sexta-feira, 2 de novembro de 2007

USP ganha prêmio da ONU com projeto de biodiesel de óleo de fritura

A pesquisa sobre produção de biocombustível a partir do óleo de cozinha da Universidade de São Paulo (USP) foi premiada na semana passada como um dos quatro programas vencedores da edição 2007 do projeto Jovens Embaixadores Ambientais, do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) em parceria com a Bayer. Escolhido entre 32 projetos, o "Biodiesel em casa e nas escolas" envolve universitários, escolas e empresas de 25 cidades do interior paulista. O óleo recolhido, ao invés de poluir o meio ambiente, é transformado em combustível 100% renovável, segundo o coordenador do programa, o professor Miguel Dabdoub.

A iniciativa nasceu em 2003, quando o "Biodiesel em casa e nas escolas" começou a recolher o óleo utilizado no restaurante do campus de Ribeirão Preto da USP. Aos poucos, cadeias de restaurantes fast food, de supermercados e escolas da rede pública aderiram ao programa - atualmente são 25 mil alunos participando na coleta. Hoje, segundo o professor, cerca de 100 toneladas que seriam despejados na natureza movem a frota usada na pesquisa e veículos de empresas parceiras.

O Jovens Embaixadores Ambientais é realizado desde 1996. Oito anos depois, foi feita uma parceria com o PNUMA. Segundo a empresa, o programa busca "incentivar lideranças jovens de 18 a 25 anos nas áreas de preservação ambiental e desenvolvimento sustentável". Já foram premiados mais de 400 jovens em 22 países da Europa, Ásia, África e América Latina. No Brasil, o programa é realizado desde 2004 e 16 estudantes já conquistaram o prêmio. Os vencedores deste ano, receberão o prêmio na sede mundial da empresa, em Berlin, na Alemanha.

Processo

Para ser transformado em energia renovável, o óleo de cozinha passa por um processo de filtragem que retira resíduos deixados pela fritura. Depois é retirado toda a água misturada. Se preciso, o óleo passa por uma "purificação" química, para retirar os últimos resíduos. Limpo, o óleo recebe a adição de álcool e uma substância catalisadora e no reator, agitado a temperaturas específicas, se transforma em biocombustível.

Para completar o processo, o produto passa ainda por um refino. Só então pode ser usado em motores capacitados para queimar o biocombustível. Dabdoub explica que da reação química, sobra glicerina, que pode ser usado na indústria de produtos de limpeza, de tabaco e na fabricação de explosivos. O professor conta que a pesquisa está na fase final dos testes, que ocorrem há três anos, do biocombustível em motores de tratores, máquinas e carros.

Dabdoub conta que o principal empecilho para a produção do biodiesel em escala industrial hoje ainda é o custo. Mas ele deslumbra um futuro promissor para o biocombustível feito a partir do óleo de cozinha. A legislação federal (Lei 11.097, de 13 de janeiro de 2005) determina que o todo diesel vendido no Brasil possua 2% de biocombustível misturado a partir de 1º de janeiro do ano que vem. "O biodiesel veio para ficar, não tenho dúvida. Só falta passar pela curva do aprendizado. Mas vai se consolidar como o álcool se consolidou", diz.

Fonte:

Vaivém das commodities

NO EMBALO
Os óleos vegetais pegaram carona nos preços do petróleo e estão sendo negociados em patamares recordes. O óleo de soja, uma das matérias-primas na produção de biodiesel, fechou ontem cotado a US$ 933 por tonelada em Chicago -o maior preço desde 1974. Os óleos de canola, girassol e palma seguem na mesma trilha.

PRESSÃO INTERNA
O óleo de soja já atingiu média de US$ 915 por tonelada no mês passado, em Chicago, 63% mais do que em outubro de 2006. Como os preços internos no Brasil se espelham nos de Chicago, onde o mercado está aquecido, o óleo de soja por aqui também deve continuar pressionado, na avaliação de analistas. A correlação com o petróleo é grande, afirmam.


CARBONO
Convênio firmado entre a Finep e o governo japonês destinará US$ 1 milhão para o desenvolvimento do mercado de carbono no Brasil. O acordo, intermediado pelo Banco Mundial, conta ainda com a participação da BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros), instituição onde serão negociados os créditos de carbono.

Fonte:

SOB PRESSÃO, GOVERNO LEGALIZA PLANTIO DO PINHÃO-MANSO

(Valor) A explosão do plantio de soja transgênica no fim dos anos 90 forçou o governo legalizar o seu plantio. Agora o mesmo acontece com o pinhão-manso. Pressionado por produtores e usineiros, o governo vai alterar a legislação para que a produção comercial de sementes e mudas seja legalizada.

A Lei nº 10.711/03, estabelece que somente variedades de plantas inscritas no Registro Nacional de Cultivares podem ser produzidas em escala comercial. No caso da soja, por exemplo, há mais de 400 variedades inscritas. Como o pinhão-manso não era utilizado para produção comercial, ainda não tinha o registro e, por isso, há cerca de 45 dias, uma carga de 10 toneladas foi apreendida no Mato Grosso. "Isso motivou os produtores a pedirem uma solução ao governo, que afinal é o que mais defende o plantio do pinhão-manso para biodiesel", afirma Mike Lu, presidente da recém-criada Associação Brasileira dos Produtores de Pinhão-Manso (ABPPM).

Sob pressão política, o Ministério da Agricultura aceitou inscrever a planta no Registro Nacional de Cultivares, mesmo sem estudos sobre a origem genética da cultura. No entanto, o pinhão foi inscrito como espécie, e não como variedade ou cultivar. A produção ficará condicionada à assinatura de um termo de compromisso entre produtores e processadores e depende do crivo da Consultoria Jurídica do Ministério da Agricultura.

"O problema é que não existem estudos sobre o pinhão-manso no Brasil. Hoje não sabemos sequer quais são as variedades disponíveis", afirma Marcos Drummond, pesquisador da Embrapa Semi-Árido. Segundo ele, estudos internacionais afirmam que a planta pode produzir 8 mil quilos por hectare, mas estudos feitos pela Embrapa apontam uma produtividade média de 1,1 mil quilos por hectare com irrigação. "Houve muita pressão pelo governo para que a Embrapa desse aval ao plantio, mas o que podemos dizer até agora é que a planta tem potencial, mas ainda falta saber qual a melhor variedade e a melhor maneira de cultivá-lo", diz Drummond.

Álvaro Nunes Viana, diretor de Fiscalização de Insumos Agrícolas do ministério, pondera que o artigo 47 da Lei de Sementes permite a inscrição como espécie. "Há limitações ao plantio. Não tem um sistema, a maturação não é uniforme e há risco de disseminação de pragas e doenças. Não podemos ficar omissos, em nome do interesse público, e também não podemos endossar totalmente".

O acordo político patrocinado pelo ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, prevê um plano de monitoramento para garantir critérios de cultivo. "A Embrapa e a Epamig vão aproveitar para obter dados para o sistema de cultivo", diz Viana. "Temos que alertar para os riscos de um fracasso", afirma.

De acordo com a ABPPM, enquanto o quilo de soja (que rende 200 ml de óleo) é vendida a R$ 0,67 em média, o quilo da semente de pinhão-manso custa R$ 0,30 e gera em torno de 400 ml de óleo bruto. Conforme dados da Embrapa, a área plantada com pinhão-manso no país saltou de 500 hectares em 2006 para 20 mil neste ano. E a previsão é aumentar para 50 mil hectares no próximo ano, o que exigiria uma produção adicional de 300 toneladas de sementes.

Fonte:

Especialistas dizem que o Brasil deve diversificar fontes do biodiesel

O Brasil tem capacidade de produzir em torno de 2 bilhões de litros de biodiesel, quantidade quase duas vezes e meia maior da que o país necessita para garantir, a partir do próximo ano, a adição de 2% ao óleo diesel. O problema é que hoje, de 70% a 80% do produto tem como matéria-prima a soja, que, por ser commodity (produto primário que tem cotação e padrão internacionais), acaba tornando mais caro o biodiesel em relação ao diesel. Esse é um dos assuntos que estão sendo discutidos na 2ª Enerbio - Conferência Internacional de Energia, aberta ontem em Brasília.

Segundo o presidente da União Brasileira do Biodiesel (Ubrabio), Odacir Klein, na atual conjuntura, o biodiesel é mais caro que o diesel em torno de 30%. Considerando que já a partir do próximo ano o Brasil comece a adicionar 3% e não 2% de biodiesel ao diesel, na prática, a mistura deverá representar acréscimo no preço em torno de R$ 0,01. Mas, de acordo com Klein, a Petrobras e a BR Distribudora estariam dispostas a equalizar esse problema para que o consumidor final não seja penalizado.

A saída para equalizar esse problema hoje do biodiesel de dependência da soja é se buscar outras matérias-primas. "O governo tem estimulado alternativas que não simplesmente a soja. Isso envolve zoneamento climático para identificação de culturas adaptáveis a cada região e pesquisa", disse Odacir Klein, ao fazer questão de explicar que ninguém está inventando matéria-prima.

Ele citou como alternativas que estão sendo pesquisadas e já cultivadas em várias regiões do país, a mamona (trabalhada no Maranhão), palma, pinheiro manso e até mesmo a produção de biodiesel a partir da gordura animal.

A mesma preocupação em relação à dependência da soja como principal matéria-prima para a produção de biodiesel tem o secretário de Produção e Agroenergia do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Manoel Vicente Bertone. "O Brasil tem que escapar da armadilha da soja", afirmou.

Na visão de Bertone, o país tem que passar a produzir biodiesel a partir de matérias-primas que não sejam alimentos, como é o caso da soja. "O governo está buscando novas fontes de produção de biodiesel, de preferência de matérias-primas que utilizem mão-de-obra familiar", acrescentou.

Etanol

Manoel Bertone, um dos conferencistas da 2ª Enerbio, afirmou que o apoio à agroenergia no Brasil é uma decisão de governo, de transformar todo esse esforço em fator de desenvolvimento regional, de modo a pulverizar a política, diversificar suas fontes, buscando projetos mais propícios a cada região.

Segundo o secretário, o Brasil é líder mundial em agroenergia e outros países, como os Estados Unidos, estão enxergando isso como uma alternativa de energia e de desenvolvimento sustentável. Só que enquanto o Brasil produz etanol a partir da cana-de-açúcar os americanos estão utilizando o milho como matéria-prima. Mas para Bertone a utilização do milho pelos americanos tende a ser temporária, pois a cultura não mostra viabilidade em relação ao etanol produzido a partir da cana-de-açúcar.

Bertone, no entanto, admitiu que é fundamental que o setor de agroenergia brasileiro tenha um marco regulatório, processo que está sendo discutido pelo governo com a participação da iniciativa privada. "Quanto maior o envolvimento da iniciativa privada nessa discussão, melhor", finalizou.

(Ecopress com informações do jornal O Estado do MAranhão - 10/10/07, às 14h15)

Battistella cria gerador de energia 100% a biodiesel

O grupo catarinense Battistella, que faturou R$ 583,5 milhões e teve lucro líquido de R$ 20,766 milhões no ano passado, elegeu o segmento de energia limpa como prioridade no processo de reposicionamento de mercado. Para isso, fundiu a Maquigeral (divisão de geradores de energia) e a Abadir Distribuidora (unidade de produtos para transmissão), que juntas devem faturar neste ano cerca de R$ 110 milhões. O objetivo é dobrar de tamanho em três anos, de acordo com Sandra Battistella, diretora da Abadir e sócia do grupo.

O grupo prevê investir US$ 100 milhões em dois anos no processo de reestruturação. Na Abadir, foram aplicados neste ano R$ 15 milhões para elevar o número de filiais de seis para dez. Na próxima semana, a empresa coloca no mercado o primeiro gerador movido a biodiesel puro.

A pesquisa foi desenvolvida em parceria com o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) durante dois anos. "O diesel usado nos geradores normais é muito caro em algumas regiões e é poluente. A política da empresa está voltada para desenvolver alternativas de energia limpa", diz Sandra. Para completar o pacote, a empresa testará a qualidade do biodiesel a ser comprado pelos clientes para garantir a qualidade. O grupo também negocia com o BNDES a criação de uma linha de financiamento para a aquisição de fontes de energia limpa. "Os clientes que já possuem geradores do grupo a diesel também poderão fazer a conversão para o biodiesel", diz.

Gérson Schmitt, presidente do grupo, observa que as vendas de geradores no país giram em torno de 5,7 mil unidades por ano. O grupo neste ano elevou as vendas no segmento em 65%, alcançando participação de mercado de 13,5%. "As empresas tendem a buscar alternativas à energia elétrica, sobretudo com fontes menos poluentes." A expectativa do grupo é conquistar 5% do mercado com o gerador a biodiesel dentro de um ano.

Para o primeiro trimestre de 2008, o grupo prepara o lançamento de mini-usinas de biodiesel, à base de óleo de cozinha reciclado. Um restaurante, por exemplo, poderia aproveitar o óleo que descarta para produzir o biodiesel e alimentar os geradores, segundo Schmitt. O grupo, porém, ainda não definiu o porte das máquinas.

Ainda no segmento de energia, a Abadir Distribuidora vai importar a bateria movida à célula de hidrogênio, que substitui as poluentes baterias de chumbo e são utilizadas, por exemplo, em nobreaks. A empresa representará no Brasil a Tyco Electronics. "Dessa forma, vamos oferecer fontes renováveis nas duas etapas de substituição da energia elétrica", afirma Sandra, observando que, em caso de queda de energia, as empresas normalmente utilizam nobreaks (para picos) e geradores (se a falta de energia é dura mais tempo).

O grupo Battistella - administrado pela sua terceira geração - está formado por 11 empresas divididas em quatro segmentos de negócios. Hoje, 57% da receita líquida do grupo (ou R$ 296,9 milhões) vem da área automotiva. O grupo responde por 16% das revendas de veículos da Scania no país, com 12 concessionárias em Santa Catarina e Paraná. "Foi um ano muito bom para o setor automotivo, especialmente a venda de caminhões", diz Schmitt, que prevê vender até 1,2 mil unidades em 2007, ante 877 o ano passado.

Na a área florestal - vocação original do Battistella - o grupo mantém seis empresas que, juntas, respondem por 32% do seu faturamento líquido. Os mais conhecidos são a Battistella Indústria e Comércio, que produz e exporta chapas e revestimentos de madeira, Mobasa e Flobasa - braço agrícola responsável pela produção florestal. "É um dos negócios mais promissores em resultados, mas dentro de um prazo de 18 a 20 anos", diz Schmitt. O grupo mantém 20 mil hectares de floresta preservada e outros 17 mil hectares de áreas plantadas com pinus.

No segmento de novos negócios, o grupo, por meio da Itapoá Terminais Portuários, investe com a Aliança Hamburg Süd R$ 423 milhões em um terminal portuário em Itapoá (SC), que deve entrar em operação em 2008 e tem capacidade para movimentar 300 mil contêineres por ano.

Venda de máquinas para construção crescerá até 2012

Guilherme Manechini

A demanda por máquinas utilizadas na construção civil historicamente sempre esteve atrelada aos períodos eleitorais. No entanto, após as eleições de 2002 a ascensão passou a ser constante. Neste ano, o crescimento estimado é de 46%, totalizando investimentos de R$ 19,2 bilhões em novos equipamentos.

O levantamento foi feito pela Associação Brasileira de Tecnologia para Equipamentos e Manutenção (Sobratema) e estima crescimento médio de 7,5% ao ano no consumo de máquinas novas até 2012, quando são esperados investimentos de R$ 27,6 bilhões. A pesquisa utiliza como base dados do IBGE, Abimaq e Anfavea, além de estimativas coletadas junto aos fabricantes e consumidores.

Na opinião do presidente da entidade, Afonso Mamede, o Brasil mudou de patamar no consumo de máquinas e o crescimento de 2007 comprova isto. No total, o país deve encerrar o ano com consumo de aproximadamente 54 mil máquinas. "Os dados apontavam que até 2002 as compras eram realizadas em períodos pré-eleitorais, que era quando o setor público liberava verbas para obras", afirma.

Para 2008, ainda é esperada alta consistente de 13%. "No ano que vem ainda iremos verificar uma demanda reprimida por causa da falta de máquinas vivenciada em 2007", diz Mamede. Vale ressaltar que as projeções englobam 13 tipos de equipamentos da chamada "linha amarela", caminhões pesados rodoviários e tratores de roda pesados.

Os equipamentos foram divididos também em três setores. O segmento que vem puxando as compras em 2007 é o de extração mineral (10,9%), seguido pelo de construção pesada e setor público (7,7%) e, por fim, o agrícola (3,7%). O representante do setor de minérios na Sobratema, Otavio Carvalho Lacombe, acredita que até 2010 não existe perspectiva de o mercado desacelerar. "Fornecedores e consumidores têm de se programar para atender os volumes esperados".

Dentre todos os equipamentos pesquisados, o que apresenta maior escassez é o caminhão. "Nem pneu é possível encontrar hoje em dia", exemplifica o executivo. Tanto os caminhões fora-de-estrada, quanto os pesados rodoviários tiveram aumento de 50% no número de unidades vendidas. O segundo modelo contou com 39.825 unidades comercializadas no ano.

Em relação aos equipamentos utilizados no segmento residencial, Mamede confirma a aceleração na demanda, mas lembra que os volumes são menores. "A maior demanda é pelas máquinas usadas em infra-estrutura."

(Ecopress com informações do Valor Econômico - 26/10/07, às 9h56)

Aracruz planeja fábrica de biodiesel

A Aracruz Celulose deverá substituir os combustíveis fósseis pelos renováveis. O primeiro passo será a utilização de 5% de biodiesel na frota utilizada para o transporte de madeira, insumo e trabalhadores da empresa. O consumo anual da frota é de 60 milhões de litros de combustível e o biodiesel representará 3 milhões de litros/ano. O segundo é investir numa fábrica de produção do combustível renovável.

"Nossa meta é utilizar 100% de combustível renovável nos vários setores da empresa para reduzir as emissões originadas de combustíveis fósseis. Com isso estamos buscando a sustentabilidade", destaca o diretor de Operações da Aracruz, Walter Lídio Nunes. Nas próxima semana, será assinado o convênio entre a Aracruz e a Petrobras Distribuidora, para viabilizar o fornecimento do biodiesel.

Hoje os combustíveis consumidos nos vários setores da companhia são o óleo combustível, óleo diesel e óleo pesado. Nas barcaças, que transportam madeira e celulose do Sul da Bahia para o Espírito Santo o óleo pesado é o combustível utilizado. Como não é possível a adição de biodiesel, o óleo pesado será substituído pelo óleo vegetal, informa Nunes.

Toda a frota envolvida nas atividades da Aracruz é terceirizada, o que não impede a empresa de planejar a substituição dos combustíveis fósseis pelos renováveis. A frota é composta por 140 máquinas florestais, 180 tritrens (para o transporte de madeira), 40 ônibus para o transporte de pessoal, 20 carretas convencionais e 15 máquinas carregadeiras, que têm consumo anual de 60 milhões de litros de combustível.

Nas plantas industriais ,é utilizada energia elétrica gerada no processo da produção de celulose. O óleo combustível, explica o diretor, é usado apenas nas situações emergenciais. E está nos planos da empresa aumentar a eficiência térmica para a geração de mais energia.

"É um processo permanente de melhoria", destaca Nunes, que informa constar dos estudos da companhia a possibilidade de uma fábrica de biocombustível. A meta, explica, é buscar a sustentabilidade a médio e longo prazo, com a substituição do combustível fóssil pelo renovável.

Os estudos preliminares indicam a viabilidade da construção de uma fábrica para a produção de biodiesel com produção de 100 milhões de litros/ano, explica o diretor da Aracruz. Se o consumo anual de biodiesel na companhia chegar a 100 milhões de litros, os estudos da fábrica serão intensificados.

(Ecopress com informações da Gazeta On line 30/10/07, às 9h45)

O biodiesel e os desafios da inovação

O lançamento do Programa Nacional de Produção e uso do Biodiesel (PNPB) foi cercado de esperanças de que ele traria uma nova matriz de produção na área de energia, mais inclusiva do ponto de vista social e menos desgastante do ponto de vista ambiental. Mas não é bem assim.

Embora as origens do biodiesel remontem à invenção do motor com ignição por compressão, desenvolvido pelo engenheiro alemão Rudolf Christian Karl Diesel no final do século XIX, e a primeira patente tenha sido atribuída ao brasileiro Expedito Parente nos anos 1980, sua incorporação efetiva à agenda das políticas enérgicas brasileiras só ocorreu no final da década de 1990 e início dos anos 2000. Entre outras iniciativas que marcaram o redescobrimento do potencial do biodiesel destaca-se o Programa Brasileiro de Biocombustíveis (Probiodiesel) lançado em 2002 e coordenado pelo Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT). Os principais argumentos avançados na época para a implementação do programa eram: 1) a diminuição da dependência dos derivados do petróleo; 2) a criação de novos mercados para oleaginosas; 3) o crescimento da demanda global por combustíveis alternativos e 4) a redução das emissões de gás carbônico.

No entanto, com a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva à presidência no final de 2002, o Probiodiesel acabou reformulado para incorporar a questão da inclusão social, um dos pilares da estratégia do governo “Lula”. Esse aspecto era, em particular, associado à possibilidade de usar o óleo de mamona na produção de biodiesel, incentivando a geração de renda e emprego no Nordeste, já que a matéria-prima era apropriada às condições socioambientais da região. Para institucionalizar o programa, foi estabelecida, por meio de um decreto em dezembro de 2003, a Comissão Executiva Interministerial encarregada da implantação das ações direcionadas à produção e uso de biodiesel como fonte alternativa de energia. Durante o ano de 2004, foram realizados vários estudos técnicos que comprovaram a viabilidade do biodiesel, apoiando-se nas seguintes decisões: em setembro de 2004, o governo editou a Medida Provisória 214 definindo o biodiesel e delegando competências à Agência Nacional do Petróleo para a sua regulação; 2) no final de novembro, foi aprovado um programa de apoio financeiro aos investimentos em biodiesel pelo BNDES e 3) no dia 6 de dezembro de 2004, foi oficialmente lançado pelo presidente da República o Programa Nacional de Produção e Uso de Biodiesel (PNPB). Ao mesmo tempo, instituiu-se o selo “Combustível Social”, concedido pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) aos produtores de biodiesel que adquirissem matéria-prima dos agricultores familiares e lhes assegurassem assistência e capacitação técnica. Para incentivar a efetivação do selo, o PNPB institucionalizou uma redução das alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, com coeficientes diferenciados em função da matéria-prima (mamona, soja, dendê etc.), da região de produção e do tipo de fornecedor (agricultura familiar ou agronegócio).

Uma vez sancionada a Lei do Biodiesel, iniciou-se a fase de implementação do programa. Apesar das expectativas suscitadas pelo seu caráter inovador, havia um alto grau de incerteza quanto ao andamento efetivo dessa fase. Em primeiro lugar, não era trivial a incorporação numa mesma esfera de ação pública de atores sociais tão distantes do ponto de vista dos interesses, valores, rotinas e cultura organizacional, como, por exemplo, a Petrobras e os agricultores familiares, ainda que o programa tenha proporcionado incentivos para tornar essa articulação efetiva.

Em segundo lugar, os problemas encontrados nos suprimentos de óleo de mamona causavam incertezas. Procurando solucionar esses problemas, representantes do MDA passaram a intensificar seu trabalho junto com sindicatos e movimentos sociais no intuito de dar maiores informações sobre as regras contratuais, os padrões de produção industriais e as oportunidades de renda e trabalho proporcionadas pelo PNPB. Esperava-se que essas organizações pudessem servir como agentes de transmissão de informações e conhecimentos junto aos produtores e estabelecer um grau de confiança sem o qual a continuidade do projeto poderia estar comprometida. Além disso, o MDA criou uma linha de financiamento do Pronaf para estimular a produção de mamona. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o MCT, a partir da mobilização dos recursos proporcionados pela rede brasileira de biodiesel, intensificaram seu trabalho de mapeamento das rotas tecnológicas viáveis, buscando sobretudo opções para diversificar as fontes de matéria-prima. Esses esforços tiveram o mérito de mostrar que havia várias soluções possíveis, como o dendê e o girassol, e até mesmo inesperadas como o pinhão manso. A Petrobras, do seu lado, passou a incentivar pesquisas para elevar a produtividade e descobrir novos usos para a “torta” de mamona objetivando elevar a lucratividade do negócio, embora cogitasse mais fortemente o uso de outras oleaginosas para garantir o suprimento.

As diferentes iniciativas visavam garantir credibilidade e viabilidade ao PNPB. No entanto, para muitos, sejam eles críticos ou torcedores do programa, o primeiro teste realmente significativo era vinculado aos resultados dos leilões públicos de venda de biodiesel, cujo desenho tinha sido idealizado para servir de matriz institucional inicial ao desenvolvimento do mercado e da indústria de biodiesel no Brasil. No primeiro leilão foram adquiridos 70.000 m3 de biodiesel, sendo 54,3% deste à base de óleo de mamona e vendido pela Brasil Biodiesel. As demais oleaginosas foram soja (38,6%) e dendê (7,1%). Os leilões posteriores, no entanto, revelaram uma série de problemas, minando parte do entusiasmo inicial e mostrando a necessidade de realizar ajustes institucionais e organizacionais para manter vivas as aspirações originais do PNPB.

O volume de biodiesel negociado nos leilões, por exemplo, não tem apresentado crescimento regular e a entrega da produção negociada encontra-se incerta. Segundo a ANP, entre janeiro e junho de 2007 foram produzidos 122 milhões de litros de biodiesel. Ainda que represente uma expansão da oferta, o volume é 30% inferior ao que deveria ser entregue até junho de 2007, de acordo com os contratos firmados no segundo leilão de biodiesel. Além disso, quase todas as empresas produtoras de biodiesel estão com sua produção abaixo do que foi prometido e parte do volume produzido não está em conformidade com as normas de qualidade estabelecida pela ANP, obrigando sua devolução pelas distribuidoras.

Em teoria, numa situação em que os preços do biodiesel compensam tanto os custos de produção quanto aqueles derivados dos problemas de coordenação entre os atores envolvidos, os leilões da ANP representariam uma opção atraente para as empresas e as expectativas de lucros incentivariam maior disciplina entre os agentes da cadeia. No entanto, os preços negociados nos leilões mostraram trajetória de queda enquanto os preços internacionais das principais matérias-primas, a soja em particular, estão subindo. Por outro lado, os problemas organizativos da cadeia de biodiesel – como a assistência técnica deficiente, logística inadequada, falta de fiscalização, mercado informal crescente, insegurança contratual e conflitos com governos estaduais, etc. – dificultam a coordenação entre os atores envolvidos no programa.

Esses problemas e suas possíveis conseqüências sobre a credibilidade e legitimidade do PNPB estão levando o governo e as demais partes interessadas no desenvolvimento do biodiesel a rever seus objetivos, critérios e modos de operar. Uma primeira linha de ação é a reafirmação do compromisso do governo federal com o desenvolvimento do biodiesel como parte da matriz energética de longo prazo. Em recentes viagens ao exterior, por exemplo, o presidente destacou que o biodiesel brasileiro é uma “semente que certamente vai dar muito fruto”.

A busca da maior integração entre os órgãos públicos, assim como entre os diversos atores da cadeia, representa um outro conjunto de ação relacionado com os ajustes necessários para manter o PNPB operacional. Uma iniciativa nessa direção foi empreendida para reunir, em Brasília, no dia 13 de junho de 2007, representantes da recém-criada União Brasileira do Biodiesel (Ubrabio) e o ministro do MDA, Guilherme Cassel. Para o governo, a criação da entidade é um elemento que pode proporcionar maior colaboração e facilitar a comunicação com os produtores de biodiesel. Essa busca por maior integração organizacional marcou, também a II Reunião do Selo Combustível Social que ocorreu em Brasília e reuniu representantes das empresas produtoras de biodiesel e da Petrobras, do Governo Federal, das instituições de apoio ao PNPB, como agentes financeiros e instituições de pesquisa, dos movimentos sociais e sindicais, das equipes técnicas e de supervisão dos Projetos Pólos Centro-sul e Nordeste e da equipe da Secretaria de Agricultura Familiar do MDA.

A esses esforços organizativos soma-se uma revisão do mix de matéria-prima capaz de sustentar o desenvolvimento do programa. Com efeito, visto que os preços dos dois principais componentes do biodiesel (soja e mamona) colocam em xeque a viabilidade do programa, seja porque o preço da soja aumenta (soja) seja em função do dos preços pagos pelas indústrias químicas e cosméticas pelo óleo de mamona, o alargamento da oferta se torna uma questão estratégica. Não por acaso, vêm se multiplicando estudos sobre o potencial energético do pinhão manso ou do dendê, considerada a matéria-prima mais viável para a produção de biodiesel, com rendimento de até 6 mil litros por hectare.

Do ponto de vista da dinâmica institucional, o lançamento do PNPB é interessante por vários motivos. Em primeiro lugar, destaca-se o grande número de organizações e instituições envolvidas na formulação do programa. De fato, além de 13 ministérios e várias estatais, participaram direta e indiretamente um conjunto heterogêneo de deputados e senadores, diversos institutos de pesquisa e centros tecnológicos, algumas associações empresariais e sindicatos. Essa formatação organizacional e institucional aponta para a complexidade dos valores e interesses em jogo na formulação de políticas públicas, tornando a identificação das causas e efeitos do processo de decisão um exercício bastante difícil. No mesmo sentido, a multiplicidade dos modos de coordenação, tanto em níveis interindividuais como interorganizacionais, implica o reconhecimento da diversidade de lógicas de ação, às quais recorrem os policy makers, e da complexidade das formas de governança da ação pública. Em segundo lugar, o PNPB, com seu foco na inclusão social, sua expectativa de crescentemente substituir as importações de diesel mineral e sua ambição de proporcionar um novo modelo de gestão do desenvolvimento agrário e energético, representa uma iniciativa corajosa e inovadora. No entanto, como toda inovação que modifica os parâmetros institucionais e organizacionais da implementação das políticas públicas, tradicionalmente setoriais, o PNPB requer ajustes, comprometimento e aprendizagem por parte dos atores envolvidos. Por fim, cabe assinalar que uma melhor compreensão desses processos demanda novas pesquisas e análises no assunto.


Georges Flexor - pesquisador do Observatório de Políticas Públicas para a Agricultura OPPA/CPDA
Fonte: Agência Envolverde

Joint venture D1-BP planeja 10 mil hectares de Pinhão-Manso no Brasil

Durante o 1° Encontro Nacional do Pinhão Manso, realizado em Jales, Estado de São Paulo, no último dia 24, a Associação Brasileira dos Produtores de Pinhão Manso (ABPPM) anunciou aos cerca de 200 investidores, fazendeiros e profissionais do agronegócio, o acordo da joint venture D1-BP Fuel Crops com os produtores da região para o cultivo de 10 mil hectares da oleaginosa até 2010.

A estimativa é de que os 10 mil hectares produzam 20 mil toneladas de óleo para a produção do biodiesel. A D1-BP garante a compra da produção do óleo bruto por meio de contrato com os produtores e vem buscando novas parcerias no estado de São Paulo e outros estados brasileiros. A joint venture já tem projetos bem sucedidos em países como Indonésia, Índia e África do Sul.

Essa não foi a única novidade revelada durante o evento. Dois grandes projetos já demonstraram resultados bastante promissores na pesquisa, cultivo, processamento e viabilidade econômica da Jatropha: o Projeto Jatropha, em Barbacena (Minas Gerais), e o Projeto Saudibras, em Caseara (Tocantins). Ambos oferecendo aos produtores interessados na adesão a assistência técnica e a compra integral da produção. Segundo a ABPPM, hoje o Brasil já possui 20 mil hectares cultivados com a Jatropha, com produção comercial em Tocantins, Piauí, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e São Paulo.

O encontro em Jales também revelou o interesse tanto do Ministério da Agricultura, quanto da Embrapa Agroenergia, por meio de seus representantes, em apoiar os projetos de pesquisa e cultivo comercial no Brasil. Já foi iniciada, por exemplo, a elaboração das especificações técnicas que permitirão a importação de variedades das sementes para a pesquisa em território nacional.


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Biodiesel do Óleo de Pinhão-Manso

Usina da ADM continua em fase de testes

Mesmo tendo recebido a autorização da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) ainda em setembro, a Archer Daniels Midland (ADM) preferiu novamente adiar a data da inauguração oficial da fábrica e o início da produção de óleo vegetal, prevista para este mês.

A ADM informou ontem, via assessoria de imprensa, que até a definição de uma nova data, a unidade segue realizando somente testes de produção. A capacidade diária da fábrica é de 500 mil toneladas de óleo vegetal por dia na unidade de Rondonópolis que já estruturou uma fábrica de biodiesel anexo às suas dependências.

De acordo com informações do setor de avaliação de projetos da ANP, as instalações físicas e de funcionamento do empreendimento estão dentro dos critérios de exigência estabelecidos pelo órgão. Esses critérios foram apresentados em projeto aprovado no dia 5 de setembro pela Agência que informou ainda, que mesmo licenciada, a empresa é quem define a data de início da operação.

Até o momento, a única informação cedida ao Diário é de que a inauguração da fábrica de biodiesel da ADM, em Rondonópolis (210 quilômetros ao sul de Cuiabá) não tem data para ocorrer, inclusive não se descarta a hipótese de que ela opere oficialmente apenas em 2008. A empresa informou que para a produção de biodiesel usará o óleo de soja como matéria-prima. A estratégia principal é atender a demanda dos produtores e dos setores de transporte rodoviário e ferroviário.

Diario de Cuiabá
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Maior planta de biodiesel em MT estará pronta em janeiro

A Cooperativa de Bio-combustível (Cooperbio) inaugura no próximo mês de janeiro, no Distrito Industrial de Cuiabá, a maior fábrica de biodiesel de Mato Grosso, com investimentos de R$ 30 milhões e capacidade para produzir 110 milhões de litros por ano a partir do aproveitamento da soja e do algodão.

A indústria, que entrará em fase de teste no mês de novembro, será também a maior do país para consumo próprio, sendo destinada exclusivamente à produção de biodiesel a ser utilizado nas lavouras de algodão e soja.

Economia - Segundo o presidente da Cooperbio e da Cooperativa de Produtores de Algodão de Primavera do Leste (Unicotton), João Luiz Ribas Pessa, o objetivo da usina é garantir aos produtores de algodão e soja de Mato Grosso um combustível mais barato a partir da utilização da matéria-prima produzida no campo: o caroço do algodão e grãos de soja. "Esperamos produzir um combustível pelo menos 25% mais barato do que o diesel, utilizando óleo de soja e, 40%, com o aproveitamento do caroço do algodão", estima Pessa.

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Etanol: Entre o céu e o inferno

O etanol combustível vive o desafio do crescimento acelerado. Por um lado, o preço recorde do petróleo (acima dos US$ 90/barril) e a preocupação com o efeito estufa impulsionaram investimentos (nacionais e estrangeiros) na produção. Por outro, isto não assegurou a demanda e ainda há insegurança sobre sua viabilidade.

Este desequilíbrio pode comprometer o embrionário mercado de biocombustíveis e foi um dos temas recorrentes no Sugar Dinner, no Prêmio Mastercana, na Conferência Internacional da Datagro e outros inúmeros eventos setoriais, recém realizados na capital paulista. É consenso entre todos os elos da cadeia produtiva e de comercialização que é preciso planejar, produzir e comercializar com sustentabilidade econômica, ambiental e social.

Nos EUA, a queda na rentabilidade dos produtores causada pelo aumento no preço do milho e a baixa cotação do etanol, têm adiado investimentos, feito com que algumas usinas parassem suas atividades temporariamente e outras diminuíssem o ritmo de produção.

Apesar da promessa do Governo Bush de substituir de 20% da gasolina pelo etanol, essa determinação depende de aprovação do Congresso dos EUA, que vai sofrer pressões de dois grupos com lobbies fortes. Um deles, os produtores de etanol e de outro os produtores de ração e de carnes, descontentes com a alta no preço do milho. Atualmente, os EUA já produzem 26,2 bilhões de litros e existem outras 73 usinas em construção, com capacidade para produzir mais 24,8 bilhões de litros até 2009.

A previsão da produção brasileira de etanol para a atual safra é de 20,5 bilhões de litros e 19 novas usinas já entraram em operação este ano. Para o próximo, estão previstas mais 30, e outras 23 já estão encaminhadas para 2009. Ainda estão em análise 21 projetos para também entrarem em operação em 2009. A maioria deles é destinada a produzir apenas o combustível renovável.

Assim como nos EUA, o excesso de oferta também derruba os preços no Brasil. A diferença é que aqui existe a garantia de 25% na mistura de etanol na gasolina e o aumento contínuo do número de veículos flexíveis. Mesmo assim, os investidores estão pisando no freio, diante da atual queda nos preços internos e sem um mercado externo desenvolvido para escoar o produto.

Hoje, a comercialização do etanol é feita a partir de normas estabelecidas pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), que limitam à competição e manipulam artificialmente os preços. É fundamental contarmos com um marco regulatório específico para os biocombustíveis, capaz de planejar o quanto de cana será destinada para produção de etanol e de açúcar; quais os volumes destinados ao mercado interno e externo; quem vai cuidar da logística e da armazenagem; difundir o uso dos combustíveis renováveis em todo o país; equacionar as grandes flutuações de preços durante a período de entressafra; além do estabelecimento de normas ambientais e trabalhistas.

Outro nó que precisa ser desatado é a política fiscal de alguns Estados, como Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Bahia, onde os impostos tornam o etanol menos competitivo em relação à gasolina.

No âmbito da Comissão de Minas e Energia, defendo a alíquota única de ICMS para o etanol e a venda direta das unidades produtoras aos postos de combustíveis. Assim como, incentivos ao uso da biomassa da cana em complementariedade a hidroeletricidade na matriz energética, a formação de estoques estratégicos públicos e privados, o uso das PPPs (Parcerias Público-Privadas) para alavancar investimentos em logística e transportes, além de mais recursos públicos em pesquisa e tecnologia.

Por isso, acabo de apresentar emendas ao PPA (Plano Plurianual) 2008-2011 para assegurar investimentos do governo federal na instalação de alcooldutos interligando as regiões produtoras do Estado de São Paulo aos portos de Santos e São Sebastião, além de garantir recursos para o desenvolvimento do Pólo Nacional de Biocombustíveis, para dar continuidade a pesquisa de novos cultivares, métodos produtivos e tecnologias industriais, no estudo do processo de hidrólise do bagaço da cana e da celulose para extração do etanol combustível.

Concomitantemente, é fundamental avançarmos no fortalecimento de um mercado global para o etanol, com o estabelecimento de uma padronização e um contrato-padrão de compra e venda do produto. Definir, por exemplo, qual é o parâmetro de preços dos biocombustíveis, se a cotação do petróleo ou do açúcar, e a definição do etanol como commodity ambiental, livre de barreiras tarifárias.

A BM&F já apresentou uma primeira versão deste contrato, que pode impulsionar novas fontes de energia renováveis, como o biodiesel, assim como inverter a lógica dos negócios com combustíveis, fortalecendo a competição. Ao contrário do petróleo, a indústria do etanol é pulverizada, tem inúmeros centros produtores, distribuídos regionalmente, e isto impõe uma dinâmica diferenciada.

O etanol, produzindo empregos e gerando renda no interior do Estado e do País, é uma marca registrada que nos possibilitará servir de referência para uma mudança da matriz energética mundial. Cabe a nós estabelecermos os alicerces para um crescimento sustentável, mantendo a nossa excelência e a liderança no setor de biocombustíveis.

Arnaldo Jardim é deputado pelo PPS-SP e membro da Comissão de Minas e Energia da Câmara Federal. Contato: arnaldojardim@arnaldojardim.com.br ou http://www.arnaldojardim.com.br/

São Paulo sai na frente e aprovado fundo de aval para biocombustível

A Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural aprovou o Projeto de Lei 1241/07, do deputado Uldurico Pinto (PMN-BA), que cria o Fundo de Aval do Produtor de Matérias-Primas para Biocombustíveis (FA-Bio). A proposta tem como objetivo proporcionar garantias complementares à contratação de operações de crédito rural, por parte de pequenos produtores rurais e de agricultores familiares, no financiamento do cultivo de lavouras para fornecimento de matérias-primas destinadas à produção de biocombustíveis.

O relator, deputado Edio Lopes (PMDB-RR), recomendou a aprovação do projeto. Ele observou que, sem a intervenção do poder público, lavouras para a produção de etanol e biodiesel tenderão a concentrar-se nas regiões de maior aptidão agrícola, competindo com a produção de alimentos. "É para evitar semelhante situação que intervenções como esta do deputado Ulderico Pinto tornam-se imprescindíveis", afirmou.

Pelo projeto, o aval do FA-Bio não poderá ultrapassar 30% do valor total das garantias exigidas no caso do cultivo de lavouras para o fornecimento de matérias-primas para a produção de álcool combustível; e 70% do valor total das garantias no cultivo de lavouras para fornecimento de matérias-primas para a produção de biodiesel. Esses limites poderão ser elevados em até 20 pontos percentuais, quando o empreendimento estiver localizado na região do semi-árido ou for considerado de relevante interesse para o desenvolvimento.

As informações são da Agência Câmara. (Redação - InvestNews)

EBDA pesquisa o Pinhão-Manso

Mais uma alternativa para a fabricação de biodiesel está em fase de estudos avançados na Bahia. A Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA) deu início à segunda etapa do Projeto de Desenvolvimento de Sistema de Produção para a Cultura do Pinhão-Manso, na qual estão sendo avaliados espaçamento, densidade, consórcio com culturas de ciclo curto, métodos e épocas de poda e adubação química e orgânica. A terceira e última fase de experiências deve ser realizada ainda este ano e a expectativa é de que o pinhão-manso comece a ser produzido em escala comercial no estado a partir de 2008.

A Bahia e Minas Gerais são os dois estados mais avançados em pesquisas com a cultura no Brasil. Os ensaios da segunda etapa do projeto foram instalados no recôncavo baiano, nas estações experimentais da EBDA nos municípios de Conceição do Almeida, Amélia Rodrigues e Alagoinhas, e nas dependências da Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB), em Cruz das Almas.

A primeira etapa, iniciada no ano passado, constou de 14 Unidades de Observação (UO), cada uma variando de ¼ de hectare a 1 hectare, implantadas para avaliar o comportamento da cultura em diferentes condições agroecológicas e socioeconômicas da Bahia, com objetivo de selecionar plantas matrizes para produção de sementes visando atender aos produtores baianos.

Os municípios selecionados para as UOs foram os de Amélia Rodrigues, Irará, Alagoinhas, Conceição do Almeida, Irecê, Itaetê, Utinga, Ourolândia e Ribeira do Pombal, com um experimento cada. No município de Itaberaba, foram instaladas duas unidades e em Iraquara, três.

“Nessas áreas estão sendo realizados os registros da incidência de ataque de pragas e de doenças, de floração e frutificação, altura de planta, número de ramificações por planta, de cachos por planta, número de frutos por cacho e tomada de dados pluviométricos”, explica o pesquisador da EBDA e coordenador dos trabalhos, Benedito Lemos de Carvalho.

Ele destaca que a seleção das plantas será assistida por marcadores moleculares, uma técnica que serve para identificar os melhores materiais através de um processo biotecnológico.

“Todos esses trabalhos vão gerar informações para aprimorar o Manual de Instruções Técnicas para o Cultivo do Pinhão-Manso, publicação da EBDA que é um instrumento importante para técnicos e produtores rurais na implantação de lavouras comerciais da cultura”, diz.

Os recursos para implantação e acompanhamento das atividades, até o momento, segundo o pesquisador, estão sendo exclusivamente da EBDA, embora já existam recursos alocados no Fundo de Desenvolvimento Científico, do Banco do Nordeste, e também junto à Petrobras. Na realização do Projeto de Desenvolvimento de Sistema de Produção para a Cultura do Pinhão-Manso, a EBDA está atuando em parceria com as universidades Federal da Bahia (Ufba), Federal do Recôncavo Baiano (UFRB) e Católica do Salvador (Ucsal).

Quanto aos resultados já obtidos, Benedito Carvalho informa que, em função das diferentes épocas de plantio, em algumas áreas as plantas apresentam excelente aspecto vegetativo, já em frutificação, enquanto em outras a cultura ainda está em fase de floração. “Em Irecê, por exemplo, apesar do período de estiagem logo após o plantio, as plantas se comportaram de forma excelente, o que demonstra uma boa resistência ao estresse hídrico”, comenta.

O pesquisador também chama a atenção para a forma de polinização do pinhão-manso, que é realizada quase exclusivamente por insetos, com predominância de abelhas e vespas. “A polinização por abelhas é muito importante, pois, além de beneficiar a cultura, contribuindo para uma maior produção, vai possibilitar ao produtor uma renda adicional com a produção de mel”, assegura.

Vantagens - Encontrado em quase todo o território baiano, o pinhão-manso tem na faixa costeira, a partir do litoral até uma distância de cem quilômetros, sua maior predominância, mas também é encontrado em diversos municípios do semi-árido. A planta tem como vantagens sua grande produtividade – que pode chegar a 8.000kg de sementes por hectare; a produção de óleo por semente – uma amêndoa produz até 40% de óleo; a adaptação a diversos tipos de solo, clima e altitude; sua colheita – realizada na estação seca; e ainda a propagação – que é tanto via sementes como por estaquia.

Como se trata de uma espécie que produz bem em altitudes de até mil metros, e com índices pluviométricos de 300 a mil, em faixas de temperaturas médias de 20 a 28 graus, os pesquisadores da EBDA vêem amplas possibilidades de cultivo em todo o estado da Bahia.

Outro diferencial da planta, apontada por Benedito Carvalho, é com relação ao plantio e colheita, realizados manualmente, o que absorve um grande contingente de mão-de-obra. “É um fato considerado de grande relevância, do ponto de vista de inclusão social, para a agricultura familiar, reforçado pelo baixo custo, fácil manejo e pela sua perenidade, visto que a planta vive de 30 a 50 anos”, ressalta o pesquisador.

Carvalho salienta que “o pinhão-manso não veio para competir com a mamona, como vem sendo propalado”. Segundo ele, essa cultura pode ser plantada em áreas de baixa altitude, onde não é recomendável o plantio da mamoneira, sendo mais uma alternativa para o sistema produtivo do agricultor.

“Além disso, o óleo do pinhão-manso serve exclusivamente para a produção de combustível, enquanto o óleo da mamona é, preferencialmente, indicado para o uso industrial na ricinoquímica”, observa o coordenador, frisando que o óleo de pinhão-manso, quando queimado, não produz fumaça nem deixa resíduos no ambiente.
O pinhão-manso já é cultivado em diversas partes do mundo, sendo a Índia e a Tailândia seus maiores produtores. Nesses países, o óleo produzido é utilizado para fins medicinais e na produção de sabão.


Fonte: Correio da Bahia

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Biodiesel do Óleo de Pinhão-manso

Usinas clandestinas de biodiesel se proliferam e deixam governo, postos e

O incentivo à produção de biodiesel e à comercialização do óleo, que será obrigatoriamente misturado ao diesel na proporção de 2% a partir de janeiro, acende a luz amarela para o surgimento de usinas clandestinas, que já operam de olho no filão.

Desde o ano passado, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis vêm apertando o cerco na fiscalização já autuou mais de 22 produtores no país.

De acordo com o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de Mato Grosso (Sindipetróleo), Fernando Chaparro, 70% das usinas do estado são clandestinas. A estimativa é de que, juntas, elas produzam mais de 500 mil litros por dia, ou 15 milhões de litros por mês.

- Com o incentivo à atividade de produção, é comum que locais com disponibilidade de matéria prima, com plantação de soja, girassol ou com oferta de sebo bovino atraiam a instalação de empresas com produção destinada ao consumo próprio ou à comercialização irregular no mercado. As ações têm sido direcionadas a Mato Grosso, São Paulo e Paraná - admite o especialista em regulação da ANP Marcus Werner.

O presidente da Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e Lubrificantes (Fecombustíveis), Paulo Miranda Soares, explica que, nas usinas, o óleo de soja processado (sem glicerina) sai por R$ 2,50 a R$ 3 o litro, contra R$ 1,50 cobrado pelo diesel nas refinarias da Petrobras. Já o biodiesel irregular (que não paga impostos) custa entre R$ 1,50 e R$ 1,80 por litro.

Somente no Mato Grosso, já foram autuadas 14 usinas, que ofereciam sua produção diretamente para os postos, sem o pagamento de tributos.

- Achamos que governo está forçando a implementação do programa, mas não sabemos se ele está preparado para fiscalizar. O programa é bom e a gente apóia, mas precisaremos ter um cuidado enorme porque, se esse desequilíbrio for proporcional à pluralidade de produtores, o governo pode perderá muito dinheiro, inclusive no diesel, que é um mercado bem estabelecido - diz.

O temor dos donos de postos é que se abra espaço para uma nova indústria de irregularidades e de liminares:

- Isso pode criar a concorrência desleal, como a que ocorreu depois do processo de liberação da distribuição da gasolina. Se hoje o governo já não consegue fiscalizar 300 usinas de álcool e pouco mais de 100 distribuidoras, o que vai acontecer quando as usinas se espalharem? - questiona Soares.

A Fecombustíveis também se preocupa com o fato de, até agora, não haver no mercado uma ferramenta que possa identificar, nos postos, qual o percentual de biodiesel que está sendo misturando ao diesel.

Marcus Werner, da ANP, explica que o foco da agência não é tributário, mas diz que os técnicos têm agido em parceria com secretarias estaduais de Fazenda, o que tem dado certo. Para uma usina deixar de ser clandestina, ela precisa da autorização do órgão regulador. A ANP faz exigências em relação a licenças ambientais, alvará e segurança. O biocombustível também pode ser comercializado em leilões promovidos pela agência.

Um grupo formado por representantes de diversas áreas vem elaborando, juntamente à ANP, uma minuta de alteração nas regras para a regulamentação do setor de biodiesel, atualmente guiado pela Resolução 41, que institui o biodiesel como uma das matrizes energéticas do país.

- Por ser um mercado que ainda está amadurecendo e, tendo em vista a fase de mistura obrigatória do biodiesel no diesel que se inicia em janeiro, a tendência é de que a regulamentação evolua e passe por revisões - diz Werner.

Uma das definições publicadas recentemente é a determinação de que a Petrobras continuará sendo a principal compradora do biodiesel no Brasil.

- Com isso, não haverá venda direta do produtor para distribuidora enquanto são desenvolvidos e aprimorados mecanismos de controle e prevenção. Como medida de transição, esta norma pode trazer mais segurança. Mas não desejamos esta sistemática como definitiva - diz Alísio Vaz, vice-presidente executivo do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis e Lubrificantes (Sindicom).

Segundo ele, a situação é mais preocupante quando o preço do óleo de soja cai no mercado, favorecendo as adulterações.

- Felizmente o preço do óleo de soja no momento não está estimulando essas práticas, mas realmente não existe um mecanismo para identificar o teor de biodiesel no diesel dos postos. É preciso estabelecer uma punição dura para quem fraudar o biodiesel - defende.

Fonte:

RN pode ter biodiesel de algas

Depois da mamona, do girassol e do algodão, o Rio Grande do Norte poderá produzir biodiesel a partir de microalgas. A expectativa vem de estudos que a Empresa de Pesquisa Agropecuária do estado (Emparn) está capitaneando com o objetivo de descobrir não o potencial de produção - já atestado em outros países - mas como atingir a produção em larga escala.

Segundo o pesquisador Ezequias Viana de Moura, a idéia é que o trabalho seja feito em parceria com a Petrobras e o suporte do Centro de Tecnologia da Aqüicultura, que será oficialmente inaugurado na próxima sexta-feira. Ele diz que, nos Estados Unidos, as pesquisas começaram há cerca de 20 anos, chegando a resultados animadores no que diz respeito ao potencial da matéria-prima.

‘‘As microalgas têm alta capacidade de transformar energia em matéria orgânica e se apresentam com grandes possibilidades de produzir biodiesel. O potencial é 25 vezes maior que o de qualquer outro vegetal. O que precisamos agora é superar esse desafio’’, disse ele, também diretor executivo do CTA.

DIVERSIDADE

Mas essa não é a única opção estudada pela Emparn. A entidade vem analisando diversas matérias-primas e defendendo o girassol como uma das melhores para a produção do biodiesel no estado. Também está testando, por exemplo, algodão, coco e outra variedade de mamona, a chamada BRS Energia, com teor de óleo de em média 48%, além de menos tóxica e com possibilidade de ser colhida mecanicamente, o que não é possível com a atualmente cultivada pelos produtores, segundo o presidente da Empresa, Henrique Santana. Só no próximo ano, 500 hectares serão plantados com a variedade para dar suporte às pesquisas, com potencial de produção de 1.800kg de mamona por hectare.

O girassol, por sua vez, tem despontado como ‘‘grande oleaginosa’’ e excelente oportunidade tanto para a agricultura familiar quanto para o repouso da cultura da cana-de-açúcar, ainda de acordo com Santana. Associada à cultura da cana, a planta pode oferecer inúmeras vantagens e subprodutos que vão muito além do óleo para produzir o combustível verde.

Com uma enorme capacidade de melhoradora do solo, pesquisas mostram que pode aumentar em 45% a produtividade por hectare nas áreas onde é associada. Além disso, é tolerante à seca e dela pode-se extrair produtos como mel e torta, nesse caso para alimentação animal. De acordo com o pesquisador Marcelo Abdon Lira, o teor de óleo nos grãos também supera os 40%. Outra vantagem é que possui baixo teor de iodo, atendendo os níveis de viscosidade e outras características exigidas pelos motores a diesel.

As diversas linhas de pesquisa na área do biodiesel tem destacado à Emparn em meio as empresas de pesquisa do Nordeste. ‘‘Mas muito ainda precisa ser estudado em termos de matéria-prima’’, continuou Henrique Santana, sinalizando que os trabalhos estão longe de chegar ao fim. Os pesquisadores, segundo explicaram, estão sempre em busca das melhores variedades e dos melhores resultados possíveis, no que se refere, por exemplo, à produção e produtividade.

Os detalhes sobre as pesquisas foram apresentados na manhã de ontem, durante entrevista coletiva realizada na Festa do Boi, no Parque Aristófanes Fernandes. Na ocasião, a entidade também promoveu um almoço, no qual estiveram presentes, entre outros, o governador em exercício, Iberê Ferreira, a secretária estadual de Agricultura, Pecuária e Pesca, Larissa Rosado e o presidente da Associação Norte-Rio-Grandense de Criadores, José Bezerra Junior.


Renata Moura
Da equipe do Diário de Natal

Petrobras inaugura usinas de biodiesel em março

A Petrobras planeja iniciar a produção em suas três usinas iniciais de biodiesel, localizadas em Montes Claros/Minas Gerais, Quixadá/Ceará e Candeias/Bahia, em março do ano que vem. A informação foi dada pelo gerente executivo de Desenvolvimento Energético da estatal, Mozart Schmitt de Queiroz, durante conferência na Argentina.

Segundo ele, as usinas ficarão prontas em fevereiro e as operações começarão no mês seguinte. Queiroz não disse quais são os planos que a Petrobras tem para obter biodiesel inicialmente e cumprir a lei que exige que todo o diesel vendido no Brasil, a partir de 2008, inclua 2% de biodiesel. O porcentual subirá para 5% em 2013.

As três usinas da companhia terão cada uma capacidade de produzir cerca de 50 mil toneladas do combustível por ano, segundo Queiroz. Após sua apresentação, o executivo disse que a empresa não planeja investir em usinas de biodiesel na Argentina. As informações são da Dow Jones.

Fonte: A Tarde On Line

Ressonância magnética mede teor e qualidade de oleaginosas para produção de biodiesel

Uma nova tecnologia desenvolvida nos laboratórios da Embrapa Instrumentação Agropecuária, em São Carlos, no interior paulista, deverá fortalecer a posição do Brasil na produção mundial de biocombustíveis.
Pesquisadores da entidade criaram um aparelho de ressonância magnética nuclear para medidas ultra-rápidas da quantidade e da qualidade de óleos vegetais presentes em sementes de soja, mamona, dendê, girassol, amendoim e algodão, entre outras oleaginosas, plantas que têm sido usadas ou são candidatas para a fabricação de biodiesel. O equipamento tem potencial para analisar o teor de óleo em mais de 10 mil sementes por hora, enquanto os métodos químicos convencionais mais rápidos existentes no mercado realizam apenas 60 análises no mesmo período de tempo. A medida da qualidade do óleo é de 300 amostras por hora, mas, mesmo assim, ainda é dezenas de vezes mais rápida do que as técnicas disponíveis atualmente.

A velocidade na realização das análises é importante porque permite selecionar com mais agilidade variedades de plantas comerciais e silvestres, como o pinhão-manso, a macaúba, o pequi e o tucumã, outras candidatas ao biodiesel, com alta produtividade e, assim, acelerar os programas de melhoramento genético das cultivares envolvidas na produção de biocombustíveis. “Para que os programas de seleção de novas plantas sejam rápidos, são necessárias dezenas de milhares de análises de teor de óleo de sementes por ano. E os métodos de análise de óleo hoje não atendem a esse requisito”, explica o bioquímico Luiz Alberto Colnago, que coordenou as pesquisas. Segundo o pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), embora o Brasil, por seu pioneirismo, esteja numa posição relativamente confortável no mercado mundial de biocombustíveis, é preciso aumentar a produtividade das lavouras destinadas à produção de biodiesel para que a demanda futura seja suprida sem risco de provocar escassez do produto. “Hoje, somente o dendê tem alta produtividade, de cerca de 5 toneladas por hectare por ano. A soja e a maioria das outras culturas comerciais estão em torno de 1 tonelada por hectare por ano. Isso significa que a energia produzida é apenas pouco maior que a energia gasta para sua produção”, diz ele.

Fonte:

Petrobras em Quixadá/CE

(Quixadá/CE)

Projeto da Petrobras deve estar pronto até junho de 2008

A usina de produção de biodiesel da Petrobras no Ceará, instalada no município de Quixadá, deve ter sua construção terminada já no primeiro trimestre de 2008, após um investimento de R$ 76 milhões. A capacidade de produção da usina será de 50 mil toneladas/ano de biodiesel.

´A usina vai precisar de matéria-prima, e o produtor já pode se organizar para produzir´, ressalta o gerente da fábrica, João Augusto Paiva. O empreendimento é considerado de médio porte e irá atender à produção nordestina, juntamente com a outra usina da estatal instalada na Bahia.

No Ceará, além desta, está localizada em Crateús a usina da Brasil Ecodiesel, com capacidade de produção de 118 mil toneladas de óleo, já operando desde janeiro deste ano.

Pensando nesta crescente demanda, o prefeito do município de Itapipoca, João Barroso, resolveu construir uma mini usina de esmagamento de mamona. A previsão é que esteja pronta no segundo semestre de 2008 para atender a região e terá capacidade de produzir até 8 mil litros de óleo por dia.

Para atender a instalação, será preciso três mil hectares de produção da oleaginosa. ´A potencialidade da região para essa produção é grande e agora vai aumentar, porque o produtor vai ter garantia de retorno´, afirma. Os investimentos para a instalação dos equipamentos são de R$ 500 mil, com recursos federais. Com o valor do terreno e a instalação do galpão, que ficaram a cargo da Prefeitura, o valor final é de cerca de R$ 800 mil.

Fonte:

Ceará só conta com 3% da capacidade das usinas instaladas

O Ceará, se tivesse que suprir sozinho sua capacidade instalada para a produção de biodiesel, ainda estaria longe de ser auto-suficiente. O programa da nova fonte de energia avança e, já a partir do ano que vem, duas usinas beneficiadoras do combustível devem estar em funcionamento, com capacidade de produção conjunta de 168 mil toneladas do biodiesel.

Entretanto, segundo o coordenador do Programa de Biodiesel estadual, Walmir Severo, para suprir essas usinas, o Estado precisaria ter, no mínimo, 300 mil hectares plantados, no caso da utilização da mamona Mas, na prática, só existem hoje 10,6 mil hectares — ou seja, apenas 3% do necessário.

O desafio está sendo, segundo ele, lançado ao Governo do Estado e aos empresários da agropecuária. Mas Severo se mostra otimista, afirmando que o Ceará não tem a obrigação de suprir, sozinho, toda essa capacidade. ´Essas usinas não atendem somente ao Estado, mas ao Nordeste inteiro´, esclarece.

Severo informa que deverão ser investidos, no Ceará, R$ 21,54 milhões no Programa do Biodiesel para o ano que vem, sendo R$ 18 milhões do Governo do Estado e o restante da Petrobras. A expectativa, aponta, é que se chegue a 55 mil hectares plantados de oleaginosas em terreno cearense até o fim de 2008. Para isso, será investido na cultura do girassol, ainda inexistente aqui.

´Acredito que o girassol é a grande alternativa. No Cariri, por exemplo, o agricultor pode consorciar o girassol com a cultura do milho e ter bons resultados´. De acordo com estimativa do Programa de Biodiesel, o Ceará deverá contar com 5 mil hectares plantados de girassol em 2008, ficando o restante com a mamona. Atualmente, 97 municípios foram zoneados pelo programa e oito já trabalhados com oleaginosas em 2007. A meta é alcançar 130 municípios em 2008, com 27.500 agricultores familiares.

A cultura da mamona já existia no Ceará, mas, com o tempo, foi se perdendo. A tentativa do governo, agora, é recuperar este plantio. ´O Ceará tem condições de ser um dos estados a ajudar a mudar a matriz energética do país, e é preciso investir nisso´, destaca o vice-governador do Estado, Francisco Pinheiro. Para Walmir Severo, a cultura da mamona deve ser incentivada, acima de tudo, por permitir uma diversificação da agricultura do pequeno produtor. ´A mamona é oportunidade no verão, quando o milho e o feijão não dão´, destaca.

Política de preços

Para incentivar a produção de oleaginosas, o governo garante, desde março deste ano, uma política de preços em que o quilograma da mamona não possa ser comercializado por um preço abaixo de R$ 0,70 e o de girassol não fique por menos de R$ 0,50. As duas oleaginosas possuem 100% de subsídio pelo governo, enquanto que o calcário e o ácido bárico utilizados no solo têm subsídios de 50%.

Outra iniciativa é o repasse ao pequeno agricultor, a fundo perdido, de R$ 150,00 por hectare plantado de oleaginosas, quando a propriedade possui no máximo três hectares. Também há a formação do Fundo de Capital de Giro, que destinará R$ 200,00 por família para apoiar organizações que trabalham com essa população.

Fonte:

ANP realiza novo leilão de biodiesel em 13 e 14 de novembro

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) marcou para os próximos dias 13 e 14 dois leilões de biodiesel, pela modalidade pregão eletrônico. Em edital publicado hoje, a reguladora informa que os leilões visam a atender a demanda referente à mistura obrigatória de 2% de biodiesel ao diesel derivado de petróleo, que entrará em vigor em 1º de janeiro de 2008. Os editais dos leilões podem ser consultados no endereço www.comprasnet.gov.br/.

No primeiro leilão serão oferecidos 340 milhões de litros e só poderão participar empresas autorizadas pela ANP, que possuam registro na Receita Federal e sejam detentoras do selo "Combustível Social", concedido pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA). No segundo leilão, que prevê a venda de 160 milhões de litros do produto, não será obrigatória a apresentação do selo "Combustível Social", contando com a participação de produtores de biodiesel autorizados pela ANP e que possuam registro na Receita Federal.

O prazo de entrega dos volumes vendidos nos leilões, com preço de referência de R$ 2,40 por litro, vai de 1º de janeiro a 30 de junho de 2008. Todo o volume de biodiesel necessário para atender à demanda gerada pela introdução do B2 no mercado será suprida pelos volumes do produto adquiridos nesses dois leilões programados.
Para garantir o cumprimento dos prazos de entrega , a ANP incluiu no edital a previsão de multas, a exigência da apresentação de garantias bancárias para as empresas vencedoras e somente será permitida a participação de empresas com plantas de produção já autorizadas pela Agência.

Também foi publicada ontem, no Diário Oficial da União, a Resolução ANP nº 33/2007, que estabelece as diretrizes para a realização dos leilões de biodiesel pela ANP. A agência regula e fiscaliza as atividades relativas aos biocombustíveis. A ANP adaptou o marco regulatório para introdução do biodiesel na matriz energética brasileira, estabeleceu suas especificações para a fiscalização da qualidade do produto oferecido no mercado e a concessão das autorizações para plantas produtoras.

Fonte: