segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Usinas contestam viabilidade econômica do Programa Nacional de Biodiesel

Apesar do alto custo da matéria-prima para a produção do biodiesel – a cotação do óleo de soja dobrou em um ano –, as usinas que participaram do leilão da Petrobrás farão a entrega dos 380 milhões de litros que serão consumidos neste semestre.

A garantia é do governo federal, que diz que o Programa Nacional do Biodiesel, que instituiu a adição obrigatória de 2% desse combustível renovável no diesel desde o início de janeiro, está funcionando muito bem. Para as usinas, o programa ainda está longe de ser viável economicamente.

Atualmente, a tonelada do óleo de soja está cotada em torno de R$ 2,8 mil. Há um ano, esse valor era de R$ 1,1 mil. “Não é possível pegar uma tonelada de óleo bruto e vai fazer biodiesel, sendo que o governo paga o equivalente a R$ 1,8 mil a tonelada”, diz Antônio Félix, proprietário da usina Biolix, de Rolândia, uma das três empresas do Paraná autorizadas pelo Ministério de Minas e Energia a fabricar o produto. As duas maiores, a Biolix e a Biopar, estão paradas porque não participaram dos leilões organizados pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). “Não sei se existe um santo para o biodiesel, mas se existir, só ele deve saber como produzir com os preços atuais”, lamenta.

Félix diz que está desestimulado com o programa do biodiesel e pretende vender a usina. “A evolução está sendo muito diferente daquela que imaginei que pudesse haver, seis anos atrás”, conta. Para a União Brasileira do Biodiesel (Ubrabio), entidade que reúne quase três dezenas de usinas do Brasil, a situação atual já era esperada. “A lei determinava a mistura de 2% neste ano, e a capacidade instalada é muito superior para atender a demanda. Já sabíamos disso, mas claro que há um desconforto para os produtores”, avalia o diretor-executivo da entidade, Sérgio Beltrão.

Uma alternativa para as usinas é atender a demanda de frotas cativas, que podem utilizar mistura superior a 2% no diesel. Na semana passada, a Volvo, fabricante de caminhões e ônibus de Curitiba, anunciou que os veículos produzidos a partir de março terão condições de receber uma mistura de até 30% de biodiesel.

Usinas, entidades e governo federal apóiam a diversificação de matérias-primas para a fabricação de biodiesel. “Queremos e precisamos criar alternativas economicamente viáveis para não dependermos mais da soja. Somos favoráveis à diversificação e sabemos que podemos avançar muito nessa área. O que foi feito pela soja nos últimos 30 anos precisa ser feito agora para o desenvolvimento de pinhão-manso, girassol e palma”, afirma Beltrão.

Segundo o proprietário da Biolix, a melhor alternativa para o Sul do Brasil é o nabo forrageiro, cujas pesquisas, no entanto, ainda são incipientes. “Cooperativas e governo deveriam incentivar não só a produção de soja e milho, mas direcionar as pesquisas para novos produtos e tecnologias.”

25/02/08
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