quarta-feira, 23 de maio de 2007

Isso é Brasil

Semana passada, estive em Irecê na Bahia para proferir uma palestra sobre biocombustíveis.
Ao final da palestra um senhor de idade me interpelou, e foi logo perguntando:
-Dr posso fazer uma pergunta?
-Mas é claro. Respondi.
-Dr desde que eu nasci venho chamando esse negocio de álcool, agora, depois da vinda do presidente americano, todo mundo só chama ele de etanol.
Fui logo me preparando para responder que não havia diferença entre os dois, mas nem bem acabei de pensar ele foi completando:
-Dr., a cachaça também vai mudar de nome?

Rota Etílica do Biodiesel

O mercado de biodiesel brasileiro vem se desenvolvendo nos últimos anos baseado principalmente em tecnologias usadas em outros locais do mundo e que somente conseguem aproveitar como matéria-prima, além do óleo vegetal ou o sebo animal, um álcool chamado como metanol.

A maioria das pessoas já deve ter ouvido falar deste álcool, que é produzido em sua maioria a partir de petróleo e que é extremamente tóxico além de ter de ser importado pelo Brasil já que aqui não se produz metanol na quantidade necessária pela industria nacional atual.

Faltava ao Brasil e ao mundo uma tecnologia que pudesse fabricar o biodiesel, combustível em gigantesca expansão no mundo todo, a partir de um outro álcool que fosse menos poluente, menos nocivo e tóxico e que no caso de nosso país, fosse produzido aqui mesmo, economizando assim divisas com importações onerosas além de criar empregos no agronegócio brasileiro.

Esse álcool é o nosso conhecido etanol ou "álcool-de-cana". Muito mais fácil de ser manipulado por humanos do que o metanol.

O grande desafio para as empresas de biodiesel era substituir o metanol pelo etanol em seus processos já que isso acarreta várias complicações técnicas nunca antes resolvidas fazendo com que até a pouco tempo o biodiesel "etílico" fosse apenas uma curiosidade presente em laboratório de química.

O desafio foi vencido e a tecnologia de produção de biodiesel a partir de etanol foi dominada desde 2004 por uma patente que pertence hoje a Petrobio Biodiesel e que foi adquirida da MB do Brasil Biodiesel, empresas de Piracicaba e Ribeirão Preto respectivamente, todas no interior de São Paulo. A patente foi criada completamente por químicos brasileiros e hoje é o único processo que tem condições mundialmente de fabricar biodiesel com etanol de maneira econômica, prática e com boa qualidade e disponível nas linhas industriais "batelada", "semicontínuas" e "contínuas" cobrindo assim todo o universo de potenciais produtores do biocombustível além de aceitar o velho conhecido metanol, tornando "TOTAL FLEX" a fabricação do biodiesel (aceita qualquer álcool).

Hoje existe no Brasil um lobby pelo uso de metanol no programa de biodiesel do governo federal para viabilizar as caras tecnologias re-aproveitadas dos países europeus e dos Estados Unidos. Tentam convencer o governo federal de que importar metanol feito com petróleo é melhor do que plantar nosso próprio combustível aqui.

Várias universidades do Brasil e do mundo estão trabalhando em seus próprios processos químicos para fazer biodiesel etílico, mas esse já está disponível no Brasil, tem baixo custo e não paga royalties para estrangeiros e que por isso, com toda essa tecnologia nacional, faz biodiesel a preços de custo inferiores aos preços de custo do diesel da Petrobrás.

A retórica difundida de que o biodiesel é mais caro que o diesel não é uma realidade, quando em sua fabricação, o biodiesel leva o que existe de melhor em nossa tecnologia nacional.

Fonte: MB do Brasil

Biocombustível: meta da UE não prejudicará mercado de alimentos

A União Européia (UE) pode alcançar sua meta de uso de 10% de biocombustível até 2020 sem prejudicar muito os mercados de alimentos, afirmou hoje a Comissária Agrícola do bloco, Mariann Fischer Boel. "A meta de 10% não irá criar fortes tensões nos mercados ou pressionar excessivamente os recursos", declarou ela. "A meta de 10% não foi um salto no escuro", acrescentou.

Na União Européia, o biodiesel é produzido principalmente a partir de óleo de colza, e o etanol a partir de grãos e beterraba. O bloco também está tentando alcançar uma meta de uso de 5,75% de biocombustível até 2010, mas ela pode cair um pouco. Segundo Boel, estudos da Comissão Européia mostram que a meta elevaria os preços de cereais no bloco entre 3% a 6%, e os de oleaginosas entre 5% e 18%. No entanto, ela acrescentou que os preços dos produtos brutos influenciam os preços dos alimentos apenas de forma limitada.

"O custo dos cereais corresponde a apenas cerca de 1% a 5% do preço do pão para o consumidor, o que significa que os preços do pão aumentariam menos de 1%", afirmou a comissária. No entanto, ela afirmou que o aumento dos preços de produtos derivados de oleaginosas seria maior.

Importação
Alguns biocombustíveis precisarão ser importados. Sob as atuais políticas agrícola e de comércio, entre 10% e 30% da oferta de biocombustível até 2020 provavelmente seria importada. O volume de importações dependerá da competitividade das matérias-primas da UE em relação ao mercado mundial. As informações são da Dow Jones.

Fonte:

BR APOSTA FIRME NO BIODIESEL E DESCOBRE A SUA RENTALIDADE

A BR Distribuidora está descobrindo que o biodiesel é altamente rentável, o que até então era uma das críticas da grande imprensa ao projeto do Governo Federal. “Nunca havia imaginado isso, com toda a sinceridade. E o biodiesel está entre os produtos de maior rentabilidade”, disse a presidente da BR Distribuidora, Maria das Graças Foster.

Ela informou que a estatal irá intensificar ativos de energia, entre os quais 18 Pequenas Centrais Hidrelétricas. “Vamos intensificar essa linha de atuação. Digo sempre que a BR tem que ser, por obrigação junto ao seu controlador, distribuidora que é referência. Tem que estar na linha de frente, assim como a Petrobrás. Não Posso ficar sendo uma distribuidora comum. Tenho que ser uma empresa que toma riscos, que chega na frente. Se eu não puder tomar riscos, quem é que vai tomar? Quando eu digo risco, é o planejado”, acrescentou.

(...) Na semana passada, o presidente da Empresa Nacional Portuguesa de Petróleo, Gás e Energia (Galp Energia), Manuel Ferreira de Oliveira, informou que o país vai comprar 300 mil toneladas de óleo vegetal brasileiro para produzir biocombustível naquele país. O acordo será assinado com a Petrobrás no próximo dia 18. Segundo Oliveira, a necessidade de biodiesel de Portugal é de 600 mil toneladas por ano, e o compromisso é que metade do óleo vegetal seja do Brasil.

Fonte: Aepet - Associação dos Engenheiros da Petrobras

JETBIO FABRICA USINA FLEX PARA BIODIESEL

Há um mês, a Jetbio, empresa do grupo Juresa, firmou parceria com a Petrobio, empresa com sede em Piracicaba (SP) e líder em tecnologia para o setor de biodiesel, e centrou sua operação na fabricação de usinas para produção do combustível. "O projeto original previa a produção do próprio biodiesel, mas acabamos desviando o foco do negócio para a fabricação de máquinas e equipamentos que produzem o combustível", reforça Rafael Abud, diretor e um dos sócios da Jetbio.

A tecnologia desenvolvida pela Petrobio utiliza um processo de transesterificação que admite as rotas etílica e metílica e resulta na possibilidade de construção de usinas totalmente flexíveis, de acordo com Abud, o que significa dizer que os equipamentos operam com matérias-primas animais (como sebo bovino e outras gorduras) e vegetais. "Trata-se de uma tecnologia proprietária, que adota um sistema de indução com separação do etanol da glicerina sem uso de centrífugas. Isso permite uma taxa de conversão de até 96%, dependendo do grau de impureza da matéria-prima", ressalta Abud.

A Jetbio está em fase de mudança de Piracicaba, onde inicialmente montou sua fábrica, para Cabreúva, também no interior de São Paulo, num processo que deverá consumir recursos na casa de R$ 1 milhão entre investimentos em equipamentos, caldeiras, máquinas operatrizes e na contratação de pessoal qualificado. Com capacidade para montar simultaneamente até 10 usinas, prontas para produzir entre 2 mil a 50 mil litros de biodiesel por dia, a empresa espera começar a operação em sua nova sede a partir do final deste mês de maio.

Com três projetos já implantados no país, um em Piracicaba e dois outros no Rio Grande do Sul e no oeste do Paraná, no Sul do país, a Jetbio tem mais duas usinas na linha de montagem e projeta entregar ao mercado um total de 15 a 20 unidades neste ano. Abud prevê um faturamento entre R$ 10 milhões a R$ 15 milhões no primeiro ano de operação efetiva.

Fonte:

ALEMANHA X EUA

A alemã Campa-Biodiesel informou que paralisará a sua produção de 150 mil toneladas de biodiesel por ano devido à concorrência com o biocombustível americano importado pela Europa. Em março, a associação de produtores europeus pediu à Comissão Européia para sobretaxar o biodiesel americano, alegando que o governo Bush concede subsídio de US$ 1 por galão (3,8 litros) do B99 (mistura de 99% de biodiesel e 1% de diesel.

Fonte:

Projeto de biodiesel é lançado no interior de SP

A possibilidade de entrar no negócio do biodiesel atrai cada vez mais o interesse de pequenos agricultores do interior de São Paulo.

Hoje, cerca de 100 representantes de produtores rurais da região de Capão Bonito, no sudoeste do Estado, atenderam a uma convocação da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de São Paulo (Fetaesp) para a apresentação do Programa Nacional do Biodiesel do governo federal.

No Estado, o projeto tem ainda a participação da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) e da empresa Brasil Ecodiesel.

De acordo com o presidente da Fetaesp, Braz Agostinho Albertini, os agricultores que aderirem ao programa receberão assistência técnica, extensão rural, estudo do solo e fornecimento das sementes. Estão sendo oferecidas sementes de mamona e de girassol para os primeiros plantios.

A Brasil Ecodiesel assegura a compra de toda a produção. Se houver demanda, será instalada uma unidade de extração do óleo na região.

O plano, segundo Albertini, é iniciar os plantios nos próximos meses. O projeto já foi lançado nas regiões da Alta Paulista e do Pontal do Paranapanema. Em todo o Estado, a meta é cultivar 30 mil hectares com girassol e mamona até o início de 2008.

Fonte:

Brasil e Senegal assinam quatro acordos de cooperação

Os governos do Brasil e do Senegal firmaram quatro acordos hoje (16), por ocasião da visita do presidente senegalês, Abdoulaye Wade. Um dos acordos complementa a cooperação já existente para a produção de biocombustíveis. O ajuste visa capacitar técnicos senegaleses para a produção de álcool de cana-de-açúcar e também biodiesel.

“Sob a liderança do Senegal, queremos levar essa iniciativa para os demais países africanos não produtores de petróleo, reunidos na chamada OPEP Verde”, disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“A produção de energia alternativa a partir da biomassa valoriza algo de que dispomos em abundância: sol, terras aráveis e criatividade. Os biocombustíveis oferecem oportunidade extraordinária para gerar empregos e renda de forma sustentável na agricultura”, completou.

Por sua vez, Wade, que preside a “OPEP Verde”, disse que a produção de biodiesel na África é inspirada na experiência brasileira. “Os biocombustíveis vão promover uma revolução no continente”, disse.

Outro acordo visa facilitar rotas aéreas entre os dois países. Para o presidente Lula, o acordo vai estreitar a cooperação com os senegaleses e outros países africanos. “Enquanto for mais fácil a um empresário brasileiro ir à Europa ou aos Estados Unidos, ele não irá fazer negócios na África. O mesmo vale para o empresário senegalês. Não podemos falar em integração Sul-Sul quando só chegamos a outro país do Sul passando por um do Norte”.

Os governos intensificaram ainda cooperação na pecuária de leite e carne e combate ao gafanhoto, praga que atinge as plantações no Senegal.


Fonte:
da Agência de Notícia UDOP

Novo fungo acelera a produção de biodiesel

Pesquisadores da Universidade de Tel Aviv (Israel) descobriram um novo fungo que, após passar por modificações genéticas, acelera a produção de biocombustível. O fungo transgênico, que ainda não tem nome, é capaz de acelerar a produção de bioetanol a partir de qualquer planta. Uma das principais características do fungo é acelerar a transformação de celulose em biomassa, um dos processos mais complicados na elaboração de biocombustíveis.

“Uma das grandes novidades é que esse fungo modificado resiste muito resistente a processos que compõem a produção de biocombustíveis, como a exposição ao calor ou a substâncias tóxicas, que destroem outros microorganismos”, diz o Dr. Amir Sharon, chefe da equipe de pesquisadores da Universidade de Tel Aviv. O fungo deverá chegar aos mercados de combustíveis nos próximos meses.

Fonte: Portal Factor Brasil

Comunidades produzem energia elétrica com Biodiesel

Comunidades rurais ainda não eletrificadas já podem pensar em produzir sua própria energia elétrica, aderindo ao projeto de produção popular, que utiliza o biodiesel de mamona como combustível.

A experiência, já realizada em duas comunidades cearenses (Cacimbas – Pentecoste/CE e Serrinha de Santa Maria – Quixeramobim/CE), deve ser levada a todo Nordeste.

Todo o processo de produção da energia é realizado pelos próprios moradores da comunidade, que acompanham desde o plantio da mamona até a geração e distribuição de energia elétrica.

Handerzon Palma, integrante do IDER – Instituto de Desenvolvimento Sustentável & Energias Renováveis, conta que o projeto foi iniciado na comunidade da Serrinha de Santa Maria, localizada em Quixeramobim-CE.

Em Serrinha de Santa Maria, a energia elétrica foi fornecida para 26 residências, uma escola e um centro comunitário. Já em Cacimbas, onde o projeto se encontra na fase do plantio, a energia elétrica deverá beneficiar 20 famílias.

Handerzon explica que “A intenção é levar esse projeto para outras comunidades, não só do Ceará, mas de todo o Nordeste para que possa ser reaplicado em diversas localidades de forma auto-sustentável”.

Fonte:

terça-feira, 22 de maio de 2007

Vantagens da mamona e do girassol são apresentados em Ponte Preta

Aproximadamente 600 pessoas, entre técnicos e produtores, participaram do 1° Seminário Microrregional sobre Biodiesel realizado em Ponte Preta, na sexta-feira (18), onde foram repassadas orientações técnicas sobre o cultivo da mamona e do girassol. O evento, promovido pela prefeitura e Emater/RS-Ascar, contou com a presença do diretor técnico da Emater/RS, Paulo da Silva que esteve acompanhado do gerente regional, Theodoro Tedesco Neto, do prefeito Luis Carlos Parise, do supervisor da microrregional, Valdir Zonin, presidente do Sutraf Auto Uruguai, Ademir Lira, entre outros convidados. Na oportunidade, foi lançado o programa municipal de incentivo ao cultivo da mamona.

O agrônomo do escritório municipal da Emater/RS-Ascar, Paulo Trierveiler, expôs o cultivo da mamona no município de Ponte Preta. Segundo ele, a expectativa é de que a próxima colheita supere os 1.500 quilos por hectares colhidos agora, desde que sejam tomadas algumas medidas de ajustes tanto no plantio quanto na colheita. Entre as vantagens da mamona, ele destacou o baixo custo, pouco uso de produtos químicos, facilidade na colheita, já que não há necessidade de máquinas e a resistência à seca. Entre os motivos que levaram Ponte Preta a implantar o girassol no município estão a parceria entre Brasil Ecodisel, Helianthus do Brasil, Cerealistas, disponibilidades de áreas ociosas (pós-colheita do milho), garantia de preços (contrato de compra e venda), variedades híbridas de ciclo curto e apoio técnico da Emater/RS-Ascar.

Logo em seguida, o agrônomo da Emater/RS-Ascar, do Regional de Passo Fundo, Cláudio Dóro, e o representante do Ministério do Desenvolvimento Agrário e coordenador dos pólos de biodiesel e do selo Combustível Social para a região Centro-Sul, Roberto Terra, traçaram um panorama dos biocombustíveis no Brasil e no Rio Grande do Sul. De acordo com Dóro, os desafios são aumentar o rendimento das safras, fomentar os cultivos e integrar a cadeia produtiva.

O agrônomo da empresa Ecodisel, Leocir Zorteia, falou sobre o cultivo do girassol, destacando a experiência dos produtores de Ponte Preta. Ele chamou a atenção para que os produtores observem o período de plantio, que deve ocorrer no mês de agosto, e de colheita do girassol no início de dezembro. Doze produtores do município iniciaram o cultivo do girassol em Ponte Preta, com 95 hectares cultivados. Zorteia destacou o alto teor de óleo da planta que atinge entre 40% a 50%. Também orientou sobre espaçamento, umidade do grão para a colheita que deve ficar entre 14% e 16%, entre outras informações para o cultivo e colheita da cultura.

O produtor Cláudio Toldo relatou sua experiência com uma mini usina de biodiesel, com ênfase para custos e benefícios do equipamento.
Na parte da tarde, os participantes visitaram duas estações onde são cultivadas as referidas culturas, na comunidade de Souto Neto. As estações foram montadas na propriedade do produtor Sergio Botini, que cultiva um hectare de mamona e a outra na propriedade dos irmãos Bolis, onde são cultivados 3,3 hectares de girassol.

Fonte: Emater/RS

Projeto de biodiesel da Afubra entra em nova etapa

O projeto de pesquisa da cultura do girassol para produção de biodiesel e uso da torta para alimentação animal, desenvolvido pela Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra), Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), Emater, Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Sindicatos Rurais e prefeituras municipais, entra em nova etapa.

Nos próximos dias, conforme revela o vice-presidente da Afubra, Heitor Álvaro Petry, uma máquina de extração do óleo, desenvolvida em São Luiz Gonzaga, vai chegar na estação experimental da entidade, visando o beneficiamento dos grãos colhidos junto às lavouras experimentais.

Na semana passada, o dirigente, acompanhado do coordenador técnico do projeto Marco Dornelles e dos técnicos agrícolas Nataniel Sampaio e Iara Koeppe, esteve no município, participando de encontro sobre bioenergia e para verificação do funcionamento da máquina.

Mesmo que o tema esteja muito presente, Petry enfatiza que para produzir biodiesel, ainda há muita necessidade de desenvolvimento e de pesquisa, tendo em vista a grande carência de máquinas e equipamentos para processamento dos grãos. “A extração do óleo é apenas uma etapa, resta ainda a produção do biodiesel”, lembra.

No momento, a Unisc está desenvolvendo um protótipo de usina de produção, através do processo de transesterificação a partir do óleo vegetal, cuja conclusão é aguardada para breve. Além disso, a Afubra mantém contatos com empresa de São Paulo. O projeto paulista parte da adição de elementos químicos ao óleo vegetal, visando transformá-lo em biodiesel.

Por outro lado, Petry enfatiza que a medida em que for extraído o óleo, já poderá ser utilizada a torta de girassol para as experiências em alimentação animal, parte que também integra a pesquisa.


EXPERIMENTOS

Mesmo diante dos avanços, Petry ressalta que o projeto é de pesquisa. “Não podemos nos iludir achando que agora o biodiesel, oriundo do girassol, será a grande solução”, diz. Para o dirigente, primeiro é necessário levantar dados e números. “Antes de incentivar os agricultores a plantar, é preciso conhecer os resultados e é isto o que a Afubra está fazendo, com muita responsabilidade. O biodiesel é assunto novo, diferente do álcool, que tem mais de 20 anos de história”, completa.

LAVOURAS

O desenvolvimento das lavouras experimentais, revela o dirigente, foram satisfatórias, com níveis de produtividade razoáveis. Quando a máquina oriunda de São Luiz Gonzaga estiver em operação, a Afubra pretende promover encontro com os parceiros do projeto, inclusive os agricultores, visando pleno conhecimento do andamento do processo.

Fonte: Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra)

Potencial energético e alimentar do licuri é discutido em workshop


O Licuri ou Ouricuri (Syagrus coronata), uma das principais palmeiras da região semi-árida do Brasil, é uma importante alternativa no combate à desnutrição infantil e serve de matéria-prima na produção de biodiesel na Bahia. Esse é o resultado das pesquisas do Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet/Ba) apresentado no workshop de beneficiamento do fruto, que aconteceu na instituição para divulgar, discutir ações e valor nutricional da planta, além de propor políticas públicas de inclusão e valorização das mulheres e jovens produtores de licuri, no contexto e produção familiar.

A atividade começou ontem (21) e segue até hoje (22), reunindo autoridades, estudantes e pesquisadores, deputados federais e estaduais, prefeitos e representantes da sociedade civil organizada.

O secretário da Agricultura do Estado, Geraldo Simões, participou da solenidade de abertura, representando o governador da Bahia, Jaques Wagner. Ele reafirmou o compromisso com o semi-árido e o desenvolvimento do sistema público de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER), bem como o processo de agroindustrialização. Simões ainda propôs a firmação de parceria para desenvolver uma pesquisa agropecuária do Estado.

“A potencialidade do licuri era desconhecida e pouco explorada. Pesquisas de extensão como essa são muito importantes para a agregação de valor dos produtos regionais e para o desenvolvimento da Agroindústria. É uma cultura com grande peso sócio-econômico”, considera o secretário de Agricultura do Estado.

O estudo sobre o licuri foi desenvolvido no município de Caldeirão Grande, localizado na zona fisiográfica de Jacobina, cuja produção chega a 15 milhões de liculizeiros. A localidade tem 15 mil habitantes, sendo que 3 mil sobrevivem da produção do fruto.
Segundo a pesquisadora Mirtânia Leão, que integra o núcleo de pesquisa e produção em Química, do Cefet, o licuri é uma grande fonte energética e produz 60% de óleo, matéria-prima para o biodiesel (20% a mais que a mamona). Mas, segundo ela, o retorno social é ainda maior.

A pesquisa também revelou o alto teor de minerais na composição do licuri, essenciais para o organismo humano e animal. Entre os subprodutos, a farinha, compotas, iogurtes, geléias sorvetes da polpa e da amêndoa e sucos, que devem ser usados na merenda escolar pública. As folhas da palmeira também rendem uma diversidade imensa de artesanato – chapéus, vassouras, bolsas e balaios, esteiras, etc.

“Apesar do potencial nutritivo e oleaginoso do licuri, a planta tem sido pouco explorada comercialmente. Basta estimular o consumo, mostrando o amplo mercado que ele pode ter, com a sistematização da produção dos diversos produtos gerados a partir do fruto”, avalia a pesquisadora Mirtânia Leão.

Além do programa Bio-Sustentável, da Secretaria de Agricultura do Estado, que objetiva a inserção dos pequenos produtores na base de produção e beneficiamento das culturas fornecedoras de óleos para fins de biodiesel, o órgão ainda desenvolve o Sistema Estadual de Comercialização da Agricultura Familiar (SECAF) para organizar e promover o comércio em sistemas de redes de produção da agricultura familiar nos mercados regional, nacional e internacional.

Fonte: Seagri/BA

Soja é opção para biodiesel, mas com pouco rendimento

A soja atualmente possui grande produção e oferta no país. Dentro do planejamento do governo de ampliar a produção de biodiesel, o produto pode ajudar, mas ainda possui um rendimento menor do que outras espécies como, mamona e dendê. Mas poucas espécies estão com um domínio tecnológico capaz de entrar nos requisitos para a procução massiva que demanda a Lei do Biodiesel.

No caso da soja, que tem cerca de 18% de óleo, quase 80% da produção nacional se destinam ao farelo, proteína para ser agregada à cadeia de proteína animal. A soja produz em média 700 litros de biodiesel por hectare, quase um treço a menos que outras espécies.

Segundo o chefe-geral da Embrapa Agroenergia, Frederico Durães Durães, para a consolidação do programa de biodiesel no Brasil, será preciso sair do patamar de 600 a 800 litros de óleo por hectare, produzido pelo cultivar da soja, e entrar em espécies que podem nos levar a patamares de rendimento agrícola superiores a mil litros por hectare. É o caso das palmáceas, como a macaúba, babaçu, buriti e o dendê. “As palmáceas e outras espécies semi-perenes ou perenes poderia ampliar a produtividade a patamares superiores a 3 mil ou 4 mil litros por hectare”.

A quantidade de óleo produzida pela soja ainda apresenta um patamar baixo. “Mas, em função da área plantada, do volume de produção nacional que temos no momento, ou seja, da distribuição, da logística e da disponibilidade, a soja contribui massivamente para a oferta de matéria-prima de curto prazo. Por isso, nós precisamos contar com ela”, esclareceu o chefe-geral da Embrapa Agroenergia.

O Brasil já tem domínio tecnológico para produção de biodiesel a partir das palmáceas. “O que nós precisamos é ampliar a nossa capacidade de inovação dentro dessa espécie e colocá-la em escala comercial do ponto-de-vista energético”, destacou Durães. Ele informou que a capacidade de produção de óleo de dendê pode chegar em torno de 4 mil a 7 mil litros por hectare. Ao contrário da soja, que começou no Rio Grande do Sul e hoje se estende até o Maranhão e o Centro-Oeste, o dendê está concentrado na Amazônia tropical úmida e na região cacaueira da Bahia.

Frederico Durães analisou que a cultura do dendê não vai se expandir pelo país no curto prazo, porque ela tem uma adaptação ecológica específica, aproveitando condições tropicais de alta temperatura e alta precipitação (chuvas). Os estudos realizados pela Embrapa do ponto-de-vista de arranjos tecnológicos têm observado como a palmácea se propaga mantendo a identidade genética, mas com ganhos de eficiência. É analisado também como podem ser feitos melhoramentos de espécies para obtenção de ganhos de seleção. “Ou seja, que possam ser melhores do que os cultivares do passado ou dos cultivares comerciais do presente”, disse o chefe geral da Embrapa Agroenergia.

O terceiro ponto do estudo objetiva ver como se estabelecem sistemas de produção de dendezais que possam ser comercialmente explorados. Os pesquisadores da Embrapa verificam ainda quais são os ganhos de eficiência nos processos de conversão do óleo vegetal de dendê para o biodiesel de dendê e seus vários subprodutos. “Essa é a questão fundamental no curto prazo”, indicou.

No médio prazo, Durães avaliou que com algum sistema de manejo acoplado, o dendê poderá ser colocado em condições de cerrado, desde que irrigado. Ele acredita que algum trabalho de melhoramento adaptativo poderá ser feito para agüentar faixas de temperatura diferentes daquelas altas e constantes de regiões equatorianas.

Fonte:

Plano para biocombustíveis prevê expansão de cultivo de palmáceas

Entre os cenários trabalhados pelo governo para aumentar a produção de biocombustíveis, está a possibilidade de vincular arranjos produtivos locais (que funcionam como pequenas cadeias econômicas para determinado produto). Um deles pode ser vinculado às palmáceas de alto rendimento para a produção de óleo biodisel. É o caso da macaúba, babaçu, buriti, além do dendê.

“Essas são palmáceas importantes porque, do ponto de vista da concentração nativa desses materiais, tem uma população enorme. Podemos aproveitar essa diversidade tanto para uma utilização controlada, com marco regulatório definido e manejo sustentado, como para uma oferta de curto prazo dessas palmáceas na matéria-prima do biodiesel, enquanto criamos domínio tecnológico dessas palmáceas para colocá-las em outros ecossistemas com produtividade ainda alta”, informou o chefe-geral da Embrapa Agroenergia, Frederico Durães.

Durães salienta a necessidade de que haja uma diretriz pública definida para esses arranjos produtivos. Segundo ele, isso pode iniciar uma etapa mais avançada do programa Biodiesel Brasil diante da ampliação de culturais e locais produtores. Além disso, destacou que deve ser feito um acompanhamento sistemático da iniciativa privada em várias regiões do país.

“Nós precisamos colocar em disponibilidade outras espécies, com domínio tecnológico, para que a própria iniciativa privada possa se sentir mais confortável e expandir isso para outras regiões do país”. O Programa de Energia Renovável precisa ter essa logística de distribuição, em função de novos mercados e de custos de transporte, entre outros fatores, disse Durães. “A energia renovável precisa ter um caráter regionalizado”, defendeu.

A partir da Lei do Biodiesel, que autoriza a adição de 2% de biodiesel à gasolina engre 2005 e 2007, estima-se que existe um mercado potencial de 840 milhões de litros por ano. Quando a adição desse percentual se tornar obrigatória, a partir de janeiro de 2008 até 2012, esse mercado sobe para 1 bilhão de litros de biodiesel anuais.

De 2013 em diante, já com o percentual obrigatório de 5%, pode-se ter um mercado de 2,4 bilhões de litros por ano, de acordo com informações do presidente da Embrapa, Sílvio Crestana. Com o incentivo do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), a expectativa de produção é de 3,3 bilhões de litros por ano em 2010 no Brasil.

O programa do biodiesel “precisa estar crescentemente baseado em inovação, que nós da área pública e do setor privado precisamos acreditar nele, e criar esses mecanismos para um programa consolidado e sustentável nos próximos dez anos”, define Durães.

Ele ressaltou que a própria Lei de Inovação abre uma janela para que as parcerias entre governo e setor privado sejam viabilizadas no curto prazo. As ações do negócio público-privado serão divididas 51% para as empresas privadas e 49% para o governo, conforme define a lei. A Embrapa Agroenergia foi criada no final do ano passado para coordenar os trabalhos de pesquisa, desenvolvimento e inovação das unidades de pesquisa da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).

Fonte:

Unigran mostra a tecnologia do biodiesel na Expoagro

Durante toda a 43ª Expoagro, a Unigran (Centro Universitário da Grande Dourados) mantém um estande especificamente para a divulgação da tecnologia do biodiesel. A Unigran pesquisa o biodiesel há três anos e meio. Este ano, a novidade do estande é a apresentação das primeiras pesquisas sobre o pinhão-manso, uma nova planta usada para extrair o biodiesel, mas que se tem muito pouca informação sobre ela.

De acordo com Mário De Dea, responsável pelo projeto de biodiesel do Centro Universitário, as visitações ao estande estão regulares até agora, mas devem crescer esta semana, sobretudo de grupos de estudantes. “70% das pessoas que visitam o estande estão interessadas em saber como é o processo de fabricação do biodiesel, do plantio da oleaginosa, até a moagem e operação final”, diz.

O propósito do estande é divulgar a tecnologia do biodiesel para os produtores rurais e estudantes. Na fazenda escola da Unigran, segundo Mário, são pesquisadas todas as culturas das quais se pode extrair o óleo. A novidade é o pinhão-manso. “Em termos de Brasil não existe dados precisos sobre esta cultura, sobre a produtividade e doenças, por exemplo”, lembra o pesquisador. A Unigran mantém na fazenda uma área de plantio de 5 hectares com a nova cultura.

Ele destaca a produção de biodisel como importante, devido a sua agregação de valor. “O pinhão-manso, por exemplo, é colhido à mão; ele pode ajudar a gerar empregos e segurar o homem no campo”, lembra.

Mário e a equipe da Unigran estão disponíveis durante toda a exposição para falar sobre o biodiesel e mostrar as novidades sobre as culturas e o processo de produção.

Fonte: Dourados news

Espanhóis planejam investir mais na Bahia

As boas intenções deram o tom dos discursos do governador Jaques Wagner e do vice-presidente executivo do Instituto Espanhol de Comércio Exterior (ICEX), Ángel Martín Acebes, nesta segunda-feira, na abertura do fórum de investimentos e cooperação empresarial hispano-brasileiro, em Salvador.

O fórum inaugura a segunda onda de investimentos espanhóis no Estado. Os empresários têm pretensões de atuar em grandes obras de infra-estrutura e em biodiesel, apostando nas áreas de agronegócios e maquinário para indústria agrícola, saneamento, energia, meio ambiente, imobiliária, engenharia, química, tecnologia da informação. Eles querem também dar continuidade aos investimentos em turismo no litoral baiano.

O governador Jaques Wagner declarou ter pressa na celebração dos acordos e garantiu que qualquer negociação deverá considerar a preservação do meio-ambiente. “Esse processo tem que ser rápido porque tenho pelo menos quatro anos do primeiro mandato para realizar os projetos. A Bahia tem enorme carência na área de saneamento básico”, afirmou.

A construção de uma ferrovia para interligar o extremo oeste ao leste do Estado é um desejo de Wagner. “A ferrovia é meu sonho. Temos no oeste, sobretudo em Caetité, produção de soja, algodão e café, e futuramente álcool, que precisa ser escoada para o oceano atlântico, para exportação. Sabemos que a Espanha tem intenção de ter um porto pesqueiro de apoio e a Bahia reúne condições para isso”, comentou Wagner.

Leia mais na edição desta terça-feira no Jornal A TARDE

PINHÃO ATREVIDO


O artigo publicado hoje, terça-feira, 22 de Maio, em minha coluna nos jornais O Estado de S. Paulo e O Tempo, de MG, intitula-se "PINHÃO ATREVIDO". Caso não disponha dos jornais, o artigo encontra-se abaixo. A relação completa das publicações pode ser encontrada em www.agrobrasil.agr.br.
Receba um abraço do amigo
Xico Graziano


PINHÃO ATREVIDO
Não vira. Assim se diz, no interior, quando se avalia uma idéia arriscada, duvidosa quanto ao seu sucesso. Exprime uma visão de fracasso no empreendimento. Tal ocorre com a reforma agrária brasileira.

Milhares de projetos de assentamento rural, instalados país afora, capengam há anos sem mostrar resultado positivo. O progresso tarda a superar a pobreza, agora mudada de lugar. A venda e o arrendamento dos lotes suplantam, de longe, a exploração própria da terra pelo aquinhoado original. Tanto dinheiro, tanta briga, tanto esforço, para pífio avanço.

O problema fundamental reside no isolamento, frente ao mercado, dos pretensos agricultores. A reforma agrária tende, no máximo, a favorecer a agricultura de subsistência. A prova se encontra nos casos de sucesso: invariavelmente, os projetos exitosos participam de uma cadeia produtiva organizada.

Carlos Guanzirolli, reconhecido especialista em política fundiária, foi um dos primeiros a reconhecer, já em 1997, a necessidade da integração produtiva dos assentamentos rurais, sob pena de se inviabilizar o processo reformista. O BNDES promoveu, na época, reuniões envolvendo o Incra e a FAO, para avaliar o custo-benefício do modelo distributivista da terra.

Nesse núcleo crítico se formulou o Pronaf, programa destinado ao fortalecimento da agricultura familiar. A ordem era profissionalizar os pequenos agricultores. Tratava-se de aprimorar sua tecnologia e, mais, integrá-los ao mercado das agroindústrias e das cooperativas. Aos assentados de reforma agrária se visualizava sua emancipação, quer dizer, após um período de cinco anos, ele receberia o título de propriedade e sua consequente alforria como produtor rural. Um digno com-terra.

Não virou. O MST e, em menor proporção, a Contag, se opuseram fortemente à emancipação dos sem-terra, certamente querendo mantê-los sob sua esfera de influência política. Pior, setores saudosistas da esquerda passaram a defender o modelo da subsistência rural familiar, em oposição ao sistema integrado dos agronegócios. Vai entender.

Por essas e outras a reforma agrária encontra-se no pior dos mundos. Na entrada, gente despreparada, sem nenhuma aptidão, faz da invasão de terra o passaporte para o quinhão bendito. Na saída, distantes de tudo, entregues à própria sorte, isolados, vai produzir o que e vender para onde?

Hoje em dia, agricultores da nova geração, jovens treinados e talhados para a roça e a lida, mesmo esses sofrem para conseguir do usufruto da terra o sustento digno de sua família. Aqui se encontram os milhares de sitiantes paulistas, cerca de 200 mil produtores, que correm atrás da moderna tecnologia para escapar do sumiço. Ficou parado, dança.

Mas de nada adianta, apenas, saber produzir no campo. Difícil é vender com preço remunerador, pois os mercados são exigentes e controlados. Passou a época de viver da feira. Agora manda a prateleira do supermercado.

A agricultura de enxada virou troco no bolso do agricultor. Por sorte, em alguns casos, ganhou grife em nichos de mercado de gente rica. Pura exceção. A única saída da agrura rural se encontra na integração produtiva, preferencialmente enturmado em uma boa cooperativa agropecuária. Sozinho, fica difícil.

José Rainha, famoso líder do MST no Pontal do Paranapanema paulista, segue essa pista. Propõe organizar dez mil agricultores assentados em torno do biodiesel. A meta do inusitado projeto é ocupar 20 mil hectares, em dez anos. Somente na implantação das lavouras estima-se gastar R$ 50 milhões. Consta que o comprador do renovável combustível já teria até assinado uma carta-compromisso. Mercado garantido.

Os primeiros mil produtores rurais estão sendo selecionados e devem iniciar o plantio já em 2007. Durante os primeiros três anos, devem receber ajuda de custo do governo, na forma de um salário mínimo/mês. Renda certa. Depois, é só apostar no pinhão-manso, a planta escolhida para gerar o biodiesel. Coisa atrevida.

Enquanto o comando obscurantista da Via Campesina combate o agronegócio e defende o atraso da autosuficiência alimentar, o pragmático Zé Rainha busca o top do mercado de biocombustível para gerar renda no bolso de seus liderados. Está correto.

Inexiste caminho para a reforma agrária, no Pontal do Paranapanema ou alhures, longe do mercado. Nos anos 60, quando o modelo distributivista da terra foi idealizado, o simples acesso a terra garantia o progresso. Bastava carpir e semear. Hoje, na feroz competição da economia globalizada, dramático é segurar a renda do agricultor.

Ao governo, porém, cuidado. Em 1995, o mesmo Zé Rainha fundou uma cooperativa no município de Teodoro Sampaio, baseada num projeto agroindustrial. Parecia um sonho naquela banda distante. Juntou 1,6 mil famílias e arrecadou, somando-se vários financiamentos públicos, daqueles de pai-para-filho, cerca de R$ 8,5 milhões. Foram adquiridos 42 grandes tratores, construído um lacticínio, dois enormes silos graneleiros, uma agroindústria de sucos. Tudo supimpa.

Nada nunca funcionou. Nenhum litro de suco, nenhum leite pasteurizado. Os tratores desapareceram. As instalações deterioram-se com o tempo. O escândalo da Cocamp é um tributo ao desperdício do dinheiro público. Jamais alguém acabou responsabilizado. Uma vergonha.

Esse pinhão-manso, planta que ninguém sabe direito o que é, nem de onde veio, pode surpreender. Para o bem ou para o mal. Quem avisa amigo é.

Sob suspeita, Rondeau deve deixar o cargo hoje

Silas Rondeau deve pedir afastamento do ministério

O ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau, deve pedir demissão, hoje, oficialmente, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A possibilidade de o ministro afastar-se do cargo começou a se tornar mais forte na noite de ontem. O sinal de que Rondeau, acusado de receber R$ 100 mil da construtora Gautama, está deixando o governo, foi dado ontem pelo seu padrinho político, o senador José Sarney (PMDB-AP).

Segundo a assessoria do senador, Sarney recomendou a Rondeau que se afaste do cargo, pelo menos até que sejam esclarecidas as suspeitas levantadas contra ele.O pemedebista está convencido de que o ministro é inocente, mas avalia que ele já sofreu muito desgaste político e precisaria sair do foco. Os dois conversaram por telefone. O senador defendeu que Rondeau peça demissão ou apenas se licencie temporariamente.

Na comitiva do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à inauguração das duas últimas unidades geradoras de Itaipu, em Foz de Iguaçu, Rondeau disse em que está acompanhando do ponto de vista administrativo o caso e afirmou ter determinado a abertura de uma auditoria especial. "Estamos também abrindo processo administrativo disciplinar" , disse. Estarei fazendo avaliação. "Se houve alguma incúria, os responsáveis serão punidos" , afirmou Rondeau.

O ministro integra o Conselho de Administração de Itaipu e compôs o palanque, ao lado do presidente. "As acusações são gravíssimas no processo como um todo. Precisam ser apuradas. Não podemos deixar a sociedade sem resposta". Questionado se vai deixar o cargo, Rondeau recusou-se a responder.

No fim do dia, a assessoria do MME divulgou nota rebatendo as possibilidade de que a pasta tenha envolvimento em fraudes orçamentárias do programa Luz para Todos . Segundo o documento, cabe às concessionárias estaduais a definição dos programas de obras, bem como as licitações; à Eletrobrás, que já foi presidida por Rondeau quando a ministra da área era Dilma Rousseff, cabe a análise técnica e orçamentária.

Caso se afaste até que termine a investigação, Rondeau estará se utilizando da mesma estratégia adotada, em 1993, pelo então chefe do gabinete civil da Presidência do governo Itamar Franco, Henrique Hargreaves. Hargreaves se viu envolvido nas denúncias da CPI do orçamento e pediu afastamento do cargo alegando que, dessa maneira, poderia defender-se melhor das acusações.

Segundo assessores do Ministério de Minas e Energia, Rondeau está bastante abatido." Com o conselho de Sarney, fica mais fácil para todos os lados", acrescentou um assessor do Palácio do Planalto. Para o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, que também estava na comitiva de Itaipu, é preciso apurar: "Como o presidente falou, doa a quem doer. Tem que ver o histórico da pessoa porque o ministro tem feito um bom trabalho. Há casos em que as pessoas podem achar mais confortável sair para se defender. Mas se optar por ficar terá que se explicar logo. Esse tipo de investigação da PF atrapalha só quem está querendo fazer malandragem".

Na agenda oficial do presidente, não constava, até as 21h30 de ontem, o encontro com Rondeau. O primeiro evento oficial previsto é a reunião da coordenação política, que serviria para o presidente medir a temperatura da crise . Assessores não descartavam a hipótese de Rondeau ser convocado para essa reunião mas, se pedir para sair, não deve participar.

Rondeau é suspeito, com base em gravações telefônicas e filmagens feitas pela Polícia Federal, de receber R$ 100 mil da empresa Gautama, de propriedade de Zuleido Soares Veras. A situação de Rondeau oscilou no governo nos dois últimos dias, até que o desfecho do pedido de demissão estivesse praticamente consumado.

No domingo, surgiram imagens da PF mostrando a assessora da Gautama, Maria de Fátima, entrando no Ministério com um envelope contendo, supostamente, R$ 100 mil. O montante foi entregue ao assessor especial do Ministério, Ivo Almeida Costa, que cruzou uma porta atrás da qual estaria o gabinete do ministro. Saiu pouco depois, já sem o envelope. Ontem, o ministério, que no primeiro momento havia descartado a possibilidade de uma câmera filmando a ante-sala do ministro, voltou atrás e resolveu mostrar que, por detrás da porta, existe um conjunto de salas, não apenas o gabinete do ministro.

No Congresso, a crise se expande, mas as lideranças governistas receiam dar passos em falso. Ontem à noite, apesar da interlocução constante, o líder do governo na Câmara, José Múcio Monteiro (PTB-PE) iria se reunir pessoalmente com o ministro da articulação política, Walfrido dos Mares Guia.

A preocupação central é com a possibilidade de, mais uma vez, uma crise política paralisar as votações no Congresso, prejudicando o andamento do PAC. Múcio defende que venha logo à tona a lista dos parlamentares envolvidos com o esquema da Gautama. Afastemos de uma vez por todas os envolvidos e deixem que o resto do Parlamento legisle .

Caso a saída de Rondeau seja efetivada, o mais cotado para assumir interinamente a pasta é Nelson Pereira Hubner, atual secretário-executivo. Ele era chefe de gabinete de Dilma, quando esta era ministra de Minas e Energia.

Fonte:

segunda-feira, 21 de maio de 2007

Girassol: Da América para o Mundo


Planta originária da América, o girassol está inserido no sistema de produção do Cerrado, tanto no sequeiro como no sistema irrigado. Apresenta adaptabilidade, tolerância à seca, alto rendimento de grão e de óleo e é pouco influenciado pela altitude e latitude. Essas características indicam o potencial da cultura no sistema de produção dos Cerrados, onde está se consolidando como uma boa alternativa econômica para os produtores dessa região.

É uma espécie extremamente versátil, sendo, no Brasil, utilizado no uso humano e também na alimentação animal, além do uso ornamental. A principal utilização do girassol, até o momento, é como matéria-prima para a produção de óleo comestível. O óleo extraído dos grãos é rico em gorduras poliinsaturadas (benéficas para a saúde humana) e possui a melhor relação de ácidos graxos poliinsaturados/saturados (65,3%/11,6%) o que lhe dá qualidade nutricional. Existem cultivares com finalidades diversas, como por exemplo, para fins industriais e que apresentam alto teor de óleo (40% - 50%); outras com baixo teor (30%), denominadas materiais confeiteiros; O farelo, subproduto da extração do óleo, é utilizado na indústria de rações para alimentação animal.

Seus grãos são usados na produção de óleo e margarina e extraem-se deles cerca de 350 kg de torta para fins de alimentação animal. O girassol também é uma planta forrageira, empregando-se nas formas de forragem verde, silagem e grão integral. Na forma de silagem, apresenta ótima produção de fitomassa verde, excelente teor de proteína bruta (13%) e uma proteína digestível muito superior à do sorgo e à do milho, atingindo valores de 7,3%. Outra alternativa de usos do girassol é como adubo verde. Produtores de Goiás, Minas Gerais, Bahia, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul fazem uso desta técnica com a finalidade de rotacionar e promover os diversos benefícios da adubação verde, com as culturas da soja e do milho. Em São Paulo, o girassol está sendo usado na sucessão e rotação da cana-de-açúcar. Semeiam o girassol na safra ou safrinha, de acordo com as exigências e objetivos locais.

Em função dessas características de adaptação, custo de produção e pela elevada produção de óleo, o girassol encontrou um novo uso: o Biodiesel.

O Biodiesel pode ser obtido de diversas fontes, e tido como um combustível biodegradável derivado de fontes renováveis, podendo ser obtido por processos de transesterificação, esterificação ou pelo craqueamento. Apesar de que o Biodiesel ser produzido principalmente de canola e de soja, o biodiesel do girassol está sendo muito procurado, por o óleo desta espécie destacar-se por suas características físico-quimicas e pelas viabilidade técnico-ambiental. Ele pode ser utilizado motores para sistemas de irrigação, motores de equipamentos agrícolas, o que faz com que o próprio produtor gere o seu combustível. A pesquisa tem mostrado a viabilidade do biodiesel do girassol, em diversas pesquisas acadêmicas, em motores de caminhões.

Esse novo uso do girassol promove a cultura, através de geração de empregos na agricultura, tanto familiar como empresarial, produzindo uma energia limpa a favorecendo para a preservação do meio ambiente. Permite, ainda diversificar o emprego da matéria-prima num ambiente – Cerrado, que já possui a tecnologia, gerada pela Embrapa, para a produção do girassol como cultura.

Renato Fernando Amabile é pesquisador da Embrapa Cerrados (Planaltina-DF)

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