terça-feira, 22 de maio de 2007

Potencial energético e alimentar do licuri é discutido em workshop


O Licuri ou Ouricuri (Syagrus coronata), uma das principais palmeiras da região semi-árida do Brasil, é uma importante alternativa no combate à desnutrição infantil e serve de matéria-prima na produção de biodiesel na Bahia. Esse é o resultado das pesquisas do Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet/Ba) apresentado no workshop de beneficiamento do fruto, que aconteceu na instituição para divulgar, discutir ações e valor nutricional da planta, além de propor políticas públicas de inclusão e valorização das mulheres e jovens produtores de licuri, no contexto e produção familiar.

A atividade começou ontem (21) e segue até hoje (22), reunindo autoridades, estudantes e pesquisadores, deputados federais e estaduais, prefeitos e representantes da sociedade civil organizada.

O secretário da Agricultura do Estado, Geraldo Simões, participou da solenidade de abertura, representando o governador da Bahia, Jaques Wagner. Ele reafirmou o compromisso com o semi-árido e o desenvolvimento do sistema público de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER), bem como o processo de agroindustrialização. Simões ainda propôs a firmação de parceria para desenvolver uma pesquisa agropecuária do Estado.

“A potencialidade do licuri era desconhecida e pouco explorada. Pesquisas de extensão como essa são muito importantes para a agregação de valor dos produtos regionais e para o desenvolvimento da Agroindústria. É uma cultura com grande peso sócio-econômico”, considera o secretário de Agricultura do Estado.

O estudo sobre o licuri foi desenvolvido no município de Caldeirão Grande, localizado na zona fisiográfica de Jacobina, cuja produção chega a 15 milhões de liculizeiros. A localidade tem 15 mil habitantes, sendo que 3 mil sobrevivem da produção do fruto.
Segundo a pesquisadora Mirtânia Leão, que integra o núcleo de pesquisa e produção em Química, do Cefet, o licuri é uma grande fonte energética e produz 60% de óleo, matéria-prima para o biodiesel (20% a mais que a mamona). Mas, segundo ela, o retorno social é ainda maior.

A pesquisa também revelou o alto teor de minerais na composição do licuri, essenciais para o organismo humano e animal. Entre os subprodutos, a farinha, compotas, iogurtes, geléias sorvetes da polpa e da amêndoa e sucos, que devem ser usados na merenda escolar pública. As folhas da palmeira também rendem uma diversidade imensa de artesanato – chapéus, vassouras, bolsas e balaios, esteiras, etc.

“Apesar do potencial nutritivo e oleaginoso do licuri, a planta tem sido pouco explorada comercialmente. Basta estimular o consumo, mostrando o amplo mercado que ele pode ter, com a sistematização da produção dos diversos produtos gerados a partir do fruto”, avalia a pesquisadora Mirtânia Leão.

Além do programa Bio-Sustentável, da Secretaria de Agricultura do Estado, que objetiva a inserção dos pequenos produtores na base de produção e beneficiamento das culturas fornecedoras de óleos para fins de biodiesel, o órgão ainda desenvolve o Sistema Estadual de Comercialização da Agricultura Familiar (SECAF) para organizar e promover o comércio em sistemas de redes de produção da agricultura familiar nos mercados regional, nacional e internacional.

Fonte: Seagri/BA

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