quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Cana transgênica não conssegue vencer a burocracia brasileira

É cada vez maior a demanda por pesquisas com variedades de cana-de-açúcar geneticamente modificadas. No total, 73 projetos já foram executados no País ou aguardam a liberação na Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). Além do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), que já tem 40 pesquisas iniciadas, Basf, Alellyx e Bayer são as empresas que entraram com pedidos na Comissão no segmento de cana, cada uma com 14, 13 e 2 estudos desenvolvidos, respectivamente.

As transnacionais Monsanto e Syngenta, em parceria com a Cooperativa dos Produtores de Cana, Açúcar e Álcool de São Paulo (Coopersucar), também realizaram testes em campo. A última reunião da CTNBio não foi realizada por falta de quórum. Dos 54 membros da comissão, apenas 22 compareceram.

Segundo nota divulgada pelo Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT), os membros da instituição decidiram não participar da reunião por estarem desanimados com as constantes intervenções da Justiça nas decisões.

Reunião, para compensar o cancelamento da última reunião. Estarão na pauta da reunião dois pedidos de liberação planejada no meio ambiente de cana do CTC. Há mais de 30 anos desenvolvendo tecnologias para o setor canavieiro, a entidade é a registra o maior número de projetos aprovados na CTNBio. "Já temos tecnologia para produzir cana com maior produção de açúcar por hectare, resistente a insetos, a doenças e a variedades tolerantes à seca", destaca Andrade. Para ele, as recentes aprovações de milho e soja mostram uma clara mudança rumo à aceitação de transgênicos, mas a cana está numa fase muito anterior à dessas culturas.

Retrocesso

Pesquisadores temem um retrocesso no desenvolvimento de tecnologias para o setor sucroalcooleiro em razão da morosidade na liberação no meio ambiente de variedades de cana-de-açúcar geneticamente modificada.

Com variedades transgênicas que aguardam apenas a liberação para sua aplicação no campo, segundo especialistas, o Brasil corre o risco de sofrer uma fuga de investimentos para países com o processo de comercialização de transgênicos mais avançado, como a Argentina, e ainda colocar em risco sua competitividade. "A cana energética, para o biocombustível, está lá para sair, mas precisa ser autorizada. Se ficar aguardando a liberação mais de dez anos como aconteceu com outras commodities, será inviável desenvolver essa tecnologia no País", avalia a presidente da Associação Nacional de Biossegurança (Anbio), Leila Oda. Ela usa como referência a liberação do milho Bt, cuja comercialização demorou 12 anos a ser aprovada no Brasil.

A Argentina já comercializa soja e milho transgênicos desde 1996, acumulando, nesse período, ganhos de US$ 19,7 bilhões e US$ 481,5 milhões, respectivamente.

Para o diretor do CTC, Tadeu Andrade, hoje a Austrália e a África do Sul são os principais concorrentes do Brasil nesse segmento. "Eles também têm dificuldade, mas as regras são mais rápidas e a tendência é eles conseguirem a aprovação mais rápido", afirma Andrade.

De acordo com um estudo divulgado pela Universidade de Bradford, o custo para se adequar aos requisitos que atendam à regulamentação de biossegurança exigida atualmente varia de cinco a dez vezes o custo para desenvolver o produto. "Isso reduz as chances de pequenas empresas e instituições públicas investirem em pesquisa", diz Oda. "A morosidade das aprovações faz com que as multinacionais procurem outros países", ressalta o coordenador de Produção da SLC Agrícola, Mário Penteado.

Especialistas do setor esperam que a forte entrada de grupos estrangeiros no setor sucroalcooleiro no Brasil pressione o governo, por meio da CTNBio, a realizar liberações direcionadas ao setor. "É o que esperamos, a articulação de diferentes segmentos para não pulverizar esforços. Podemos perder empresas por falta de perspectivas: algumas já estão pensando em migrar para outros países", reforça Oda.

É cada vez maior a demanda por pesquisas com variedades de cana-de-açúcar geneticamente modificadas. No total, 73 projetos já foram executados no País ou aguardam a liberação na Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). Além do Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), que já tem 40 pesquisas iniciadas, Basf, Alellyx e Bayer são as empresas que entraram com pedidos na Comissão no segmento de cana, cada uma com 14, 13 e 2 estudos desenvolvidos, respectivamente. As transnacionais Monsanto e Syngenta, em parceria com a Cooperativa dos Produtores de Cana, Açúcar e Álcool de São Paulo (Coopersucar), também realizaram testes em campo, mas aguardam a liberação de seus produtos na CTNBio.

A última reunião da entidade não foi realizada, atrasando ainda mais os processos, por falta de quórum. Dos 54 membros da comissão, apenas 22 compareceram. Segundo nota divulgada pelo Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT), os membros da instituição decidiram não participar da reunião por estarem desanimados com as constantes intervenções da Justiça nas decisões.

A próxima reunião da entidade será nos dias 20, 21 e 22 de novembro. Estarão na pauta dois pedidos de liberação planejada no meio ambiente de cana do CTC. A entidade é a que registra o maior número de projetos aprovados na CTNBio. Segundo especialistas, o Brasil corre o risco de sofrer uma fuga de investimentos para países com o processo de comercialização de transgênicos mais avançado, como a Argentina, e colocar em risco sua competitividade, se as liberações não ocorrerem de forma mais eficiente.

Fonte:

Nenhum comentário: