De acordo com a estatal, dos 876 milhões de litros de biodiesel arrematados nos cinco leilões promovidos, 196 milhões já foram entregues pelas usinas. "Do volume arrematado no segundo leilão, por exemplo, apenas 41% foi efetivamente entregue", observou Paulo Roberto Costa, diretor de abastecimento da Petrobras.
Segundo Costa, as usinas alegaram como razões para os atrasos a falta de documentação legal - como autorização da Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP), selo social do Ministério do Desenvolvimento Agrário e licenças ambientais - o que obrigou a estatal a renegociar alguns contratos. Como o Valor já antecipou as empresas Soyminas, Biocapital, Ponte di Ferro, Binatural e Renobrás tiveram problemas para cumprir os prazos de entrega.
Representantes de algumas indústrias, no entanto, afirmam que ocorre o contrário: a Petrobras atrasa a retirada do biocombustível das usinas, alegando capacidade de armazenamento insuficiente. Ricardo Vianna, diretor financeiro e de relações com investidores da Brasil Ecodiesel, confirmou que negocia com a estatal um novo cronograma para entregar 400 milhões de litros negociados em leilão e que ainda não foram entregues. "A oferta de biodiesel antecedeu os investimentos das distribuidoras em logística para receber o biocombustível. A Petrobras tinha como alternativas comprar e estocar o produto ou repactuar os prazos", afirmou Vianna. Segundo o executivo, a Ecodiesel conseguirá normalizar o cronograma de entregas até outubro.
Diego Ferrés, sócio-diretor da Granol - que negociou a entrega de 83,9 milhões de litros nos cinco leilões - também confirmou a demora da Petrobras para retirar o produto nas usinas. "O programa do biodiesel está sofrendo problemas de continuidade. E isso preocupa, porque logo a mistura se tornará obrigatória e ainda não se sabe se as distribuidoras estarão com estrutura logística para atender a essa nova demanda", avaliou.
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