra cultura nas ruas...”

“... Terminando, sugerimos que o projeto da produção do óleo do pinhão seja de imediato dinamizado, que a par dos recursos aplicados nos estudos da produção da planta e da tecnologia do óleo, que se inicie também a compra da semente em todo o Estado, a preço semelhante da semente da mamona, competitiva, de modo a se difundir no meio rural o interesse pela produção desta oleaginosa. Propomos isto baseados no fato de já haver uma pequena produção de pinhão em Minas, usada na fabricação de sabão domestico ou na indústria de sabonete. Basta que o projeto entre nesse comércio, durante 4 a 6 anos, para que a produção do pinhão se firme em grande escala......”.

Dr. Drummond assinou e protocolou o documento junto ao coordenador Projeto Pinhão Antonio Álvaro C. Purcino. Outra fonte confiável.

Os técnicos da EPAMIG não se furtarão a confirmar os fatos e os dados. Técnicos com qualidades especiais não se omitiam e principalmente não cediam a pressões políticas. Pessoas como Drummond estão fazendo falta.

No ano passado foi realizada a:
“1st National Jatropha Conference, Exhibition, July 26-28, 2006 World Agro forestry Center (ICRAF) United Nations Avenue, Gigiri, Nairobi, Kenya.”

Destaco uma das apresentações dava como referencia: “Experiments of size of hollows, fertilization with superphosphate had been diverse facts, without superphosphate + manure, and others, looking for to follow the experience of the EPAMIG.”. Um excelente documento do histórico do pinhão manso no Brasil.

3-, “mas em nenhum deles esta cultura é tradicional, nem existem lavouras bem estabelecidas (com pelo menos 5 anos)”.

Na própria referencia inicial de Heller (1996) na pagina 34 mostra que o pinhão foi durante anos importante fonte de renda de Cabo Verde respondendo por parcela das receitas de exportação. Destinavam as sementes de purgueira para Portugal e a França. Não custa lembrar que Cabo Verde em um período do século XIX teve uma das maiores rendas per capita mundiais.

Talvez lendo o poema “Nós” de Cesário Verde; vocês encontrem alguma tradição:

“....Uma iluminação a azeite de purgueira, De noite amarelava os prédios macilentos. Barricas de alcatrão ardiam; de maneira Que tinham tons de inferno outros arruamentos. Porém, lá fora, à solta, exageradamente, Enquanto acontecia essa calamidade, Toda a vegetação, pletórica, potente, Ganhava imenso com a enorme mortandade!”

Ou na própria historia quando em 1836 nos anais da Câmara Municipal de Lisboa quando discutiram o aumento dos candeeiros de 1840 para 2300 todos alimentados a óleo de purgueira fazendo que a casa acumula-se uma divida de 131 791$00 réis e propunham a suas substituições.

Ou ainda quando em 1842 foi concedida a patente a um inventor português para “extrair o azeite da planta denominada purgueira”. Referiam-se a uma cultura tradicional da época purgueira = pinhão manso.

4- “não foram encontrados relatos científicos confiáveis que informem sua produtividade; há somente estimativas feitas com metodologia inadequada, como extrapolar a produção de uma planta isolada para produtividade em uma lavoura comercial (Heller, 1996)”.

Em nenhuma das 66 paginas do documento dado como referencia (Heller, 1996) localizei tal afirmativa. Gostaria que fosse nomeada a pagina onde o autor se expressa desta forma, e ver o contexto das razões para tal afirmação.

Sendo o Professor Joachim Heller um defensor ferrenho da cultura do pinhão manso (jatropha curcas) deste os tempos da GTZ em diversos trabalhos e publicações e hoje no IPGRI (FAO) e IPK me causou surpresa tal afirmação. Existem também trabalhos do Joachim Heller anteriores do combate às pragas e cuidados com a cultura da jatropha curcas.

É bom lembrar mais uma vez que a semente de purgueira foi a principal fonte de receita de Cabo Verde desde 1930 até meados de 1960 em certo período foram produzidas 5000 toneladas em um ano (Heller, 1996). Provando ser uma lavoura comercial.

5- “transesterificação do óleo.”.

Quais são as vossas duvidas?

6-“-o pinhão manso ainda não foi domesticado”

Parte do século XIX as cidades do Rio de Janeiro e Lisboa eram iluminadas com óleo de purgueira quando faltava óleo de peixe. Postes de ferro fundido com candeeiros dependurados. A purgueira fazia parte do farnel dos grandes descobridores portugueses que a levavam para todas as localidades onde pretendiam fincar raízes (vale a dupla interpretação).

7-“a cultura não possui um sistema de produção minimamente validado”

O pessoal de Cabo Verde deve ser notificado com urgência. Estão trabalhando a mais de um século e produzindo sementes com uma cultura não validada.

8-“e a colheita manual” e o que eleva o custo de produção”

A proposta do Governo é a agricultura familiar para gerar emprego e trabalho. Mas se for necessário existem possibilidades para colheitas mecanizadas neste caso seriam necessárias grandes plantações em extensas áreas.

Não me parece que o Governo esteja pensando em grandes áreas agrícolas individuais para a agricultura familiar. O argumento não tem consistência.

O equipamento de colheita mecanizada esta fora da realidade da agricultura familiar brasileira neste instante. Mas como recomendou o Dr. Octavio em 1986 à própria EPAMIG e EMBRAPA ser viável a mecanização não me parece existir empecilhos.

Até a presente data não vi por parte dos signatários criticas com relação à não mecanização das colheitas de mamona.

Quanto aos custos: os da mamona serão sempre superiores ao do pinhão manso. Mas com uma vantagem enquanto a mamona destrói, pois existe um limite do uso da sua torta como fertilizante, já o pinhão fertiliza e recupera o solo degradado evita a desertificação (Heller, 1996).

9-“no Brasil, não há mercado estabelecido para o pinhão manso, podendo haver poucos compradores e preços baixos ao produtor”

No Brasil existem atualmente projetos para produção de 2 bilhões de litros de biodiesel e a Petrobras será o grande comprador. Parece que vocês duvidam da capacidade de compra da Petrobras.

Caso algum de vocês queira produzir tenho comprador internacional para comprar até 300 000 toneladas ano de óleo de pinhão manso com garantias de banco de primeira linha europeu.

10- “Diante deste cenário, conclui-se que no Brasil ainda não é possível plantar pinhão manso de forma racional”

O que é racional? Mamona?

11- “No entanto, por se tratar de uma planta perene, que só estabelece a produção após o quarto ano, estima-se que serão necessários vários anos para que se disponha de informações mais seguras sobre a cultura.”

A produção se estabiliza a partir do quarto ano (depende irrigada ou não irrigada), mas nos anos anteriores é capaz de produzir mais que a mamona com um custo menor. Não devemos nunca, esquecer das rotações obrigatórias da cultura da mamona a cada 2 anos.
Do pinhão apresenta nas suas externalidades vantagem extraordinárias como: preservar a fertilidade do solo, combater à desertificação, resgatar terras degradadas, produzir fertilizante natural de excelente qualidade, possibilitar concorsiamentos diversos, fabricação de pesticidas orgânicos para pragas que atacam o algodão, bem como de sorgo e milho (Heller,1996).

Culturas perenes fixam os agricultores as suas propriedades e a presença do pinhão manso no futuro permitirá as autonomias energéticas das propriedades.

Paises com Índia, China, Indonésia, Malásia, Mali, Tanzânia, Alemanha, Itália, USA, Áustria, Gabão, Egito, Angola, Japão, África do Sul e muitos outros todos estão apostando no pinhão, mas como o pinhão pode ter origens no Brasil vai valer o ditado “santo de casa não faz milagre”.

Percebendo que o programa precisa urgentemente de novos ares. A FEPAD Fundação de Estudos e Pesquisas em Administração e Desenvolvimento da Universidade de Brasília realizou o seminário “Potencial do Pinhão Manso para o Programa Nacional do Biodiesel” com os apoios dos Ministérios da Ciência e Tecnologia, do Desenvolvimento Agrário, da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, de Minas e Energia, da Petrobras, do Comitê Interministerial do Programa Nacional de Biodiesel da Casa Civil e da própria Embrapa.
Devemos sim agradecer em especial a todos os membros da corrente do pinhão manso aos Adãonetes, aos Trentos, aos Salemes, aos Ivans, os Drummonds, os Tominagas, a Heloisa com sua viagem homérica, aos Pedros, aos Lincolns, os Vedanas precursores e pioneiros, as Zenaides, aos Rossafas, aos Möllers e muitos outros não nominados que com esforços e recursos próprios continuaram a levar a bandeira do pinhão manso sem esmorecer apesar dos obstáculos naturais que toda cultura enfrenta e eventuais como este manifesto extemporâneo e inoportuno.

12- “Enfatiza-se ainda a necessidade de reforçar os investimentos em pesquisa para esta cultura, e sua manutenção por longo prazo, para que as atividades possam chegar a resultados definitivos, pois a interrupção desse apoio financeiro durante a execução do trabalho pode inviabilizar todo o processo.”

Afirmação que concordo sem nenhum questionamento principalmente pelo que já foi feito e o tempo perdido com a mamona.

Neddo Sandro Marcello Zecca mais um membro da corrente do pinhão manso.

Fonte:Portal do Agronegócio

quinta-feira, 18 de outubro de 2007

ALERTA SOBRE O PLANTIO DE PINHÃO MANSO

Recentemente um grupo de renomados pesquisadores brasileiros lançou um manifesto demonstrando uma grande apreensão quanto o incentivo ao plantio do pinhão manso em extensas áreas, pois, segundo eles, é uma cultura sobre a qual o conhecimento técnico é extremamente limitado e que grande parte das informações divulgadas sobre a cultura provém de fontes pouco confiáveis, principalmente da Internet, em páginas de empresas privadas, onde as vantagens da planta são exaltadas.
A seguir, citam-se alguns tópicos que merecem atenção sobre a cultura:

  • Em diversos países da América, África e Ásia há programas oficiais ou iniciativas particulares incentivando o plantio de pinhão manso para produção de óleo, sempre visando os biocombustíveis, mas em nenhum deles o pinhão manso é uma cultura tradicional, nem existem lavouras bem estabelecidas (com pelo menos 5 anos) onde se possa confirmar sua produtividade e rentabilidade de forma confiável;
  • Seja no Brasil ou em outros países, não foram encontrados relatos de experimentos com validade científica de longa duração que informem sobre a produtividade do pinhão manso em condições de campo; há somente estimativas feitas sem metodologia adequada ou por métodos questionáveis, tais como extrapolar a produção de uma planta isolada para produtividade numa lavoura comercial; a maior parte dos trabalhos científicos sobre pinhão manso são estudos de laboratório ou casa-de-vegetação sobre temas específicos, tais como fisiologia, toxicidade de suas partes, produção de mudas, tecnologia de sementes, transesterificação do óleo etc;
  • O pinhão manso ainda não foi totalmente domesticado e não existe nenhum programa de melhoramento genético bem estabelecido no mundo que tenha resultado em, ao menos,uma cultivar que pudesse ser cultivada com maior segurança;
  • A cultura não possui um sistema de produção minimamente avaliado a campo, para que se possa recomendar a forma de propagação (sementes, estacas, mudas), a população de plantio, adubação, como e quando podar, como e quando fazer a colheita etc;
  • Em observações preliminares que estão sendo feitas em lavouras cultivadas em diversas regiões do Brasil, nota-se que a planta é muito atacada por doenças (virose, oídio nas folhas, caules e flores, fusariose, podridão do sistema radicular e outras) e pragas (cigarrinha, ácaro branco, trips, broca do tronco, percevejo, cupim e outras);
  • A maturação dos frutos é muito desuniforme, o que obriga os produtores a realizar inúmeras passagens na lavoura durante a fase de produção, o que pode aumentar significativamente os custos de produção;
  • No Brasil, não há mercado estabelecido para pinhão manso; a indústria de extração tradicional possivelmente não se disporá a processar pequena quantidade dessa semente, pois necessitaria ajustar suas máquinas; há o risco de haver um ou poucos compradores para o produto, o que pode levar à prática de preços muito baixos, o que se agrava por se tratar de uma cultura perene, na qual o produtor não tem a opção de, no ano seguinte, migrar para uma cultura mais rentável, vendo-se forçado a aceitar o preço que a indústria oferecer; mesmo considerando a grande demanda para o biodiesel, essa fragilidade do produtor não muda, pois ele dificilmente terá opções de venda além da indústria de extração mais próxima;
  • não há no Brasil áreas contínuas de produção de pinhão manso para que seja feita avaliação da viabilidade econômica deste cultivo até a estabilização da produção, e mesmo as estimativas iniciais feitas por consultores têm indicado que a renda bruta por hectare é muito baixa para ser opção de renda;
  • As instituições bancárias ainda não estão preparadas para financiar o plantio de pinhão manso, pois não há garantia técnica para os produtores.

Diante deste cenário, conclui-se que no Brasil ainda não há tecnologia validada suficientemente para que se possa plantar pinhão manso de forma racional, e por isso recomenda-se aos produtores rurais que não cultivem grandes áreas, pois o risco de insucesso é alto.

Reafirma-se a crença no alto potencial produtivo e consideráveis vantagens que o pinhão manso possui, e a esperança de que essa oleaginosa, no futuro, tenha importante participação no fornecimento de óleo para biodiesel. Neste sentido, diversas Unidades Descentralizadas da Embrapa, instituições de pesquisa e universidades do país, contando também com parceria com outros países, já estão trabalhando no desenvolvimento de tecnologia para o pinhão manso, incluindo a criação de bancos de germoplasma, experimentos a campo, estudos em casa-de-vegetação e em laboratório. No entanto, por se tratar de uma planta perene, que só estabelece a produção após o quarto ano, estima-se que serão necessários pelo menos cinco anos para que se tenham informações mais seguras sobre a cultura.

Enfatiza-se ainda a necessidade de reforçar os investimentos em pesquisa para essa cultura, e sua manutenção por longo prazo, para que as atividades possam chegar a resultados definitivos, pois a interrupção desse apoio financeiro durante a execução do trabalho pode inviabilizar todo o processo.

Neste documento os autores, oriundos de várias unidadades descentralizadas da Embrapa - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária e da Epamig - Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais, evidenciam a necessidade de estudos mais aprofundados em áreas básicas, seleção de plantas mais produtivas e com maiores teores de óleo e de pesquisas tecnológicas, para se poder recomendar esta oleaginosa como opção para o Brasil, considerando-se o Programa Nacional do Biodiesel.

EQUIPE DE PESQUISADORES RESPONSÁVEIS PELO MANIFESTO:

Liv Soares Severino - Embrapa Algodão
Napoleão Esberard de Macêdo Beltrão - Embrapa Algodão
Nilton Junqueira - Embrapa Cerrados
Marcelo Fidelis - Embrapa Cerrados
João Flávio Veloso - Embrapa Milho e Sorgo
Nívio Poubel Gonçalves – EPAMIG
Heloisa Matana Saturnino – EPAMIG
Renato Roscoe - Embrapa Agropecuária Oeste
Décio Gazzoni - Embrapa Soja
Jason de Oliveira Duarte - Embrapa Milho e Sorgo
Marcos Drummond – Embrapa Semi-árido

Fonte: EMBRAPA
Ver também: Pinhão Manso e o Biodiesel

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Já são 42 Usinas de Biodiesel Autorizadas a Funcionar no Brasil

A ANP divulgou a atualização das usinas autorizadas a produzirem Biodiesel no Brasil.

Com a autorização de mais duas usinas, agora são 42 no total de plantas autorizadas a produzirem Biodiesel no Brasil.

Veja aqui o quadro com o Mapa do Biodiesel

Fonte:

Brasil já conta com 166 usinas de biodiesel, entre produzindo e em construção

O Brasil conta hoje com 166 plantas de produção de biodiesel, sendo que 42 delas já foram autorizadas pela ANP a funcionarem.

O Restante se divide em plantas que estão em diversos niveis da cadeia de produção, algumas já estão construidas e aguardam autorização de funcionamento da ANP, outras estão em construção ou mesmo em planejamento. Não podemos deixar de citar, ainda, as plantas pilotos que também precisam da autorização da ANP para funcionamento, porém não estão computadas entre as 42 aqui citadas.

Estamos num esforço muito grande para podermos disponibilizar o maior numero de informações sobre biodiesel.

Num país onde estamos acustumados a pagar por tudo, infomações na internet deveriam ser gratuitas.

Aqui você pode obter todas as informações

Sobre as usinas autorizadas pela ANP no País

O Mapa do Biodiesel no Brasil dividido por Região e Estado, com todas as Usinas do Brasil

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Unidade inovadora de biodiesel inicia produção

Tecnologia patenteada pela Westfalia, que não gera efluentes, está sendo instalada na Fiagril

A nova planta de biodiesel com o sistema de Econeutralização inicia a produção na Fiagril, em Lucas do Rio Verde-MT. “A tecnologia patenteada pela Westfalia, instalada pela primeira vez no Brasil, não gera efluentes”, explica Ivor Fazzioni, diretor da Westfalia Separator do Brasil (WS). A unidade de produção de biodiesel, que promete ser a maior da região, teve um investimento de cerca de R$ 35 milhões e conta com equipamentos de ponta da WS, além de ser totalmente informatizada.

A planta é flexível e poderá produzir de 120 mil a 135 mil toneladas de biodiesel por ano. : Essa produtividade é garantida uma vez que ela utiliza um sistema de limpeza integrado, denominado de Cip (cleaning in place, não sendo necessário desmontar nenhum equipamento da planta para a limpeza. “Além disso, enquanto é feita a limpeza do equipamento, o tanque já pode ser preenchido com a matéria-prima”, destaca Fazzioni. A opção pela planta da Westfalia, segundo Miguel Vaz Ribeiro, vice-presidente da Fiagril, foi motivada pelo fato de o processo de produção ser realizado através da separação de biodiesel e glicerina pelas centrífugas, o que permite uma operação mais ágil e eficiente, com um controle de qualidade mais rigoroso. “E tudo isso acaba gerando a redução dos custos operacionais”, destaca Ribeiro.

A Westfalia Separator, que pertence ao grupo GEA, maior fornecedor de processos industriais do mundo, com sede na Alemanha, já tem 34 plantas de biodiesel vendidas internacionalmente, inclusive na América do Sul. Algumas estão em fase de instalação e outras já em produção como, por exemplo, a da Iberol, em Portugal e a da Biocarburantes, na Espanha, e ainda outras em fase inicial (de comissionamento) nos EUAs e Argentina. Tanto a planta da Espanha, quanto a de Portugal produzem biodiesel com a mesma matéria-prima que será primordialmente utilizada na Fiagril, a soja. A empresa brasileira também produzirá a partir de outras matérias-primas como óleo de algodão e sebo. Outras unidades de plantas fornecidas pela Westfalia Separator, na Alemanha, por exemplo, produzem o biodiesel a partir de colza e óleo de palma.

Sobre a Westfalia Separator do Brasil (www.westfaliaseparator.com.br)

A empresa pertence ao grupo alemão GEA, líder mundial em equipamentos industriais, cujo faturamento anual gira em torno de 5 bilhões de euros. A Westfalia oferece soluções de engenharia de projetos e processos para o desenvolvimento e implementação de unidades completas para a produção de biodiesel - plantas industriais capazes de produzir até 300 mil toneladas por ano. A equipe da Westfalia Separator do Brasil, com 35 anos de experiência no processamento de óleos vegetais, também responde pelo desenvolvimento e implementação de plantas de pré-tratamento para a produção de biodiesel em toda a América do Sul, que garantem um processo contínuo e confiável. A empresa é reconhecida pela qualidade e agilidade de seus serviços de pós-venda.

Sobre a Fiagril (www.fiagril.com.br)

A Fiagril atua há 18 anos na região médio-norte do Mato Grosso. A empresa oferece produtos como insumos agrícolas, além dos serviços de recebimento e comercialização de grãos. E ainda produz biodiesel. A Fiagril é detentora do Selo Combustível Social.

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quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Biodiesel: Arrastão de cérebros

A inovação tecnológica terá um papel central para manter o Brasil em primeiro plano na produção de bioenergias. Mas o país precisa unir forças – e cérebros – para ser capaz de promover rupturas de paradigmas que permitam acompanhar o ritmo inovativo norte-americano, preservando a competitividade brasileira.

A análise foi feita por João Furtado, coordenador de inovação tecnológica da FAPESP, nesta quarta-feira (10/10), na Conferência Internacional dos Biocombustíveis (Enerbio), em Brasília.

“Nós nos preparamos para uma trajetória incrementalista, na qual fomos bastante competentes, acumulando um desempenho que em 30 anos se mostrou bem-sucedido. Os Estados Unidos apostaram em outra estratégia, de sucessivas rupturas de paradigma. Começamos em um patamar muito superior ao dos norte-americanos, mas o crescimento da inovação deles é muito maior”, disse Furtado à Agência FAPESP.

Segundo ele, há muita pesquisa de qualidade sendo feita no Brasil na área de bioenergia e não faltam investimentos, mas os esforços ainda são dispersos e precisam ser feitos de forma concatenada. “Os resultados de pesquisa levam tempo, mas a mudança de uma trajetória incrementalista para uma trajetória de mudança de ruptura é rápida. Para isso, é preciso reunir as pessoas com o conhecimento, fazer as perguntas relevantes e gerar um processo de mobilização de talentos”, afirmou.

Para o também professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, a ciência brasileira é plenamente capaz de responder aos desafios. “A ciência que fez a decodificação do genoma está pronta para cuidar desse assunto. Mas não há um sentido de missão. A química, a genética, a biologia, a agronomia brasileiras estão dispersas, cuidando de mil problemas. É preciso reunir cem mentes brilhantes para se debruçar sobre esse assunto. Elas não precisam necessariamente de remuneração a peso de ouro – a ciência brasileira não é mercenária. Precisam de um sentido de missão e um planejamento estruturado”, disse.

Furtado apontou que será preciso dar aos pesquisadores a consciência de que há um objetivo importante, ambicioso e consistente o suficiente para trazê-los para a pesquisa em bioenergia. “É preciso que o pesquisador olhe para o tema sabendo que o futuro está ali. Se estiver claro que o tema será crucial nos próximos dez anos, o pesquisador irá encaminhar seus estudantes mais brilhantes para ele.”

Para iniciar o processo, ele aponta que é preciso haver um engajamento generalizado. “Não se trata de vontade política. Isso já existe. O que precisamos é somar as vontades políticas divergentes e focá-las em um objetivo comum. Com isso, o Brasil será capaz de tirar proveito da necessidade mundial de bioenergia. E nem é preciso que sejamos os líderes desse processo – precisamos saber acompanhá-lo com uma distância razoável e sermos capazes de adaptá-lo à circunstância brasileira”, disse.

O exemplo dado pelo professor da Poli para um modelo competitivo de inovação em bioenergia vem do principal concorrente brasileiro no setor: os Estados Unidos. Segundo ele, a estratégia nacional para o setor energético norte-americano é sintetizada pelos objetivos traçados no projeto da Agência de Projetos de Pesquisa Avançados.

“São quatro objetivos: atrair o maior numero possível de mentes brilhantes; focar nos investimentos em que o setor industrial não está disposto a assumir riscos elevados; institucionalizar as atividades de modo que os projetos que demonstrem eficiência se consolidem e sejam descartados os que pareciam promissores, mas não se estabeleceram; e, por último, criar uma nova ferramenta para aumentar intercâmbio entre pesquisa pública e setor privado”, afirmou.

No Brasil, no entanto, a realidade estaria bastante distante disso. “As trajetórias atuais são exclusivamente incrementais, baseando o aumento da produtividade em fatores como disponibilidade de terra, mecanização induzida pela lógica empresarial e a oferta de energia elétrica”, afirmou.

Segundo Furtado, no caso do etanol, a cadeia produtiva é bastante diversificada, isto é, tem competitividade desde a base até o vértice. Cada parte da cadeia reforça a competitividade do produto final. Isso permitiu que o país aprendesse, no processo industrial, a obter mais rendimento da produção de cana, dando ao setor um crescimento de 1,5% nos últimos anos.

“O problema é que muito desse crescimento é explicado pelo aumento da área cultivada. Consultei uma série de especialistas que apontam ser possível manter esse crescimento na produção agrícola. Mas eles dizem que um incremento de 2% já é muito improvável. Ou seja, estamos no limite de crescimento. Daqui para a frente, o que vai fazer diferença é a inovação”, disse.

Fonte: Agência Fapesp

Governo garante produção de biodiesel para mistura em combustível

A cadeia produtiva de biodiesel está em largo crescimento. A menos de três meses da obrigatoriedade do B2 – adição de 2% de biodiesel ao diesel mineral -, o País se encontra em plenas condições de garantir o suprimento do combustível necessário para 2008.

De 22 milhões de litros produzidos em julho de 2007, a fabricação quase duplicou em agosto, saltando para 42 milhões. Levando-se em consideração este cenário de produção em ritmo crescente, mesmo sem ainda existir obrigatoriedade da mistura, a demanda para 2008 está assegurada.

A previsão de consumo são 840 milhões de litros de biodiesel para fazer a mistura B2, uma média de 70 milhões de litros por mês. De acordo com o Ministério de Minas e Energia (MME), a estimativa se encontra dentro das projeções para o abastecimento do mercado brasileiro.

Em 2005, havia quatro fábricas de biodiesel instaladas no Brasil e sete em 2006, aptas a operar e devidamente autorizadas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e pela Receita Federal do Brasil (RFB). Neste ano, mais 19 unidades foram concluídas, totalizando 30 em todo País habilitadas para produzir biodiesel. Outras 12 já estão prontas e autorizadas pela ANP, mas aguardam registro na RFB. Essas unidades representam uma capacidade instalada superior a 2 bilhões de litros anuais, mais do dobro da expectativa de mercado para 2008. Além dessas, outras 40 já protocolaram pedido de autorização na ANP.

O programa de biodiesel tem, ainda, um viés social voltado para a inclusão de pequenos agricultores na cadeia produtiva. Segundo informações do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), 91 mil famílias de pequenos agricultores estão diretamente envolvidas.

Os tributos federais incidentes sobre o biodiesel têm uma redução de quase 70% quando sua produção é feita a partir de matérias-primas adquiridas da agricultura familiar. Isso independe do tipo da oleaginosa e da região. Podem ser utilizados soja, mamona, girassol, palma, entre outras espécies. Essa redução fiscal pode chegar até 100% quando se usa mamona ou palma produzida por pequenos agricultores no Norte e Nordeste. Estas duas oleaginosas requerem notadamente muita mão-de-obra.

A produção de biodiesel deve observar que cada cultura agrícola, ou mesmo produtos de origem animal, como o sebo bovino, desenvolve-se melhor dependendo das condições do solo, clima, altitude e assim por diante. A escolha da matéria-prima, vegetal ou animal, é uma decisão empresarial. Por essa razão, o governo federal não determina qual espécie deve ser usada na produção de biodiesel, apenas desenha uma política tributária específica para estimular o desenvolvimento social e regional.

“Em várias regiões do País está se plantando muito girassol e mamona e grande parte das empresas já tem garantido o seu estoque de matéria-prima para biodesel”, afirma Ricardo Dornelles, diretor de combustíveis renováveis do MME. Vale ressaltar também que o Brasil possui o maior rebanho bovino do mundo e é um grande produtor e exportador de soja. No Sul do país, esta cultura é muito bem representada pela agricultura familiar.

Preço

Os preços para o biodiesel são livres, praticados segundo os critérios de leilão público de compra do produto. Entre 2005 e 2007, cinco leilões foram realizados. O objetivo inicial foi estimular o desenvolvimento da capacidade produtiva. Hoje isso já foi alcançado. Os novos leilões a serem realizados em novembro e dezembro próximos, para entrega a partir de 2008, quando a mistura se torna obrigatória, têm a finalidade de assegurar a estabilidade do abastecimento de biodiesel.

“Temos um quadro de oferta de produção maior do que a demanda mínima necessária para cumprir a lei, que é um fator importante para aumentar a competição e forçar queda nos preços”, esclarece Dornelles. Por outro lado, as principais matérias-primas para produção de biodiesel oscilam de acordo com flutuações do mercado internacional de óleos vegetais. O preço do leilão poderá tanto aumentar como baixar, tudo dependerá da conjuntura de mercado. Ainda de acordo com Dornelles, o importante é que, mesmo que ele seja mais alto, o reflexo disso para o consumidor é bastante pequeno, uma vez que se está misturando apenas 2% de biodiesel.

No último leilão, em fevereiro de 2007, o litro do biodiesel saiu a R$ 1,86. “Imaginemos que, num cenário pessimista, o preço chegue a R$ 2,50 nos novos leilões. Ainda assim o impacto no preço da mistura seria mínimo: aumento em apenas R$ 0,017 por litro de combustível, ou 0,89%. Uma variação ínfima para oferecer reflexos no bolso do consumidor final”, argumenta o diretor do MME. Além disso, em se tratando de um mercado competitivo, Dornelles acredita que a concorrência na distribuição e na revenda de combustíveis tende a absorver essa pequena diferença.


Fonte: Portal do Governo Federal

ANP: preço de biodiesel subirá nos próximos leilões

O diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Haroldo Lima, admitiu ontem (10/10) que o preço do biodiesel deve subir nos próximos leilões que serão realizados pela agência, a partir de meados de novembro. "O preço terá que ter ajustes, em função da alta do óleo de soja", afirmou.

A ANP vai leiloar 1,2 milhão de litros de biodiesel para atender à demanda esperada para o ano que vem, quando o produto passa a ser obrigatório, e marcou para o dia 22 audiência pública para discutir as regras da concorrência. A disparada da cotação do óleo de soja é apontada como um dos motivos para a reduzida entrega do biodiesel comprado pelas refinarias da Petrobras nos leilões realizados pela agência entre 2005 e 2006.

Até agora, apenas 40% dos 840 milhões de litros contratados foi entregue. Na época do primeiro leilão, quando o biodiesel foi vendido a R$ 1,80, a tonelada do óleo de soja em São Paulo custava em torno de R$ 1,1 mil. Em agosto deste ano, a cotação chegou a R$ 1,8 mil. "O produto não foi entregue por causa do preço", afirmou Lima.
A ANP acrescenta que houve também problemas de comissionamento de algumas usinas. A agência estuda uma maneira de impedir que os produtores inadimplentes participem dos próximos leilões. E pretende colocar preços mais realistas, que prevejam as oscilações do mercado de grãos. Para distribuidores de combustíveis, as altas cotações dos óleos vegetais devem ter pouco impacto para o consumidor comum, uma vez que o biodiesel representará, neste primeiro ano, apenas 2% do diesel vendido nas bombas.

Lima diz que o mercado já tem condições de antecipar metas de aumento do consumo de biodiesel. Segundo o planejamento atual, em 2013, as distribuidoras devem começar a vender B5 (mistura de 5% de combustível vegetal com 95% de diesel derivado do petróleo). Ele propõe um aumento gradativo da mistura. "Poderíamos colocar B3 em um ano e B4 no ano seguinte", explica.

A área técnica da agência fala em uma capacidade instalada de 2,1 bilhões de litros por ano para uma demanda inicial de 800 milhões de litros. Por isso, estão em estudo medidas para incentivar o uso do combustível en percentuais maiores por frotas cativas. Já nos próximos leilões, a ANP contratará volume maior do que o necessário para garantir volumes para consumidores industriais, alguns deles consumindo misturas com até 20% de óleo vegetal. As datas dos leilões e os preços máximos de venda do biodiesel serão anunciados após a audiência pública.

Fonte: A Tribuna da Imprensa

Analista diz que demanda de biodiesel não será afetada mesmo com o encarecimento do diesel mineral

O ministro das Minas e Energia, Nelson Hubner, prevê um pequeno aumento do diesel para o início de 2008 por causa das dificuldades iniciais do programa nacional de biodiesel. Pela legislação atual todo o óleo diesel comercializado no Brasil deverá ter uma adição mínima e obrigatória de 2% de biodiesel, a partir de 1º de janeiro do próximo ano. Hoje o preço do biodiesel chega a 30% superior ao óleo diesel. A mistura encarecerá o diesel mineral.

O professor do curso de Relações Internacionais da Trevisan Escola de Negócios, Alexandre Hage, afirma que, apesar da mistura obrigatória dos dois combustíveis a demanda ainda é muito pequena sobre o biodiesel. “Ao contrário do etanol, não podemos afirmar prontamente que o Brasil goze de dianteira na produção do biodiesel. Claro, há sim produção usada com muita parcimônia para compor apenas 2% do óleo diesel fóssil. Já quando falamos de etanol o combustível é usado 100% para carro a álcool. No caso da mistura com a gasolina, a mistura vai de 20 a 22%.”, diz.

O professor afirma que o desejo brasileiro é aumentar muito a produção de biodiesel, mas por enquanto sua produção ainda tem limites e gargalos que não são empresariais apenas, mas sim de tecnologia. “A produção do biodiesel ainda é muito dispendiosa financeiramente e há também o problema de qual fonte natural sairá o biodiesel, girassol, mamona ou soja. Certamente o Brasil vai ter conforto na produção e tecnologia de biodiesel, mas não para 2008”, conclui.


Fonte: Revista Fator
Da Agência

País precisa desenvolver tecnologias para manter liderança nos biocombustíveis, diz pesquisador

A posição de vanguarda do Brasil na exploração de energias renováveis está ameaçada pelos investimentos em pesquisa nos países desenvolvidos. A avaliação foi feita ontem (10-11) pelo consultor de Inovação Tecnológica da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), João Furtado.

Furtado falou durante a 2ª Feira Internacional de Agroenergia, Biocombustíveis e Energias Renováveis (Enerbio), que começou ontem em Brasília. O encontro reúne até hoje empresários do setor e representantes da comunidade acadêmica.

Para o consultor da Fapesp, o Brasil precisa ampliar as pesquisas com fontes alternativas de energia para se manter na liderança do setor e repetir a experiência do álcool combustível, que, segundo ele, só se consolidou no país por causa do investimentos em inovações tecnológicas. "As aplicações nessa área precisam ser crescentes, caso contrário, os países que mais investem em pesquisa nos deixarão para trás", advertiu Furtado.

Segundo o especialista, o Brasil precisa mobilizar autoridades, empresários e cientistas para assegurar a liderança nessa área de conhecimento. "É bom que seja assim porque as fontes de energia não-renováveis são esgotáveis, e em breve a produção do planeta não terá capacidade de atender a demanda", ressaltou.

A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que, nos próximos 12 anos, 20% da matriz energética mundial será composta por fontes renováveis. No Brasil, esse índice será de 45%. A previsão foi apresentada pelo presidente da Enerbio, Ronaldo Knack, na abertura do encontro.

Apesar dos números positivos para o país, Furtado avalia que a diferença em relação aos países desenvolvidos deve diminuir nos próximos anos. "Os Estados Unidos e o Japão estão mobilizando os melhores cientistas e destinando grandes volumes de recursos para avançar rapidamente no desenvolvimento de tecnologias na área de biocombustíveis, com vistas a recuperar o atraso nesse campo", destacou o consultor da Fapesp.

Pela manhã, a 2ª Enerbio teve painéis sobre desenvolvimento industrial, capacidade de investimento nacional e a influência do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) na melhoria da infra-estrutura no escoamento da produção de etanol.

Para esta tarde, o painel mais aguardado é o que discutirá a nova fronteira agrícola e industrial do país. Para esse debate, foram convidados os governadores do Distrito Federal, José Roberto Arruda; de Goiás, Alcides Rodrigues; de Minas Gerais, Aécio Neves; de Tocantins, Marcelo Miranda; e do Maranhão, Jackson Lago.

Fonte: A Tribuna do Povo

terça-feira, 9 de outubro de 2007

Goiás terá 84 usinas de álcool e açúcar, até 2015

Até 2015, Goiás terá 84 usinas de álcool e açúcar. A informação é de Ridoval Chiareloto, secretário da Indústria e Comércio de Goiás (SIC). Os investimentos ultrapassarão R$ 8 bilhões. Hoje, são 17 usinas em operação, 10 em construção e 20 em projetos. O setor gera 70 mil empregos diretos e indiretos. As 37 novas usinas criarão cerca de 27 mil ocupações diretas. Na safra 07/08, a previsão de área plantada de cana é de 364,24 mil hectares, o que corresponde a 0,7% do território goiano. Daqui a oito anos, esse tamanho chegará 10%, estimativa de 2,5 milhões de hectares, o que equivale a 2,5 milhões de campos de futebol. O presidente do Sindicato da Indústria de Fabricação de Álcool do Estado de Goiás (Sifaeg), André Rocha, não acredita na instalação de tantas usinas até 2015. Para ele, há muito a ser consolidado em termos logísticos para atrair empresários para o setor sucroalcooleiro.

Ridoval afirma que daqui a oito anos o setor sucroalcooleiro será o que mais gerará empregos e divisas a Goiás. “O governo estadual dará apoio para garantir a instalação dessas novas usinas”, diz. Dados do Sifaeg, com números fechados da safra 06/07 em comparação com previsões para a safra 07/08, indicam aumentos no setor goiano. Na safra anterior, a área colhida chegou a 203,73 mil hectares. Agora, a previsão é de que seja de 277,66 mil hectares, uma variação de 36,29%. Na safra 06/07 foram colhidas 16,14 milhões de toneladas de cana. Agora, a previsão é de 24 milhões de toneladas.

Segundo André Rocha, mesmo com o governo estadual trabalhando forte para a efetivação dos projetos futuros, muito fatos devem ocorrer para que a previsão se concretize. A falta de um mercado interno é um deles. Presidente do Sifaeg emenda que o mercado para as exportações não se mostra bom e os preços de comercialização têm sido baixos. “Em 2006, os EUA compraram muito o nosso álcool. A Índia, o açúcar. Em 2007 isso não ocorreu.” Ele ressalta ainda a existência de outros desafios a serem enfrentados, como a conquista da isonomia tributária.


Elisângela Santos
Fonte: Diário da Manhã - Goiânia/GO

Lula critica privatização de ferrovias e promete entregar mais de 3 mil quilômetros até 2010

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a privatização de ferrovias realizada em governos anteriores e prometeu que até o final de seu mandato, em 2010, entregará 1.234 quilômetros da Ferrovia Norte-Sul (do Pará a Goiás) e 1.900 da Ferrovia Transnordestina (sudeste do Piauí ao Porto de Suape, em Pernambuco).

“O pouco que a gente tinha foi privatizado e, em muitos casos, não exigiram responsabilidade para fazer os investimentos necessários”, disse o presidente hoje (9) em Anápolis (GO), durante inauguração de trecho duplicado de 121 quilômetros da rodovia BR-060, que liga Brasília a Anápolis. Também hoje, o governo federal faz leilão na Bolsa de Valores de São Paulo para privatizar cerca de 2.600 quilômetros de rodovias federais.

“Esse país deixou de ser um país de faz-de-conta, deixou de ser um país onde cada um fazia o que queria e a maioria não queria fazer”, afirmou o presidente em Anapólis. Segundo ele, não há investimento em infra-estrutura desde o governo Geisel (1974 a 1979), o que "atrofiou" o Brasil.

A obra na BR-060 começou em 1998 e foi concluída no mês passado. De acordo com o Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes (Dnit) de Goiás, foram gastos R$ 265 milhões no trecho, sendo R$ 173,6 milhões no governo Lula e R$ 91,4 milhões durante a gestão FHC. Desde o dia 27 de setembro, motoristas trafegam pela pista dupla.

Agora, os 171 quilômetros que ligam Brasília a Goiânia foram duplicados, de acordo com o Ministério do Transporte. A duplicação no primeiro trecho, de Goiânia a Anápolis, foi realizada entre 1981 e 1996, com investimento de cerca de R$ 37 milhões, conforme montante calculado na época, sem atualização. A restauração total dos dois trechos demorou 26 anos para ficar pronta.

Ainda segundo o ministério, as melhorias vão beneficiar cinco milhões de pessoas que vivem nos municípios goianos cortados pela rodovia (Alexânia, Abadiânia, Anápolis, Goianápolis e Goiânia), por onde 11 mil veículos passam diariamente. A BR-060 tem extensão de 1,3 mil quilômetros, desde Samambaia, no Distrito Federal, até a fronteira com o Paraguai, no Mato Grosso do Sul.


Carolina Pimentel
Fonte: Agência Brasil - ABr

Com novos leilões de biodiesel governo estende atuação da Petrobras

O governo decidiu estender por mais um ano a atuação da Petrobras como centralizadora das compras de biodiesel no País.

Em resolução publicada na sexta-feira da semana passada, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) determina que as refinarias brasileiras comprem em leilões todo o volume necessário para suprir o mercado no ano que vem, quando a mistura conhecida como B2 (2% de biodiesel mais 98% de diesel derivado de petróleo) se torna obrigatória.

A medida representa uma mudança de rumos, já que a previsão inicial era que o mercado atuasse livremente a partir de 2008, com as distribuidoras de combustíveis buscando fornecimento diretamente com os produtores de biodiesel. Segundo o diretor de combustíveis alternativos do Ministério de Minas e Energia, Ricardo Dornelles, o objetivo é evitar concorrência predatória no setor, uma vez que a capacidade de produção é hoje maior do que a previsão de consumo.

"Com os leilões, os produtores saberão quanto vão vender, por que preço e quando vão entregar", disse Dornelles, destacando que se trata de um período de transição. Segundo ele, o governo teme que a abertura repentina do mercado provoque a quebra de alguns produtores, que seriam pressionados a operar com margens negativas diante da grande oferta.

O Ministério de Minas e Energia garante que há capacidade para produzir 1,6 bilhão de litros de biodiesel por ano, enquanto o mercado deve absorver 800 milhões de litros.

Segundo a portaria, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) deverá promover quatro leilões de biodiesel até dezembro, com a encomenda de um volume equivalente a 3% da demanda de diesel, ou 1,2 bilhão de litros.

Os compradores são produtores e importadores de diesel de petróleo: na prática, apenas a Petrobras e a Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), parceria entre a estatal e a espanhola Repsol. O mercado seguirá o funcionamento atual, com as distribuidoras comprando o B2 da estatal.

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Apoio a biocombustíveis na UE soma 3,7 bilhões de euros

A União Européia concedeu 3,7 bilhões de euros em subsídios para a produção de biocombustíveis em 2006 e esse número pode crescer rapidamente diante do objetivo de Bruxelas de elevar a 10% a utilização de etanol e biodiesel no transporte rodoviário.

A constatação é da Global Subsidies Initiative (GSI), que contabiliza 46 usinas produzindo etanol na UE com produção de cerca de 2,9 milhões de litros. Outras 76 fábricas estão planejadas ou em construção, para uma capacidade adicional de cerca de 6,5 milhões de litros.

A UE tem 115 plantas de biodiesel em operação, com capacidade produtiva de cerca de 8,3 milhões de litros por ano. Outras 115 fábricas estão previstas para produzir cerca de 16 milhões de litros a mais. A GSI, uma organização não-governamental americana, afirma que o subsídio para o etanol, de 74 centavos de dólar por litro, é 50% mais alto do que para biodiesel. Quando ajustado para diferenças em termos de conteúdo energético, o apoio para etanol (1,10 euro por equivalente de litro de gasolina) é duas vezes maior do que para biodiesel.

Fonte:

Do:

Mentira Insustentável

Os governantes no mundo reconhecem o problema, dizem que é preciso fazer alguma coisa, proteger o ambiente, os ecossistemas, a biodiversidade, porém, na hora de decidir apenas criam uma comissão, ou um fundo.

*Por Najar Tubino

- Para proteger o meio ambiente os estados devem aplicar de modo mais amplo os princípios da prevenção, a falta de uma considerável certeza científica não deverá ser usada como motivo para adiar a adoção de medidas para evitar a degradação ambiental em decorrência dos seus custos.

-Até o final do século(XX) as emissões serão reduzidas ao nível de 1990. Os estados se comprometem a elaborar, atualizar e publicar inventários sobre as emissões de gases estufa, formular programas nacionais e regionais para controlar e diminuir os seus efeitos sobre as mudanças climáticas e promover processos de gerenciamento sustentável de elementos da natureza que contribuem para remover ou fixar esses gases, em especial as biomassas, as florestas e os oceanos...

A primeira citação faz parte dos princípios aprovados por 178 países na Eco-92, no Rio de Janeiro. A segunda é conseqüência, quando aprovaram os objetivos para deter a mudança climática, em outra convenção mundial realizada em 1994.
O Protocolo de Kyoto foi aprovado em 1997, e entrou em vigor em 2005, quando atingiu o mínimo de 55% das emissões mundiais, liberadas pelos 34 países signatários. Deve reduzir 5% das emissões até 2008, ou seja, no próximo ano. E o protocolo termina em 2012. A previsão das emissões de gás carbônico para 2010 passa dos 100 bilhões de toneladas. Os Estados Unidos, que não assinaram o documento, consomem 43% da gasolina no mundo, para deslocamento de 5% da população. É responsável por 25% das emissões – embora a China tenha ultrapassado esse índice no ano passado. De 1990 até 2000, os norte-americanos aumentaram l8% as suas emissões, ou seja, 235 milhões de toneladas. A média per capita de gás estufa liberada é a maior do mundo – 5 toneladas por habitante.

Nada de Definições

Muito bem. No final de setembro, o presidente George Bush Jr. Reuniu 15 representes dos países que mais poluem num encontro em Washington, tendo como tema principal o aquecimento global. Disse que precisamos fazer alguma coisa, mas nada de definir metas, nem números. É preciso criar um fundo global. Em 1992, na cúpula do Rio, os países ricos se comprometeram a investir 0,7% do PIB no desenvolvimento sustentável do planeta. Era algo como US$605 bilhões de dólares anuais. Nunca cumpriram.

Os governantes sofrem de amnésia. O planeta não. Os gases se acumulam, as respostas são reais e rápidas. Os efeitos do clima são cumulativos. Os oceanos levam milhares de anos concentrando calor, energia. Que vai ser distribuída de alguma forma, pelas correntes marítimas, pelos ventos alíseos, pela produção de nuvens, ou pela falta delas. Da primeira convenção mundial em Estocolmo (Suécia) sobre os problemas ambientais passaram 35 anos. De lá para cá foram assinados milhares de acordos, tratados, princípios, o principal deles a agenda-21, um calhamaço de 800 páginas, 40 tópicos, que põem uma nova visão do mundo. Mesmo assim o assunto continua sendo discutido, e muitos porta-vozes ainda se perguntam se existe ou não a participação nossa no aquecimento global. Será que a atividade da maior população de mamíferos do planeta (6,5 bilhões) tem alguma coisa a ver com a mudança climática e a degradação do planeta?
Um cego, um surdo e um mudo, em Cuiabá, no dia 2 de outubro, quando a temperatura chegou a 41 graus e a fumaça tomou conta da cidade, diriam que já passamos de qualquer limite possível.

Volta a amnésia

Chega de discursos e de convenções. Se quiserem fazer turismo no Rio de Janeiro e comemorar os 20 anos da Rio-92, assumam logo.Mas, antes, consultem os místicos, porque em 2012 existe uma previsão de uma grande catástrofe no planeta. É um ano chave. Não precisa ser místico para pensar no assunto. Alguns cientistas já detectaram um desequilíbrio energético, entre a energia absorvida pelo planeta e o que é rebatido ao espaço. O desequilíbrio é 1 watt por metro quadrado. Se o desequilíbrio acumular por 12 anos, quer dizer, 12 watts/m2, é a quantidade de energia suficiente para romper blocos de gelo nos pólos.

A contagem começou em 2000, na virada do milênio, portanto, 2012 poderá nos trazer notícias nada agradáveis. Os governantes no mundo continuam praticando a mesma política de sempre: reconhecem o problema, e dizem que é preciso fazer alguma coisa, proteger o ambiente, os ecossistemas, a biodiversidade, porém, na hora de decidir criam uma comissão, ou um fundo. E falam do crescimento econômico que não pode parar. Em 1992, o quarto princípio da assembléia da ONU, aprovada pelos 178 países presentes, dizia o seguinte:

-Para alcançar o desenvolvimento sustentável a proteção ao meio ambiente deverá se constituir em parte integrante do processo de desenvolvimento e não deve ser considerada de forma isolada.

O fundamento para garantir o futuro das próximas gerações, base do conceito de desenvolvimento sustentável, só vale na teoria. Se formos contabilizar as percentagens de destruição de espécies nos 15 anos posteriores a Eco-92, isso já seria um escárnio. Além disso, em 2002, foi realizada a Rio+10, em Joanesburgo, na África do Sul. Acho que nem 10% dos dirigentes mundiais participaram da cúpula. Os resultados foram insignificantes. Aí volta a amnésia, e eles propõem novamente uma convenção, um fundo.

*Najar Tubino é jornalista, autor da palestra "Uma visão Holística e atual sobre a integração do planeta", que trata das mudanças climáticas, aquecimento global, extinção de espécies, o funcionamento dos sistemas que compõem e movimentam a vida na Terra, com data-show, ilustrada com imagens de satélite da Nasa. Pode ser agendada pelo telefone: (51) 96720363 - E-mail:
najartubino@yahoo.com.br

Ilustração: Arquivo Público/NASA

Fonte: Eco-Agência

Organizador de feira de agroenergia critica plantação de cana na Amazônia

O organizador da Segunda Feira Internacional de Agroenergia, Biocombustíveis e Energias Renováveis (Enerbio), Ronaldo Knac, considerou hoje (9) “infeliz” a idéia de plantar cana-de-açúcar na Amazônia. “Isso é de uma insensatez total de quem não conhece a agricultura”, afirmou. Segundo ele, o país conta com outras regiões para a produção, como Goiás e Tocantins.

Ronaldo Knac também se posicionou contra produzir biodiesel a partir da mamona. Para ele, é mais viável produzir com uso de outras matérias-primas, como a soja. “A mamona temos que exportar para a Nasa [agência espacial americana] usar em seus projetos espaciais”.

“O litro de mamona custa no mercado internacional R$ 5 e qualquer outra fonte de matéria prima para produção de biocombustível, como soja, por exemplo custa R$ 1,30. Então apenas uma pessoa alienada da realidade econômica apostaria na mamona”, argumentou.

O chefe da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária Agroenergia, Frederico Ozanan Machado Durães, defendeu o plantio da cana-de-açúcar em regiões degradadas na Amazônia como uma das estratégias de "dinamicidade" para economias locais.

Fonte:

Biodiesel, no Brasil, dependerá da soja por até 10 anos

O chefe geral da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa Agroenergia), Frederico Ozanan Machado Durães, reiterou hoje em Brasília, durante abertura da segunda edição na Conferência Internacional dos Biocombustíveis (Enerbio), que o projeto de biodiesel do Brasil apenas irá se consolidar nos próximos 5 a 10 anos. Até lá, a oferta de biodiesel estará bastante dependente da soja por ser uma commodity com produção já estabilizada na agricultura brasileira.

"Embora outras oleaginosas tenham um teor de óleo muito superior, elas ainda precisam de pesquisa e de oferta em escala, o que não existe neste momento", disse.
Para Durães, o fato de as regras dos próximos leilões de biodiesel priorizarem a venda do produto da agricultura familiar com "selo social" deve ser visto como uma maneira de o governo incentivar os pequenos produtores, criando demanda cativa para sua produção. Ele acredita, contudo, que será o mercado que irá ajustar esta oferta e muito provavelmente será o biodiesel de soja que irá ser utilizado na entrada em vigor da obrigatoriedade da mistura de 2% de biodiesel no diesel mineral a partir de janeiro de 2008.

Segundo ele, 85% do biodiesel produzido hoje no Brasil tem a soja como matéria-prima. "Vamos precisar deste produto para dar início ao projeto, mas será um risco nos apoiarmos apenas nesta commodity durante muito tempo", comentou. Ele salientou a necessidade de um mapeamento do sistema de produção para um novo produto para o biodiesel, além de zoneamento agroclimático e, principalmente, a obtenção de uma infra-estrutura para a produção de sementes.

Durães afirmou que, apesar de o Brasil ter uma agenda pública para os biocombustíveis, presente no Plano Nacional do Agronegócio 2006-2011, ainda falta foco para o projeto. Ele ressaltou a necessidade de integrar ao programa aspectos econômicos, sociais e tecnológicos. "Tem de haver uma interação entre estes aspectos e não serem projetos estanques, isolados", informou.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Embrapa analisa áreas na amzônia para produção de álcool

A palavra final sobre a viabilidade ou não do plantio de cana-de-açúcar na grande Região Amazônica será dada só no segundo semestre de 2008. Porém, há claras indicações de que o governo pode liberar a implantação de projetos agroindustriais em áreas da Amazônia, apesar da polêmica com o Ministério do Meio Ambiente.

’Há áreas de cerrado na Amazônia Legal. O bioma amazônico também não é uniforme. O zoneamento que será feito pelo governo dirá quais são as regiões proibidas e aquelas liberadas, e, dentre essas, informará onde há competitividade de produção de etanol para exportação ou para o atendimento de demandas locais’, diz Frederico Durães, chefe-geral da Embrapa Agroenergia.

O trabalho começou pelas áreas tradicionais de produção de cana-de-açúcar, como em São Paulo, e nas áreas de expansão, como Triângulo Mineiro e Centro-Oeste. Nas áreas mais remotas, como a Amazônica, o estudo pretende - além de considerar as condições de solo e clima - dar ao setor privado informações sobre as condições econômicas e de logística da produção de cana ou de matérias-primas para a produção de biodiesel.

Enquanto na Região Amazônica cada hectare produz cerca de 80 toneladas de cana-de-açúcar (semelhante à Região Nordeste), no Sudeste essa produtividade chega a 110 toneladas. E cada tonelada rende no máximo 90 quilos de açúcar na Amazônia, enquanto no Sudeste são 135 quilos por tonelada. Com a produtividade reduzida e o transporte caro, resta como fator positivo apenas o custo da terra, cujo viabilidade de plantio não está definida.

MAPEAMENTO

Durães afirma que o governo está empenhado em, finalmente, criar um ordenamento agroecológico no Brasil a partir do qual o setor privado poderá se basear para tomar suas decisões de investimento. Por enquanto, isso não existe, e o que ocorre em todo o País é a escolha de áreas única e exclusivamente a critério de quem investe.

Daí a razão do embate entre os Ministérios do Meio Ambiente e da Agricultura. Se o zoneamento encontrar razões - nos mapas de clima e de solo e nas informações de satélites - de assegurar o acesso de áreas como a Amazônia para o plantio de cana, fica referendado qualquer empreendimento.

O WWF-Brasil, uma das organizações ambientalistas envolvidas na discussão sobre ordenamento da atividade da agroenergia no País, avalia que o problema não é exatamente elaborar um grande mapa do País no qual se definam as vocações locais, mas fazer com que esse imenso trabalho de fato subsidie a formação de uma política nacional para o setor e garanta a implementação.

A ONG também considera falsa a versão do setor sucroalcooleiro, de que é totalmente inviável a produção de cana em Região Amazônica. ’A questão, definitivamente, não é essa. O problema é mercadológico e logístico. Não acho que o avanço da cana na Região Amazônica vai ocorrer com vigor neste momento. Mas o problema, definitivamente, não está na inviabilidade agrícola. O que freia o avanço é uma mera questão mercadológica e logística. Se isso for equacionado, não tenho dúvida de que a região se tornará uma opção para a produção de álcool e de açúcar’, diz Luiz Fernando Laranja, coordenador do Programa Agricultura e Meio Ambiente do WWF-Brasil.

Fonte:

Montadoras resistem a aumento na mistura do Biodiesel

Os obstáculos ao programa de biodiesel não se restringem a problemas de planejamento e produção. Há resistência das montadoras em aceitar mistura superior à exigida pelo governo -hoje 2%- mesmo com tecnologia disponível para adoção de até 100% de biodiesel em caminhões e ônibus. Isso estaria atrasando o aumento da produção. O motorista que usar percentual maior que o previsto perde a garantia do motor.
Os fabricantes do biocombustível dizem que "falta iniciativa" do setor automotivo para acelerar o consumo. A maior reclamação é que nenhuma montadora no país dá garantia para o motor que usa mistura superior a 2%. Se isso acontecesse, dizem, a demanda pelo combustível seria maior, poderia haver elevação de preços e a produção seria mais rentável.

"Acredito que há certo comodismo, inércia da Anfavea [associação das montadoras]", diz o presidente da Ubrabio (União Brasileira do Biodiesel), Juan Diego Ferrés. Para ele, o comportamento impede iniciativas das distribuidoras, que poderiam vender produto "verde" com mistura superior à exigida. A legislação atual obriga a adição de 2% de biodiesel ao diesel mineral vendido no país a partir de 2008 e 5% após 2013. Em discursos, o presidente Lula tem dito que antecipará a adição de 5%, o chamado B5, para 2010, último ano de governo.

Nas montadoras, o principal argumento é que não foram feitos os testes para a mistura maior, o que especialistas questionam. O professor de mecânica automotiva do Instituto Mauá de Tecnologia, Renato Romio, diz que testes já mostraram que a mistura de 5% pode ser feita e o uso de 100% de biodiesel poderia ocorrer com poucos ajustes.

A Folha apurou que essa resistência das montadoras tem gerado certo desconforto no governo, principalmente no Ministério do Desenvolvimento. Alguns técnicos dizem que a demora poderia ser usada como forma de "barganhar" condições favoráveis para o setor.

Procurada para comentar o caso, a Anfavea divulgou nota dizendo que a entidade apóia o programa de biodiesel e que o uso de B2 "não traz problemas aos veículos, os quais continuam cobertos pela garantia, no decorrer do período originalmente dado". Ela informou que não comenta rumores.

O diretor do centro de metrologia em química do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) e diretor de biocombustíveis da AEA (Associação de Engenharia Automotiva), Antônio Bonomi, admite que a mistura de 5% praticamente não exige alterações nos motores, mas diz que a cautela das montadoras pode ser explicada pela qualidade do biodiesel brasileiro. Para ele, faltam alguns dados sobre o controle de qualidade do combustível.

Fonte:

Europa garante subsídios para 191 usinas de etanol

A Comissão Européia distribui subsídios para tentar compensar, e deslocar, a produtividade das exportações brasileiras de etanol. Com a ajuda estatal de mais de € 3,7 bilhões em subsídios, os projetos na área de biocombustíveis na Europa explodem. Dados que estão sendo divulgados hoje indicam que pelo menos 191 novas usinas estão em construção na Europa. Até o final de 2008, o bloco deve contar com pelo menos 342 usinas de etanol e biodiesel.

Os cálculos, porém, alertam que a produção de etanol na Europa simplesmente não poderia ocorrer se não fosse pelos bilionários subsídios. Setenta por cento do valor do etanol hoje é subsidiado, gerando um dos mercados mais distorcidos do mundo. Em muitos casos, a produção hoje na Europa não compensa financeiramente nem ambientalmente, e o fim dos impostos à importação poderia ser uma política mais eficiente que subsidiar a produção local.

Os dados estão sendo divulgados pela entidade Global Subsidies Initiative e são baseados em informações oficiais da Comissão Européia e apontam para os gastos de Bruxelas com o setor. Segundo os cálculos, o valor estimado dos subsídios de mais de € 3,7 bilhões em 2006 são apenas a ’ponta de um iceberg’. Cerca de 10% desse valor é dado aos produtores para que possam compensar as perdas com a concorrência vinda do Brasil. O biodiesel ainda recebe praticamente o dobro do valor destinado ao etanol - são € 2,4 bilhões para o biodiesel.

O Brasil também é impactado pelos subsídios. Cerca de 306 milhões foram distribuídos pela UE apenas em 2006 para permitir que o produtor local não seja afetado pelo etanol brasileiro. Isso sem contar a manutenção de altas barreiras contra o etanol brasileiro - as tarifas chegam a 63%. A competitividade brasileira, porém, está superando até mesmo essas barreiras. Em apenas três anos, as exportação do País passaram de 50 mil para mais de 1,2 milhão de toneladas em 2006.

O dinheiro chega aos produtores por uma rede de benefícios à produção e isenções de impostos nacionais, regionais e mesmo dados pela UE. Outra forma de subsídio é o empréstimo com juros abaixo das taxas de mercado, além de construção de infra-estrutura. Uma parcela dos recursos ainda pode ser distribuída se o produtor provar que está usando sua terra para plantar produtos que possam ser transformado em energia.

O resultado de tantos subsídios europeus é a produção recorde de biodiesel no mundo em 2006 de 5,5 bilhões de litros, ante 1,5 bilhão de litros de etanol. Dessa produção, 54% ocorreu na Alemanha, seguida pela França, com 15%, e Itália, com 9%. Os subsídios ainda permitiram que a Europa triplicasse sua produção de biodiesel em apenas três anos.

Mesmo com os investimentos, a Comissão Européia indica que faltará biocombustível no bloco. As estimativas são de que os europeus consumirão 12,5 milhões de toneladas até 2010. Mas terão capacidade de produzir apenas 9,9 milhões. E, para os economistas que prepararam o levantamento, a tendência é de que os subsídios aumentem de forma considerável nos próximos anos.

Fonte:

País tem mais de 20 fontes para biodiesel

Quando o assunto é matéria-prima para produção de biodiesel, o Brasil sai na frente. O País tem mais de 20 fontes - vegetais e animais - que podem ser aproveitadas e transformadas no combustível mais comentado do momento.

O mercado também tem espaço e o público consumidor pode crescer significativamente. As declarações são do engenheiro químico da Petrobrás, Carlos Najib Khalil, que esteve em Londrina essa semana para participar do 5º Encontro Brasileiro de Ecologia Química, promovido pela Embrapa. Ele comentou sobre os conceitos de biodiesel e as tecnologias pertinentes à sua produção.

Segundo o engenheiro, a cadeia produtiva do biodiesel é tão vasta quanto a do álcool e pode envolver os grandes e pequenos produtores. "Pode produzir o combustível quem tiver estrutura. Os agricultores familiares, por exemplo, podem participar de uma parte da cadeia produtiva", citou Khalil, destacando a produção da matéria-prima nas pequenas propriedades.

O importante, conforme ele, é pensar num processo com boa tecnologia em toda a cadeia produtiva, desde o cultivo dos grãos de oleaginosas até o procedimento industrial nas usinas de biodiesel. O engenheiro destacou que para uma produção sustentável é preciso pensar o início da cadeia, contemplando grãos com maior teor de óleo, aumentando a área cultivada e melhorando a tecnologia. Acima de tudo, é fundamental um estímulo do governo, uma política pública de isenção fiscal para que, principalmente, a produção chegue ao consumidor a um preço acessível.

Quanto à matéria-prima, acrescentou o engenheiro, o Brasil não tem com que se preocupar, pois o "cardápio é grande e variável", e bem distribuído: no nordeste, por exemplo, o cultivo maior é de mamona, palmáceas, dendê; no sul o foco é a soja, um pouco de girassol e ainda pode agregar a mamona. "O interessante é que o biodiesel não é feito de um único óleo, é possível fazer um "bland", uma mistura entre os diversos óleos", afirmou o engenheiro. A mistura pode acontecer inclusive entre o material vegetal e o animal.

Khalil frisou que o Brasil tem grande potencial produtor se comparado com outros países - atualmente produtores de biodiesel - como a Alemanha que só conta com a canola, a França com o girassol e os Estados Unidos com a soja.

Mercado para o biodiesel também não é preocupação, conforme o engenheiro. Ele comentou que o governo federal autorizou a mistura de 2% do biodiesel no diesel, mas a quantidade de biodiesel produzido representa apenas 1,4% do volume de diesel. "Claro que tem que se respeitar os limites: ou mistura 2% ou 0%. Mas dá para perceber que ainda não se produz o suficiente. E mercado comprador tem", disse.

Conforme o engenheiro da Petrobrás, o governo tem trabalhado políticas de incentivo para produção de biodiesel. Existem ofertas de créditos rurais para a produção de oleaginosas, com juros mais baixos. Além disso, segundo ele, o governo tem defendido a produção cativa, na qual o pequeno produtor planta oleaginosa e produz o biodiesel para utilizá-lo dentro da propriedade, com limite de até 10 mil litros mensais, sem poder comercializá-lo. No momento em que se sente capaz, o produtor pode se candidatar na Agência Nacional do Petróleo (ANP) para tentar produzir o biodiesel comercial.

Do:

Preço desestimula produção de biodiesel

Produtores têm optado por vender colheita para outros fins, como é o caso da soja, com cotação em alta no mercado externo.

Participação da agricultura familiar abaixo do esperado e falta de infra-estrutura prejudicam programa do governo, dizem especialistas

A avaliação de quem acompanha de perto o programa de biodiesel é de que o fracasso da iniciativa pode ser explicado por três motivos: produção abaixo do programado, participação aquém do esperado da agricultura familiar e infra-estrutura deficiente na logística. Para especialistas da área, os problemas foram gerados por falta de planejamento e gestão do próprio governo.

Dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo) mostram que a produção não conseguiu atingir nem um terço do previsto. De janeiro de 2006 a agosto de 2007, o Brasil produziu 261 milhões de litros de biodiesel.

O volume representa apenas 31% da estimativa para o biênio 2006/2007. Portanto, para cumprir o calendário previsto nos leilões da ANP, seria preciso produzir 144 milhões de litros por mês até o fim do ano -volume mensal duas vezes maior que a produção de 2006.

A produção abaixo do previsto tem explicação econômica: agricultores têm preferido vender a produção que seria usada no biocombustível para outros fins, que pagam mais que as usinas de biodiesel. Nisto, a principal vilã é a soja.

Ao contrário do discurso do governo, que exalta a participação da mamona e do dendê no programa, ao menos 80% do biodiesel brasileiro é produzido com soja, conforme dados da Ubrabio (União Brasileira do Biodiesel). Há estimativas de que essa participação poderia ser de até 90%.

Já as oleaginosas destacadas pelo governo para incentivos fiscais respondem por menos de 3% da produção. Até a gordura animal e o algodão vêm representando fatia maior.

Com a participação majoritária da soja, o biodiesel foi duramente atingido pela disparada dos preços internacionais da commodity. O consultor Univaldo Vedana, da consultoria Biodieselbr, diz que o aumento da demanda na Ásia, principalmente na China, acabou jogando contra. Isso tornou mais atraente ao produtor vender o grão para fazer óleo de soja.

"Hoje estão comprando o óleo de soja a R$ 2 para o biodiesel, para vender o produto a R$ 1,80. Construíram as usinas pensando que a soja resolveria o problema, mas todo mundo pensou assim", afirmou.

O preço da soja subiu ainda mais por conta da entressafra nacional -enquanto a tonelada do produto ronda os US$ 1.000 no mercado interno, estacionou na faixa dos US$ 830 na Bolsa de Chicago.

Outro ponto problemático atinge o aspecto preferido do presidente Lula: o papel social do programa. Para usinas que têm parte da matéria-prima comprada na agricultura familiar, o governo dá isenção de PIS/Cofins, o que incentiva os pequenos agricultores.

Mas com a seca dos últimos meses, a safra desses produtores caiu. O coordenador de Biocombustíveis do Ministério do Desenvolvimento Agrário, Jânio Rosa, estima que a safra que começa a ser colhida deve ser até 20% menor que a esperada.

Mas há casos mais dramáticos. O presidente do sindicato de trabalhadores rurais de Canto do Buriti (PI), José Francisco da Luz, diz que um agricultor local colheu apenas 14 quilos de mamona por hectare, enquanto a expectativa era de mais de 1,5 tonelada. "O mais comum é o pessoal que tirou entre 100 quilos e 300 quilos", diz.

Procurado pela Folha insistentemente para comentar a queda, o governo não obteve consenso sobre a participação da agricultura familiar na produção de biodiesel. Enquanto o Ministério do Desenvolvimento Agrário informava 24%, o Ministério das Minas e Energia defendia que o índice era, na verdade, de 36%.

A pesquisadora Silene Fretas, do Instituto de Economia Agrícola de SP, também critica o incentivo para a agricultura familiar, que estaria provocando uma "distorção do mercado". "É bem possível que o biodiesel possa se desenvolver sem a agricultura familiar. Só está servindo para produzir uma distorção no mercado. Quem não tem o selo social vende a produção para quem tem, pois só quem recebeu o selo participa dos leilões."

Falta de estrutura
Por fim, também há críticas à infra-estrutura do programa. O diretor do centro de metrologia em química do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) e diretor de biocombustíveis da AEA (Associação de Engenharia Automotiva), Antônio Bonomi, alerta que o biodiesel tem "prazo de validade" menor que outros combustíveis.

Segundo ele, a produção pode ficar estocada em um período que alcança até seis meses. Mas existem dúvidas se as distribuidoras de combustível -responsáveis por fazer a mistura de 2% no diesel- teriam tanques suficientes para garantir a mistura durante o ano todo, independentemente da sazonalidade da safra.

Procurado, o Sindicon (Sindicato de Distribuidoras de Combustível) informou que boa parte do setor está preparada para o início da mistura obrigatória, em janeiro de 2008, e que todos os associados estarão prontos até o final de dezembro.

Fonte:

Do:

Brasil fica sem biodiesel previsto para 2008

Por falta de matéria-prima, produtores têm apenas 31% do volume necessário para o início do programa nacional, em janeiro.

Indústria e governo admitem que atual ritmo de produção não será suficiente para poderem cumprir a mistura obrigatória de 2% no diesel

Bandeira política do presidente Lula, o programa nacional de biodiesel fará a sua estréia no próximo ano sem o principal personagem -justamente o biodiesel na bomba de combustível para o consumidor. Tanto a indústria como o governo concordam em que a produção não será suficiente para a mistura prevista em lei.

A legislação atual prevê o uso "mínimo obrigatório" de 2% de biodiesel no diesel mineral a partir de 2008. Para isso, seriam necessários 720 milhões de litros do biocombustível. A ANP (Agência Nacional do Petróleo) comprou antecipadamente 840 milhões de litros -apenas 31% disso está pronto, e o restante não será entregue por falta de matéria-prima.

O programa previa a adição de 5%, o chamado B5, a partir de 2013. A partir de anúncios de investimentos feitos por grupos empresariais, Lula decidiu antecipar o B5 para 2010. O governo se fia na capacidade instalada de produção, que beira hoje os 2 bilhões de litros. A dificuldade é concretizar isso.

"Não temos como atender a demanda de 2008; o custo de produção do biodiesel ultrapassa o preço do diesel universal. Produzimos até agora mais de 200 milhões de litros. Temos um déficit de 600 milhões de litros que, em hipótese nenhuma, será suprido", afirmou Nivaldo Trama, presidente da Abiodiesel (Associação Brasileira de Indústria do Biodiesel).

O diagnóstico é conhecido do governo, embora autoridades tenham dificuldade de divulgar as falhas do programa. Procurado pela Folha, o Ministério de Minas e Energia concordou com a avaliação depois de informado que eram os próprios empresários quem denunciavam a insuficiência de produto.

"Não vamos receber todo esse biodiesel contratado. Mas isso não põe em risco o programa, não é nenhum fim do mundo. Vivemos um período de estruturação da produção", afirmou Ricardo Dornelles, diretor de Energias Renováveis do Ministério de Minas e Energia.

O presidente da Ubrabio (União Brasileira do Biodiesel), Juan Diego Ferrés, aponta também a existência de um "descompasso" entre a logística disponível no país e a operação prática de misturar o biocombustível ao diesel mineral.
Até esse ponto concordam tanto o governo como empresários do setor. Mas basta o assunto mudar para os motivos da frustração de safra e dificuldades do programa para aparecerem flagrantes divergências.

Enquanto o poder público vê "percalços normais" que serão sanados, o setor privado reclama de "frustração" e de incentivos fiscais confusos. "A ANP já vai fazer novos leilões. Temos problemas, mas são percalços de uma indústria que começou do zero", diz Dornelles.

A ANP reconhece hoje a existência de 44 projetos envolvidos com a produção de biodiesel no país, mas as associações do setor ressaltam que apenas "quatro ou cinco" conseguem produzir efetivamente.

Dornelles nega que o governo esteja preocupado com a falta de biodiesel no ano que vem. "Os problemas iniciais foram resolvidos, e a partir do segundo semestre várias unidades foram autorizadas. Não temos nenhuma preocupação com falta de matéria-prima nem com falta de produtores."

Apesar de apontar o problema, Ferrés e outros empresários do setor tiveram audiência pública com Lula em 26 de setembro para pedir aumento dos percentuais de mistura, que começa em 2%. O governo respondeu positivamente e, mesmo com a produção menor, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) prometeu estudar a alta gradual da mistura -para 3%- após os primeiros meses de 2008. O argumento dos produtores é que há capacidade de produção mais de duas vezes superior à demanda potencial.

Agricultura familiar

Uma das principais divergências diz respeito ao incentivo estatal para o uso de matéria-prima cultivada em escala familiar de produção. O programa estabelece incentivos fiscais de acordo com o percentual de agricultura familiar envolvido na produção.
"A agricultura familiar tem um caminho próprio. O biodiesel foi muito impactante, houve uma receptividade muito boa. Mas na hora de cumprir compromissos as famílias não tiveram capacidade", disse Trama.

Para o Ministério das Minas e Energia, no entanto, "os resultados até agora são os esperados". "A participação da agricultura familiar está em linha com as expectativas, achamos que pode crescer ainda muito mais, obviamente. Estamos satisfeitos, mas não acomodados", declarou Dornelles.

Fonte:

Usinas de biodiesel param por falta de comprador nacional

Há três meses da obrigatoriedade do B2 - adição de 2% de biodiesel ao diesel - usinas que produzem o combustível estão paradas porque não existe demanda pelo produto.

"Por incrível que pareça estamos no início de outubro e não tem nenhuma negociação aberta. Não encontramos compradores", afirma o diretor comercial do Grupo Agropalma, Marcelo Brito.

A empresa, que já está com as operações paradas, terá férias coletivas em novembro pelo mesmo motivo. "Quando voltarmos, no início de dezembro, iremos produzir o volume para abastecer os testes em nossas fazendas. A três meses do B2 ainda não sei dizer o que vamos fazer", diz Brito.

Em setembro, o grupo concluiu as entregas do leilão da Petrobras e agora se encontra em fase de manutenção. Brito critica a estatal por oferecer preços impraticáveis pelo biodiesel, ampliando cada vez mais a oferta. A opinião é compartilhada pelo diretor comercial da Bioverde, Alexandre Pereira da Silva, para quem ainda não existe um mercado para os produtores que não entraram nos leilões da Petrobras. "Para alavancar o programa de biodiesel estão subsidiando o preço para as distribuidoras", avalia.

A expectativa do setor para os próximos leilões da Petrobras é a de que os preços sejam corrigidos. Para Silva o ideal seria que o biodiesel fosse considerado um aditivo e não um combustível, assim teria um preço diferenciado, alinhado a demanda. Procurada, a Petrobras não quis comentar o assunto.

O Ministério de Minas e Energia definiu na última sexta-feira um cronograma para os próximos leilões de biodiesel promovidos pela Agência Nacional de Petróleo (ANP). Os dois primeiros serão realizados na primeira quinzena de novembro e serão negociados contratos entre os fornecedores e distribuidores para entrega do biocombustível durante 2008 e em dezembro serão realizados mais dois leilões para suprir a expansão do mercado.

A relação entre a atual oferta e demanda de biodiesel é contraditória. De acordo com o presidente do Conselho da União Brasileira do Biodiesel (Unabio), Juan Diego Ferrés, a produção já é o bastante para atender a obrigatoriedade do B2 e a capacidade instalada atualmente já poderia atender também uma possível demanda de B5.

O governo federal já sinaliza que deverá adiantar a obrigatoriedade do B5, aumentando conseqüentemente a demanda.

No mês passado o assunto foi discutido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, e representantes da Unabio. Na ocasião o governo informou que estuda adicionar gradualmente mais 1% de biodiesel ao B2, antecipando de 2013 para 2010 a entrada do B5 em vigor. O objetivo seria induzir o aumento de produção de forma espontânea e conforme a adesão dos produtores a adição passaria a ser obrigatória.

Ferrés alertou para o descompasso atual no setor, cuja oferta do combustível é maior que a procura. Segundo informações da Agência Brasil, Ferrés afirmou que a oferta de biodiesel acompanhou o entusiasmo e esse entusiasmo se transferiu aos empreendedores, que colocaram seus investimentos numa capacidade superior a que era imaginada.

Brasil Ecodiesel:

Na contramão do setor a Brasil Ecodiesel, maior empresa de biodiesel do País, anunciou que o volume de vendas realizado no terceiro trimestre, cerca de 53 mil metros cúbicos, superou em 57,7% o trimestre anterior. O volume ainda não foi auditado.

Segundo o diretor de Relações com Investidores da Brasil Ecodiesel, Ricardo Vianna, o resultado já é o reflexo do novo cronograma de entrega repactuados junto à Petrobras

A empresa finaliza ainda as negociações para o início das exportações de glicerina, subproduto resultante do processo de produção do biodiesel.

Fonte: