segunda-feira, 11 de junho de 2007

"Nem tudo está perdido"

Luiz Gylvan Meira Filho colaborou com o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas durante 11 anos e foi vice-presidente do órgão, vinculado à Organização das Nações Unidas (ONU) De repente a humanidade abriu os olhos para o que já parecia evidente e vinha sendo anunciado há mais de uma década. Por causa do homem, o planeta está mudando. E, se não fizermos algo a partir de agora, a vida ficará inviável no futuro. Desde que o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), órgão vinculado à Organização das Nações Unidas (ONU), voltou a divulgar este ano que os gases estufa emitidos nos últimos dois séculos provocaram a mudança do clima na Terra, o tema virou ordem do dia. Apesar do alerta apocalíptico, ainda há espaço para otimismo.

Para o astrogeofísico Luiz Gilvan Meira Filho, 65, que colaborou com o IPCC durante 11 anos e foi vice-presidente do órgão, a mudança do clima acontece de forma gradual e o homem pode aproveitar os próximos anos para fazer algo para contornar a situação. Um dos mais conceituados cientistas do País, o pernambucano rejeita o tom de pânico propagado pela mídia. "O panorama é preocupante, mas muita gente passou a discutir o problema após o alerta. A sociedade vai superar o aquecimento global", diz o especialista, em entrevista por telefone.

De acordo com Meira Filho, no entanto, o custo da solução será alto. Dentro de três ou quatro décadas, os países terão que reduzir pela metade a produção de gases como dióxido de carbono, metano e óxido nitroso, que se acumulam na atmosfera e favorecem o efeito estufa, impedindo a saída de calor para o espaço. Diminuir as emissões de carbono, avisa o cientista, é nossa única alternativa e o nosso maior desafio.

Meira Filho não se alinha à corrente dos apocalípticos, porém defende que a redução da produção de gases poluentes passa pela regulamentação por parte dos governos de metas a serem cumpridas pelas indústrias. "O mercado sozinho não vai resolver o problema", assegura o cientista. Mas ele também credita importância ao papel do cidadão comum. "A gente pensa que nossas ações não fazem diferença, mas o resultado multiplicado por milhões de outras pessoas que fazem o mesmo será decisivo para o planeta". O recado foi dado: está em jogo o futuro das próximas gerações.

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