quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Há uma crise de energia no Brasil

O Brasil enfrenta um novo desafio que poderá ter sérias conseqüências sobre o crescimento econômico, se o governo não se conscientizar urgentemente de que há um risco cada vez mais grave de racionamento de energia elétrica. Não adianta criar grupos de estudo e continuar dizendo que a situação está sendo acompanhada com grande atenção nem fazer desmentidos levianos de que “tudo está sob controle”. Não está, não, nem um pouco.

O petróleo beira a US$ 100 e vai passar disso; falta gás; há atraso na exploração de gás na Baixada Santista; há inércia quanto à utilização de bagaço de cana e etanol nas usinas térmicas; e, finalmente, há os trágicos atrasos nas obras de hidrelétricas. Sob o pano de fundo de um crescimento econômico de 5%, tem-se um quadro sombrio já a partir do próximo ano.

BOLÍVIA NÃO É CONFIÁVEL

Exagero? Não. É essa a realidade que, parece, Brasília procura dissimular. A Petrobrás continua prometendo que terá gás, mais caro, sim, mas terá, mesmo sabendo que suas fontes de fornecimento são duvidosas. Não podemos confiar na Bolívia, mesmo porque Evo Morales continua sendo instigado pelo seu mentor, o irresponsável, o “generalíssimo” ditador de fato Hugo Chávez, a agir contra o Brasil. Foi ele que atiçou a Bolívia contra a Petrobrás e foram seus técnicos que substituíram a empresa brasileira quando da invasão do exército boliviano nas refinarias brasileiras. É ele que está dando assessoria à Bolívia para se contrapor à estatal brasileira nas negociações que se realizam agora. É ele também que ataca o etanol, porque afeta o seu petróleo de US$ 100, que alimenta a sua patética revolução socialista.

E O GÁS BRASILEIRO?

Mas nós precisamos de gás. Não só para abastecer veículos - fato que parece sensibilizar tanto o presidente -, mas para as térmicas. E não cuidamos, em tempo, de buscar outras fontes alternativas à Bolívia.

Só agora a Petrobrás fechou contratos para contratar navios e importar gás liquefeito. Eles chegarão em 2008 e nos próximos anos, mas não podemos contar com quantidades suficientes por algum tempo. A saída teria sido a empresa, há muitos anos, intensificar as prospecções nas bacias marítimas, pois já se sabia que havia reservas pelo menos em Santos. Mas pouco ou nada se fez, e o gás continua lá.

Uma explicação para o desleixo da Petrobrás talvez seja o fato de que o gás compete com o óleo, que a empresa tem; como é mais caro, rende-lhe mais. Agora, ela promete cobrir a diferença de preços quando o óleo combustível substituir o gás que ela prometeu.

NÃO FOI FALTA DE AVISO

Há meses esta coluna vem refletindo alertas de todos os lados para a grave ameaça de racionamento. Apenas um exemplo. A coluna de 24 de maio, sob o título ‘Térmicas e hidro ou racionamento’, informava que o plano B do governo para um atraso evidente nas usinas do Madeira - a Bolívia nessa data estava protestando contra elas - era instalar 5 mil megawatts em térmicas e reiniciar Angra 3. Só que, para as térmicas, não tínhamos gás nem carvão, que teríamos de importar da China, e só nos restaria o óleo combustível; e a nuclear levará ainda anos, pois as obras estavam paradas há mais de 20 anos.

E O BAGAÇO DE CANA?

Em outra coluna, transmitíamos o alerta de que poderíamos usar o bagaço de cana nas próximas usinas térmicas, já que o tínhamos em grande volume. Fizeram reuniões em Brasília, falaram muito, criaram comissões e, até agora, nada. Havia, ainda, a possibilidade de revitalizar algumas usinas hidrelétricas antigas. Também aqui, nada.

Resultado: se crescermos 5%, teremos de instalar 5 mil megawatts por ano e estamos instalando, hoje, apenas 2,7 mil megawatts. Há usinas hidrelétricas atrasadas, o projeto do Madeira enfrenta dificuldades, como era mais do que previsto, e hoje, mais do que nunca, se reconhece que as duas usinas não chegarão a tempo para evitar o racionamento. Temos aí mais de cnco anos de espera. E isso com otimismo.

A SITUAÇÃO É GRAVE, SIM

O cenário energético que temos aí é muito grave; há grande risco de racionamento, o que exige uma ação imediata, pois as obras de hidrelétricas demandam pelo menos cinco, seis anos e sempre mais no Brasil, e as térmicas dependem de combustível que ainda não temos em volume suficiente, ao mesmo tempo em que desprezamos do que dispomos, bagaço de cana ou etanol, para esse fim.

A Petrobrás está prometendo o que não pode cumprir, o petróleo vai passar de US$ 100 e isso afetará os preços dos combustíveis como gasolina, óleo, diesel e outros derivados. A indústria brasileira se preocupa; os investidores externos começam a rever projetos, à espera de uma ação do governo.

Não hesito nem um pouco em afirmar que estamos à beira de uma crise energética em todos os níveis - combustíveis líquidos, energia elétrica, gás.

A Petrobrás se atrasou porque queria se atrasar na busca do gás, que, sabemos agora, comprovadamente, temos, e ficamos na dependência de um gás duvidoso, que vem do exterior. Caímos nas mãos de Evo Morales, discípulo de Hugo Chávez e Fidel Castro...

É pena. Tudo isso poderia ter sido evitado, se tivéssemos agido há alguns anos. Agora, é correr contra o risco ou será o racionamento.


Alberto Tamer
Fonte: O Estado de S. Paulo

Um comentário:

Antonio Marques disse...

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